sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Não se culpe, corrija-se






Não deixe que a consciência fique emperrada no circuito fechado do remorso, a rodar repetidamente o filme dos seus erros, valorizando a culpa.

É preciso liberar a mente da zona de sombras para as claridades da razão, a fim de detectar onde e como se deu a queda e, em função disso, movimentar os recursos da corrigenda. Culpar-se apenas não resolve nada. É indispensável sair do ponto em que caímos.

E a primeira atitude é levantar-se, bater a poeira, dar a volta por cima e prosseguir a caminhada, mas agora com os cuidados que negligenciamos antes. O erro, às vezes, não é mais que o tropicão que nos empurra para além do buraco fatal, evitando o pior.

Não é que devamos nos atirar propositadamente ao erro, nem transformá-lo em hábito pernicioso, sob a desculpa de que errar é humano, ou que é preciso errar para acertar. Não, o que é importante é conscientizar-se do erro, de que ele é um mal que retarda o nosso progresso e adia a felicidade. E como tal, é imperioso corrigi-lo, compreendendo que somente nos educando para a vida, superaremos nosso lado animal.

Não devemos achar, porém que porque erramos, o mundo inteiro desabou sobre nossa cabeça e, por isso, vamos ficar repisando a culpa, na posição do doente que, não acreditando na cura, atira-se nos braços da morte por antecipação, pensando: “Já que vou morrer, nada mais devo fazer para salvar-me”.

Somos humanos, almas em aprendizado e não espíritos acabados e infalíveis! Por isso, se você caiu, se errou, se cometeu algum equívoco, utilize a experiência por lição oportuna para não reincidir, não errar mais. Há males que tem função educativa, e a dor é matéria indispensável no seu currículo. A perfeição passa indubitavelmente pelo erro e só se chega à perfeição agradecendo as quedas.

Não se culpe demasiadamente para não fechar as portas aos recursos da corrigenda. Defeitos existem para ser enfrentados e consertados. Confinar-se ao círculo da auto-acusação e condenar-se irremissivelmente sem cogitar de um álibi qualquer para redimir-se do erro, é suicídio. A solução para o culpado é corrigir-se. Atire a primeira pedra aquele que não tiver errado! Este pensamento de Jesus, no episódio da Mulher Adúltera[1], para mostrar aos fariseus acusadores que ninguém está imune ao erro, a um equívoco qualquer neste mundo de almas a caminho da eterna corrigenda.


Pereira, Wanderley. Ditado por um Amigo Espiritual.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Com Jesus





A renúncia será um privilégio para você.

O sofrimento glorificará sua vida.

A prova dilatará seus poderes.

O trabalho constituirá título de confiança em seu caminho.

O sacrifício sublimará seus impulsos.

A enfermidade do corpo será remédio salutar para a sua alma.

A calúnia lhe honrará a tarefa.

A perseguição será motivo para que você abençoe a muitos.

A angústia purificará suas esperanças.

O mal convocará seu espírito à prática do bem.

O ódio desafiar-lhe-á o coração aos testemunhos de amor.

A Terra, com os seus contrastes e renovações incessantes, representará bendita escola de aprimoramento individual, em cujas lições purificadoras deixará você o egoísmo para sempre esmagado.



Xavier, Francisco Candido. Da obra: Agenda Cristã. Ditado pelo Espírito André Luiz.

Destinação da Terra - Causas das misérias humanas

Enviado: 21/6/2007 14:59

Muitos se admiram de que na Terra haja tanta maldade e tantas paixões grosseiras, tantas misérias e enfermidades de toda natureza, e daí concluem que a espécie humana bem triste coisa é. Provém esse juízo do acanhado ponto de vista em que se colocam os que o emitem e que lhes dá uma falsa idéia do conjunto. Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda, mas apenas uma pequena fração da Humanidade. Com efeito, a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros orbes do Universo. Ora, que é a população da Terra, em face da população total desses mundos? Muito menos que a de uma aldeia, em confronto com a de um grande império. A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e a natureza dos que a habitam.
Faria dos habitantes de uma grande cidade falsíssima idéia quem os julgasse pela população dos seus quarteirões mais íntimos e sórdidos. Num hospital, ninguém vê senão doentes e estropiados; numa penitenciária, vêem-se reunidas todas as torpezas, todos os vícios; nas regiões insalubres, os habitantes, em sua maioria são pálidos, franzinos e enfermiços. Pois bem: figure-se a Terra como um subúrbio, um hospital, uma penitenciaria, um sítio malsão, e ela é simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as aflições sobrelevam aos gozos, porquanto não se mandam para o hospital os que se acham com saúde, nem para as casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os hospitais e as casas de correção se podem ter por lugares de deleite.
Ora, assim como, numa cidade, a população não se encontra toda nos hospitais ou nas prisões, também na Terra não está a Humanidade inteira. E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a Ferra, quando está curado de suas enfermidades morais.



Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112 edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br. Federação Espírita Brasileira. 1996.

DESPERTANDO NO UMBRAL

(O encontro com a própria consciência.)



"Eu guardava a impressão de haver perdido a idéia de tempo. A noção de espaço esvaíra-se-me de há muito. Estava convicto de não mais pertencer ao número dos encarnados no mundo e, no entanto, meus pulmões respiravam a longos haustos. Desde quando me tornara joguete de forças irresistíveis?"

"Cabelos eriçados, coração aos saltos, medo terrível senhoreando-me, muita vez gritei como louco, implorei piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me subjugava o espírito; mas, quando o silêncio implacável não me absorvia a voz estentórica, lamentos mais comovedores, que os meus, respondiam-me aos clamores. A paisagem, quando não totalmente escura, parecia banhada de luz alvacenta, como que amortalhada em neblina espessa, que os raios de Sol aquecessem de muito longe."

"E a estranha viagem prosseguia... Com que fim? Quem o poderia dizer? Apenas sabia que fugia sempre... O medo me impelia de roldão. Onde o lar, a esposa, os filhos? Perdera toda a noção de rumo. O receio do ignoto e o pavor da treva absorviam-me todas as faculdades de raciocínio, logo que me desprendera dos últimos laços físicos, em pleno sepulcro!"

"Reconhecia, agora, a esfera diferente a erguer-se da poalha do mundo e, todavia, era tarde. Pensamentos angustiosos atritavam-me o cérebro. Mal delineava projetos de solução, incidentes numerosos impeliam-me a considerações estonteantes. Em momento algum, o problema religioso surgiu tão profundo a meus olhos."

"Em verdade, não fora um criminoso, no meu próprio conceito. Mas, examinando atentamente a mim mesmo, algo me fazia experimentar a noção de tempo perdido, com a silenciosa acusação da consciência."

"- Suicida! Suicida! Criminoso! Infame!" - gritos assim, cercavam-me de todos os lados. Onde os sicários de coração empedernido? Por vezes, enxergava-os de relance, escorregadios na treva espessa e, quando meu desespero atingia o auge, atacava-os, mobilizando extremas energias. Em vão, porém, esmurrava o ar nos paroxismos da cólera. Gargalhadas sarcásticas feriam-me os ouvidos, enquanto os vultos negros desapareciam na sombra."

"Por que a pecha de suicídio, quando fora compelido a abandonar a casa, a família e o doce convívio dos meus? O homem mais forte conhecerá limites à resistência emocional. Firme e resoluto a princípio, comecei por entregar-me a longos períodos de desânimo, e, longe de prosseguir na fortaleza moral, por ignorar o próprio fim, senti que as lágrimas longamente represadas visitavam-me com mais freqüência, extravasando do coração.

"Para quem apelar? Torturava-me a fome, a sede me escaldava. Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida. O assédio incessante de forças perversas que me assomavam nos caminhos ermos e obscuros. Irritavam-me, aniquilavam-me a possibilidade de concatenar idéias. Desejava ponderar maduramente a situação, esquadrinhar razões e estabelecer novas diretrizes ao pensamento, mas aquelas vozes, aqueles lamentos misturados de acusações nominais, desnorteavam-me irremediavelmente.
- Que buscas, infeliz! Aonde vais, suicida?"

"A quem recorrer? Por maior que fosse a cultura intelectual trazida do mundo, não poderia alterar, agora, a realidade da vida. Meus conhecimentos, ante o infinito, semelhavam-se a pequenas bolhas de sabão levadas ao vento impetuoso que transforma as paisagens. Eu era alguma coisa que o tufão da verdade carreava para muito longe."

