Alegria é cântico das horas com que Deus te afaga
a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza
e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra
e o próprio grão de areia, inundado de sol,
é mensagem de alegria a falar-te do chão.
Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça
tristeza entorpecente nos outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade
que aspiras, ergue os olhos para a face risonha da vida
que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.
Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho
e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse
renovar-se, diariamente, em festa de amor e luz.
Meimei
Olá amigos, sejam bem-vindos !!
Este é um espaço reservado para que possamos refletir um pouco sobre a espiritualidade. Estudem, comentem e estejam à vontade!
VISITAS:
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Não Desistas do Bem
Pelo Espírito de Scheilla
Seja qual for a dificuldade, persevera no Bem.
Fracasso é lição.
Dor é porta de acesso a esferas superiores.
Quem te agride não te conhece por dentro.
Os que te desprezam, desconhecem tua essência.
Pensa no Bem e esquece o mal.
Rompe as algemas que te atam ao pessimismo.
Mentaliza o progresso e abraça a tarefa nobilitante.
O tempo tudo encaminha e a tudo corrige.
Entra no clima da prece sincera, em cuja atmosfera ouvirás a voz do Mais Alto.
Segue para frente, confiando em Deus e em ti.
A felicidade do amanhã começa no pensamento que cultivares agora.
Abraça o ideal elevado, entregando-te ao Bem possível.
No final, a vitória será sempre do amor.
Seja qual for a dificuldade, persevera no Bem.
Fracasso é lição.
Dor é porta de acesso a esferas superiores.
Quem te agride não te conhece por dentro.
Os que te desprezam, desconhecem tua essência.
Pensa no Bem e esquece o mal.
Rompe as algemas que te atam ao pessimismo.
Mentaliza o progresso e abraça a tarefa nobilitante.
O tempo tudo encaminha e a tudo corrige.
Entra no clima da prece sincera, em cuja atmosfera ouvirás a voz do Mais Alto.
Segue para frente, confiando em Deus e em ti.
A felicidade do amanhã começa no pensamento que cultivares agora.
Abraça o ideal elevado, entregando-te ao Bem possível.
No final, a vitória será sempre do amor.
Os três mundos - Rudolf Steiner
Para evitar confusões, cabe distinguir cuidadosamente entre as coisas que encadeiam o homem ao mundo de tal maneira, que podem também ser equacionadas numa encarnação ulterior e aquilo que o vincula a uma determinada encarnação, isto é, à ultima. As primeiras são compensadas pela lei do destino, ou do karma; as ultimas, porém, só podem ser despojadas pela alma depois da morte.
Após a morte, segue-se para o espirito humano um periodo em que a alma vai se libertando de suas inclinações para a existencia no mundo físico, a fim de passar de novo a seguir exclusivamente as leis do mundo anímico e espiritual, e dar liberdade ao espirito.
É natural que esse periodo seja mais ou menos extenso na medida em que a alma tenha sido mais, ou menos, apegada ao mundo fisico. Será curta num homem que pouco se tenha apegado à vida física, e longa num outro cujos interesses tenham estado completamente vinculados a esta vida, permanecendo na alma por ocasião da morte muitos desejos, ânsias, etc. É mais fácil fazer-se uma idéia do estado em que a alma vive no periodo logo após à morte mediante a seguinte reflexão: Tomemos um exemplo crasso - os prazeres de um "gourmet". Seu gozo provém da excitação do paladar pelos acepipes. Esse gozo, naturalmente, nada tem de físico, é antes anímico. Na alma, vive o prazer e a ânsia de prazer. Mas para satisfazer às ânsias é preciso o órgão corpóreo correspondente do palato, etc. Ora, após a morte, a alma não perde logo semelhante apetite; só que, agora, não possui mais o órgão corpóreo, ou seja, o meio de satisfaze-lo. O homem se encontra então (verdade é que por uma razão diversa, cujos efeitos são,porem, semelhantes e também muito mais intensos) na mesma condição, de uma pessoa atormentada pela sede num deserto. Desse modo, sofre a alma agudamente pela falta dos prazeres, despojada que foi do corpo físico, único intermediário dos mesmos. Assim sucede com tudo quanto a alma deseja, e que só pode ser satisfeito mediante os órgãos corpóreos. Esse estado de "privação ardente" perdura por quanto tempo a alma leve para aprender a não mais ansiar pelo que só mediante órgãos corpóreos pode ser atendido. E o período passado nesse estado pode ser designado "região dos anseios" embora, é claro, não se trate de uma "localidade determinada.