"Persistiam as necessidades fisiológicas, sem modificação. Castigava-me a fome todas as fibras, e, nada obstante, o abatimento progressivo não me fazia cair definitivamente em absoluta exaustão. De quando em quando, deparavam-se-me verduras que me pareciam agrestes, em torno de humildes filetes dágua a que me atirava sequioso".

"Foi quando comecei a recordar que deveria existir um Autor da Vida, fosse onde fosse. Essa idéia confortou-me. Eu, que detestara as religiões no mundo, experimentava agora a necessidade de conforto místico. Médico extremamente arraigado ao negativismo da minha geração, impunha-se-me atitude renovadora. Tornava-se imprescindível confessar a falência do amor-próprio, a que me consagrara orgulhoso."

"E, quando as energias me faltaram de todo, quando me senti absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-me, pedi ao Supremo Autor da Natureza me estendesse mãos paternais, em tão amargurosa emergência.

"Ah! é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança."

Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente. Inclinou--se, fixou nos meus os grandes olhos lúcidos, e falou: "Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara." Amargurado pranto banhava-me a alma toda. Emocionado, quis traduzir meu júbilo, comentar a consolação que me chegava, mas, reunindo todas as forças que me restavam, pude apenas inquirir: "Quem sois, generoso emissário de Deus?" O inesperado benfeitor sorriu bondoso e respondeu: "Chama-me Clarêncio, sou apenas teu irmão."

Nos Assuntos do Coração

Dedicas-te a obras de benemerência nos compromissos da fé, com vistas à reforma moral, quando te deparas com alguém solicitando-te atenções mais específicas a pretexto de sanar crises que lhe afetam o coração solitário.

Ao examinares o fundo das tuas intenções, a bússola dos teus deveres e o quadro das necessidades reais de quem te busca o apoio moral, não te surpreendas se fores visitado por inusitada impressão na forma de sensação estranha, como se uma voz íntima quisesse recomendar-te alguns cuidados a própria ação de socorro a que te propões.

Nos assuntos do coração alheio, aprendes antes a examinar as condições de equilíbrio em que bate o teu, porque as viciações que trazemos no bojo das nossas imperfeições podem recrudescer ao contato de sentimentos semelhantes. E ninguém pode se julgar suficientemente seguro para resistir invulnerável às armadilhas das emoções de que se utilizam as forças adversárias do bem para tentar aquele que se decidiu pela transformação moral na escola de renovação do Cristo.

Se penetraste, pois, o portal de luz do Evangelho redentor e te vês conduzido a colaborar na medicação de almas atribuladas, vítimas dos conflitos afetivos, preserva-te nas trincheiras do equilíbrio, ajudando sem afetação e expurgando do teu mundo interno todos os impulsos e sugestões que não se conciliem com a isenção. E isenção é fruto da consciência fortalecida nas ações de quem se decidiu caminhar com Jesus, que libertou almas alucinadas pelo fogo das paixões humanas, sem no entanto contaminar-se.

Esforça-te para imitares o amigo divino, que amou sem paixão e ajudou com isenção aos enfermos morais a se curarem por si mesmos, tal como fez com a pecadora da narrativa (X,11), a quem, sem buscar a intimidade dos seus problemas, aconselha paternal: “Vais e não voltes mais a pecar.” Ajudou-a, socorreu-a, sem compartilhar os seus segredos, sem sondar-lhe as causas nem extensão dos seus conflitos íntimos.

Eis uma lição imprescindível aos conselheiros dos corações outros.



Com a bênção de Jesus, nosso Senhor.



Joana


Pereira, Wanderley. Ditado pelo Espírito Joana.

Escândalos




Raimundo de Moura Rêgo Filho



Vamos conversar, hoje, baseados no capítulo VIII da obra O Evangelho segundo o Espiritismo, notadamente nos itens de XI a XXI.

Na verdade, fico muito honrado em trazer à vocês esses itens, exatamente porque dentre o capítulo VIII, “OS QUE TÊM PURO O CORAÇÃO”, são estes os que relaciono como de grande importância nos dias de hoje.

Sim, amigos, estamos vivenciando momentos de violências em todos os setores e em toda parte do globo. Tudo isso tem uma razão de ser, e nós, juntos, vamos entendê-la.

O item XI nos trás a citação: “se alguém escandaliza a um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós quem um asno faz girar e que o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo por causa do escândalo; pois é necessário que venham os escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo venha.

Tende muito cuidado em não desprezar um destes pequenos. Declaro-vos que seus anjos, no céu, vêem incessantemente a face de meu Pai que está nos céus, porquanto o filho do Homem veio salvar o que estava perdido.”

As palavras do Rabi, encontradas em Mateus XVII vv. 6 a 11indicam várias coisas e asseveram das dores que por certo advirão àqueles que agirem no erro ou no mal.

Comentário: hoje, meus amigos, assaltos, tiroteios, administração falha e inexistente do Estado para com o povo, nos dão mostras de alguns desses escândalos. Se a violência é anotada pelos tele-jornais apenas mostrando os traficantes e os ladrões, de outro lado estão as famílias que se ressentem e vivem em medo e dor. É o pai desempregado, ou o assalariado que não ganha para honrar suas dívidas ou sustentar a prole, o filho que não tem um estudo de nível, na rede pública, ou professores interessados pacientes. A mãe teve que deixar o lar e a educação dos filhos para ajudar ao pai na tarefa do sustento familiar. Toda uma sorte de aflições ronda a atmosfera do Lar. Por que? Porque o momento que vivenciamos é de modificações, e a todas essas, compreende este tipo de acometimentos. Nosso mundo de provas e expiações está para ser guindado ao nível de mundo de regeneração, para tal, esses escândalos anotados acima acordam a espiritualidade encarnada para as modificações que ela terão que evidenciar, em suas próprias vidas. Falamos de moral, sim do altear dessa moral, o galardão que dá ao espírito a chave de entrada num mundo melhorado.

Temos todos nós, um conjunto de mazelas hauridos das múltiplas vivencias pelas quais já passamos, a serem expurgadas. Muitas dessas ainda nos são gratas e gostosas, e delas esforçamo-nos por não nos desligarmos. A Lei de Causa e Efeito, vigendo inexoravelmente, há de cobrar dos espíritos a modificação e em não a encontrando efetivada, por certo indicará novo reencarnar em dores mais profundas. Assim, urge que nos entreguemos à esse salutar trabalho de regeneração que nos colocará aptos a adentrarmos ao novo mundo, como alunos que obtiveram aprovação no período que se encerra no aprendizado espiritual.

Vejam os versículos de 29 a 30 no capítulo V, onde Mateus, novo chamamento à ordem nos remete em palavras fortes: “Se a vossa mão ou o vosso pé vos é objeto de escândalo, cortai-os e lançai-os longe de vós; Melhor será para vós estareis na vida tendo um só pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes levados ao fogo eterno. Se o vosso olho vos é objeto de escândalo arrancai-o e lançai-o longe de vós; melhor para vós será, que estareis na vida tendo um olho só , do que terdes os dois e serdes precipitados no fogo do inferno.”

Comentário: aqui, o apóstolo descreve com singular clareza sobre os vícios (nossas mazelas), que contraímos, pelo uso dos sentidos que detemos.

Olfato, audição, gutação, visão e fala, bênçãos de Deus, que se mal usadas, nos remetem a toda uma sorte de desregros que nos forçam à um caminhar mais lento e nos afastam do bom caminho. Cada um destes sentidos, se anexados a uma construção malévola ou viciada, ditada por nossa casa mental, arrasta-nos a momentos fortificados de dor, pranto, medo e culpa. E somos nós, somente nós, os que os procuramos, não há arrastamento irresistível, dizem-nos os bons espíritos, mas nós, espíritos imperfeitos, ainda descremos ou mesmo nos fazemos refratários à esses bons ensinamentos, mas quando a dor nos bate a porta, sofremos e choramos, a desdita de nosso “Azar”, do pouco olhar do Pai por sobre nossas cabeças... Quanta imprevidência!

Concluí-se então, que a palavra escândalo, em verdade bem traduzida é pelos tropeços a que nós mesmos estamos propensos a dar em virtude de nossa negligência para como o Orar e Vigiar. Somos nós, amigos, os eternos fomentadores de nossa alegria ou da nossa dor. Não Deus, nem Jesus, e nem mesmo os maus espíritos.