Após a morte, segue-se para o espirito humano um periodo em que a alma vai se libertando de suas inclinações para a existencia no mundo físico, a fim de passar de novo a seguir exclusivamente as leis do mundo anímico e espiritual, e dar liberdade ao espirito.
É natural que esse periodo seja mais ou menos extenso na medida em que a alma tenha sido mais, ou menos, apegada ao mundo fisico. Será curta num homem que pouco se tenha apegado à vida física, e longa num outro cujos interesses tenham estado completamente vinculados a esta vida, permanecendo na alma por ocasião da morte muitos desejos, ânsias, etc. É mais fácil fazer-se uma idéia do estado em que a alma vive no periodo logo após à morte mediante a seguinte reflexão: Tomemos um exemplo crasso - os prazeres de um "gourmet". Seu gozo provém da excitação do paladar pelos acepipes. Esse gozo, naturalmente, nada tem de físico, é antes anímico. Na alma, vive o prazer e a ânsia de prazer. Mas para satisfazer às ânsias é preciso o órgão corpóreo correspondente do palato, etc. Ora, após a morte, a alma não perde logo semelhante apetite; só que, agora, não possui mais o órgão corpóreo, ou seja, o meio de satisfaze-lo. O homem se encontra então (verdade é que por uma razão diversa, cujos efeitos são,porem, semelhantes e também muito mais intensos) na mesma condição, de uma pessoa atormentada pela sede num deserto. Desse modo, sofre a alma agudamente pela falta dos prazeres, despojada que foi do corpo físico, único intermediário dos mesmos. Assim sucede com tudo quanto a alma deseja, e que só pode ser satisfeito mediante os órgãos corpóreos. Esse estado de "privação ardente" perdura por quanto tempo a alma leve para aprender a não mais ansiar pelo que só mediante órgãos corpóreos pode ser atendido. E o período passado nesse estado pode ser designado "região dos anseios" embora, é claro, não se trate de uma "localidade determinada.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Verdade Libertadora

Realizado o estudo do Evangelho no lar
de Josef Jackulack, na noite de 5 de
junho, em Viena, Áustria, o tema foi
Não ponhais a candeia debaixo do
alqueire, capítulo XXIV, de O
Evangelho Segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, após o qual a Mentora
espiritual escreveu a presente
mensagem.
A verdade sempre predomina.
O culto à mentira é dos mais danosos comportamentos a que o indivíduo se submete. Ilusão do ego, logo se dilui ante a linguagem espontânea dos fatos. Responsável por expressiva parte dos sofrimentos humanos, fomenta a calúnia que lhe é manifestação grave e destrutiva - a infâmia, a crueldade...
A maledicência é-lhe filha predileta, por expressar-lhe os conteúdos perturbadores, que a imaginação irrefreada e os sentimentos infelizes dão curso.
Além desses aspectos morais, a mentira não resiste ao transcurso do tempo. Sem alicerce que a sustente, altera a sua forma ante cada evento novo e de tal maneira se modifica, que se desvela. Por ser insustentável, quem se apóia na sua estrutura frágil padece insegurança contínua.
Porque é exata na sua forma de apresentar-se, a verdade é o inimigo normal da mentira. Enquanto a primeira esplende ao sol dos acontecimentos e exterioriza-se sem qualquer exagero, a segunda é maneirosa, prefere a sombra e comunica-se com sordidez. Uma é fruto da realidade; a outra, da fantasia, que não medita nas conseqüências de que se reveste.