A suprema bondade e Justiça de Mais Alto nos deu a capacidade de raciocínio, a inteligência, a consciência de Deus, esculpida em nossa psique profunda e o Livre Arbítrio. Estes atributos fazem de nós espíritos completos, diferenciando-nos dos animais ditos irracionais. Eis ai que o Pai, ao exarar a Legislação Eterna, houve de colocar a Lei de Causa e Efeito, como elemento normatizador de nossas ações, não estamos obrigados a nada em virtude de nosso Livre arbítrio, mas se andamos ao arrepio da Lei, por certeza teremos de aditar à nossas vivências momentos de reparação, mais das vezes em dor profunda. Este o nosso caminho nos mundos de provas e Expiações: Errarmos o menos possível, avançarmos o mais que possamos pelo trabalho no Bem, esta a nossa Missão.

Outro ponto de muito valor, de importância capital, está em o tratamento, educação, valor tempo que damos aos nossos miúdos, sim aos nossos filhos... Quando Jesus disse: “Deixai virem a mim as criancinhas”, por certo não falou senão para todas as crianças, todo o contingente de espíritos encarnados na terra, não excetuou nenhuma idade, da mais tenra a mais adulta. Falou também, dirigindo-se às crianças do intelecto, todas essas almas que gravitam nessa região onde a dor e o sofrer imperam. Se pouco Ele podia ensinar às crianças físicas presas tão somente à matéria, submetidas ao império dos sentidos e ainda desprovidas da razão madura. Deixou que o exemplo que dignifica a familiaridade que todos mantemos com ele e o Pai, exortou-nos ao trabalho incessante e abnegado no Bem, na ajuda ao próximo no amor em seu mais alto grau.

Lembro aqui o segundo mandamento, este do qual falamos apenas a primeira parte: “Amarás a teu próximo como se fosse a ti mesmo...”, em realidade faltamos com a parte mais importante e asseverada na mesma narrativa do Bom Mestre: “(...)Estão nesse mandamento, todas as doutrinas e todos os profetas.”

Ao explicar-nos tão sabiamente, Yoshua Bem Yussef ( verdadeiro nome de Jesus), deu-nos a exata proporção da dor conferida a quem por negligência, omissão, ou descuido, para não dizer maldade, descura de tal mandamento.

Mas voltamos às nossas crianças: São elas o objeto de nossas responsabilidades paternas, espíritos que por laços contraídos para conosco, no amor ou na reparação, chegam-nos aos portais familiares para o processo de refazimento, se descuramos para com eles, descuramos para com nossa própria ascensão espiritual.

Amigos, todo o capítulo VIII do Evangelho Segundo o Espiritismo, nos fala de Fé, de trabalho, de resignação, tolerância e paciência, tais virtudes, fazem o matiz de nossa evolução, assim, espíritos em adiantamento nesse orbe, estamos todos nós atrelados à mesma escola e classe, cada um a seu modo e vontade, há de conseguir gerir sua vivência de modo a poder se fazer apto ao ingresso em mundo de regeneração.

Quando estudamos a mensagem contida nos itens de 20 a 21, assinada pelo Cura D`Ars, Vianney, verificamos o quanto esquecidos estamos desses ensinamentos tão importantes para o nosso burilamento espiritual e conseqüente melhoria. A mensagem nos exorta ao perdão e à resignação, avisando-nos benevolamente.

Sim, posto que se o mal que nos aflige faz com que sejamos motivos de escândalos, compete-nos tal modificação, demonstrando que somos nós que nos salvamos a nos mesmos. Mais ainda, que somos nós, aquele a quem não conseguimos enganar, que nos vai julgar. Notem que o mal reside em nossa casa mental, então se são os nossos olhos os motivos do escândalo de que nos serviria arrancá-los se não nos propuséssemos, conscientemente a envidarmos todo o esforço para que nos modificássemos?

Essa explicação demonstra a alegoria da mensagem de Mateus, posto que naquele tempo, O homem detinha pouco conhecimento não tendo assim a compreensão que hoje temos.

Como disse no início de nosso papo, os tempos são os da retificação da Moral, os rebuliços, a onda de violência, os demais escândalos, são os chamamentos à reconstrução moral da Humanidade, trabalho sem o qual, pouco o nada andaríamos, relegando nossa elevação à tempos no depois dos tempos.

Amigos, se de nosso íntimo não houver a propositura grave e séria em nossa modificação, ao efetivarmos o arrancar dos olhos, apenas ficaríamos cegos, nada de melhor acontecendo para com o nosso de ascensão espiritual, o arrancar o olho ou o pé sugerido, é verificado no expurgar de nossos maus instintos, chagar morais tais como a vaidade, o orgulho, a prepotência, a cupidez, irmãos diletos, filhos da Dor e do Egoísmo.

A Fé inabalável, aquela obtida pelo raciocínio lógico, nos é o elmo, a couraça, o escudo que nos há de defender das estocadas do mal. Mas nos é necessário também a ação no bem, o exercício da Humildade e do amor ao próximo, salvos-condutos à regeneração do espírito.

Terminando, gostaria de como um alerta, deixar vívida nas mentes de vocês a exortação basilar do Mestre:

“Sejais Frios ou Quentes, pois os mornos, Eu os vomitarei de minha boca.”

O porque dessa exortação nos remete ao raciocínio de que devamos estar a trabalho, sempre, e incessantemente, na reconstrução de nosso espírito.

O Estar morno de que nos fala Jesus, é a INAÇÃO, a falta de VONTADE, o descaso de muitos de nós, que relegam sua evolução espiritual aos andrajos dos esmoleres morais.

Para depois, sofrermos em dor e remorso.
Muita paz,

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

REAJUSTANDO OS SENTIMENTOS

Ensaios para a libertação

"Sentindo-me só, ponderei os acontecimentos que me sobrevieram, desde o primeiro encontro com o Ministro Clarêncio. Onde estaria a paragem de sonho? Na Terra, ou naquela colônia espiritual? Que teria sucedido a Zélia e aos filhinhos? Por que razão me prestavam ali tão grande esclarecimentos sobre as mais variadas questões da vida, omitindo, contudo, qualquer notícia pertinente ao meu antigo lar? Minha própria mãe me aconselhara o silêncio, abstendo-se de qualquer informação direta."



"Tudo indicava a necessidade de esquecer os problemas carnais, no sentido de renovar-me intrinsecamente, e, no entanto, penetrando os recessos do ser, encontrava a saudade viva dos meus. Desejava ardentemente rever a esposa muito amada, receber de novo o beijo dos filhinhos... Por que decisões do destino estávamos agora separados, como se eu fosse um náufrago em praia desconhecida? Simultaneamente, idéias generosas confortavam-me o íntimo."



"Em verdade, muito amara a companheira de lutas e, sem dúvida, dispensara aos filhinhos ternuras incessantes; mas, examinando desapaixonadamente minha situação de esposo e pai, reconhecia que nada criara de sólido e útil no espírito dos meus familiares. Tarde verificava esse descuido. Quem atravessa um campo sem organizar sementeira necessária ao pão e sem proteger a fonte que sacia a sede, não pode voltar com a intenção de abastecer-se. Tais pensamentos instalavam-se-me no cérebro com veemência irritante."



"O que me diz das quedas? Verificam-se apenas na Terra? Somente os encarnados são suscetíveis de precipitação no despenhadeiro das Trevas?" Lísias pensou um minuto e respondeu: "Sua observação é oportuna. Em qualquer lugar, o espírito pode precipitar-se nas furnas do mal, salientando-se, porém, que nas esferas superiores as defesas são mais fortes, imprimindo-se, conseqüentemente, mais intensidade de culpa na falta cometida." Entretanto" - objetei -, "a queda sempre me pareceu impossível nas regiões estranhas ao corpo terreno. O ambiente divino, o conhecimento da verdade, o auxílio superior figuravam-se-me antídotos infalíveis ao veneno da vaidade e da tentação." O companheiro sorriu e esclareceu: "O problema da tentação é mais complexo. As paisagens do planeta terrestre estão cheias de ambiente divino, conhecimento da verdade e auxílio superior. Não são poucos os que compartem, ali, de batalhas destruidoras entre as árvores acolhedoras e os campos primaveris; muitos cometem homicídios ao luar, insensíveis à profunda sugestão das estrelas; outros exploram os mais fracos, ouvindo elevadas revelações da verdade superior. Não faltam, na Terra, paisagens e expressões essencialmente divinas."



"Qual acontece a nós outros, que trazemos em nosso íntimo o superior e o inferior, também o planeta traz em si expressões altas e baixas, com que corrige o culpado e dá passagem ao triunfador para a vida eterna. Você sabe, como médico humano, que há elementos no cérebro do homem que lhe presidem o senso diretivo. Hoje, porém, reconhece que esses elementos não são propriamente físicos e sim espirituais, na essência. Quem estime viver exclusivamente nas sombras, embotará o sentido divino da direção. Não será demais, portanto, que se precipite nas Trevas, porque o abismo atrai o abismo e cada um de nós chegará ao local para onde esteja dirigindo os próprios passos."



"Lísias, a meu lado, logo que deixamos o aeróbus numa das praças do Ministério da Elevação, disse carinhoso: "Finalmente, vai você conhecer minha noiva, a quem tenho falado muitas vezes a seu respeito." "É curioso - observei, intrigado - encontrarmos noivados, também por aqui..." "Como não? Vive o amor sublime no corpo mortal, ou na alma eterna? Lá, no círculo terrestre, meu caro, o amor é uma espécie de ouro abafado nas pedras brutas. Tanto o misturam os homens com as necessidades, os desejos e estados inferiores, que raramente se diferenciará a ganga do precioso metal."



"O noivado é muito mais belo na espiritualidade. Não existem véus de ilusão a obscurecer-nos o olhar. Somos o que somos. Lascínia e eu já fracassamos muitas vezes nas experiências materiais. Devo confessar que quase todos os desastres do pretérito tiveram origem na minha imprevidência e absoluta falta de autodomínio. A liberdade que as leis sociais do planeta conferem ao sexo masculino, ainda não foi devidamente compreendida por nós outros. Raramente algum de nós a utiliza no mundo em serviço de espiritualização. Amiúde, convertemo-la em resvaladouro para a animalidade. As mulheres, ao contrário, têm tido, até agora, a seu favor, as disciplinas mais rigorosas. Na existência passageira, sofrem-nos a tirania e suportam o peso das nossas imposições; aqui, porém, verificamos o reajustamento dos valores. Só é verdadeiramente livre quem aprende a obedecer."

"Antes que pudesse manifestar minha profunda admiração, Lisias recomendou bem-humorado: "Lascínia sempre se faz acompanhar de duas irmãs, às quais, espero faça você as honras de cavalheiro. "Mas, Lísias..." - respondi, reticencioso, considerando minha antiga posição conjugal - "você deve compreender que estou ligado a Zélia." O enfermeiro amigo, nesse instante, riu a valer, acrescentando: "Era o que faltava! Ninguém quer ferir seus sentimentos de fidelidade. Não creio, no entanto, que a união esponsalícia deva trazer o esquecimento da vida social. Não sabe mais ser o irmão de alguém, André?"



"Em palestras numerosas, recolhia referências a Jesus e ao Evangelho, e, no entanto, o que mais me impressionava era a nota de alegria reinante em todas as conversações. Ninguém recordava o Mestre com as vibrações negativas da tristeza inútil, ou do injustificável desalento, Jesus era lembrado por todos como supremo orientador das organizações terrenas, visíveis e invisíveis, cheio de compreensão e bondade, mas também consciente da energia e da vigilância necessárias à preservação da ordem e da justiça. Aquela sociedade otimista encantava-me. Diante dos olhos, tinha concretizadas as esperanças de grande número dos pensadores verdadeiramente nobres, na Terra..."



"Não concordo. Voltar a senhora à carne? Por quê? Internar-se, de novo, no caminho escuro, sem necessidade imediata?" Mostrando nobre expressão de serenidade, minha mãe ponderou: "Não consideras a angustiosa condição de teu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para reerguê-lo e meus esforços têm sido improfícuos."



"E essas mulheres?" - indaguei. "Que será feito dessas infelizes?" Minha mãe sorriu e respondeu: "Serão minhas filhas daqui a alguns anos. É preciso não esqueceres que irei ao mundo em auxílio de teu pai. Teu pai é hoje um céptico e essas pobres irmãs suportam pesados fardos na lama da ignorância e da ilusão. Em futuro não distante, colocarei todos eles em meu regaço materno, realizando minha nova experiência. E mais tarde... quem sabe? talvez regresse a "Nosso Lar", cercada de outros afetos sacrossantos, para uma grande festividade de alegria, amor e união..."