A mentira teme o confronto com a verdade. Aloja-se nas sombras, espraia-se, às escondidas, e encontra, infelizmente, guarida.
A verdade jamais se camufla; surge com força e externa-se com dignidade. Não tem alteração íntima, permanecendo a mesma em todas as épocas. Ninguém consegue ocultá-la, porque, semelhante à luz, irradia-se naturalmente. Nem sempre é aceita, por convidar à responsabilidade. Amiga do discernimento, é a pedra angular da consciência de si mesmo, fator ético-moral da conduta saudável.
Enquanto a mentira viger, a acomodação, o crime afrontoso ou sob disfarce, o abuso do poder e a miséria de todo tipo predominarão na Terra exaltando os fracos, que assim se farão fortes, os covardes, que se tornarão estóicos, os astutos, que triunfarão em detrimento dos sábios, dos nobres e dos bons...
Face a tais logros, que propicia, não obstante efêmeros, os seus famanazes e cultuadores detestam e perseguem a verdade. Não medem esforços para impelir-lhe a propagação, por saberem dos resultados que advirão com o seu estabelecimento entre as criaturas.
São baldas, porém, tão insanas atitudes.
A verdade espera... Seus opositores enfermam, envelhecem e morrem, enquanto ela permanece.
A mentira é de breve existência. Predomina por um pouco, esfuma-se e passa...
(...) Jesus, em proposta admirável, afirmou: Busca a verdade e a verdade te libertará.
Ninguém tem o direito de ocultar a verdade, qual se fosse uma luz que devesse ficar escondida. Onde se encontre, irradia claridade e calor.
O seu conhecimento induz o portador a apresentá-la onde esteja, a divulgá-la sempre. Pelos benefícios que proporciona, estimula à participação, à solidariedade, difundindo-a. (...)
Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Sob a Proteção de Deus. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis
A IMITAÇÃO DE CRISTO
Do agradecimento pela graça de Deus
1.
Para que buscas repouso se nascestes para o trabalho? Dispõe-te
mais à paciência que à consolação, mais para levar a cruz que
para ter alegria. Quem dentre os mundanos não aceitaria de bom
gosto a consolação e a alegria espiritual, se a pudesse ter sempre
ao seu dispor? As consolações espirituais excedem todas as
delícias do mundo e todos os deleites da carne. Pois todas as
delícias do mundo ou são vãs ou torpes, e só as do espírito são
suaves e honestas, nascidas que são das virtudes e infundidas por
Deus nas almas puras. Mas ninguém pode lograr estas divinas
consolações à medida de seu desejo, porque não cessa por muito
tempo a guerra da tentação.
2.
Grande obstáculo às visitas celestiais é a falsa liberdade do
espírito e a demasiada confiança em si mesmo. Deus faz bem
dando-nos a graça da consolação; mas o homem faz mal não
retribuindo tudo a Deus, com ação de graças. E se não se nos
infundem os dons da graça, é porque somos ingratos ao Autor, não
atribuindo tudo à fonte original. Pois sempre Deus concede a graça
a quem dignamente se mostra agradecido e tira ao soberbo o que
costuma dar ao humilde.
3.
Não quero consolação que me tire a compunção, nem desejo
contemplação que me seduz ao desvanecimento; porque nem tudo
que é sublime é santo, nem tudo que é agradável é bom, nem todo
desejo é puro, nem tudo que nos deleita agrada a Deus. De boa
mente aceito a graça, que me faz humilde e timorato e me dispõe
melhor para renunciar a mim mesmo. O homem instruído pela
graça e experimentado com sua subtração não ousará atribuir-se
bem algum, antes reconhecerá sua pobreza e nudez. Dá a Deus o
que é de Deus, e atribui a ti o que é teu; isto é, dá graças a Deus
pela graça, e só a ti atribui a culpa e a pena que a culpa merece.
4.
Põe-te sempre no ínfimo lugar, e dar-te-ão o supremo, porque o
mais alto não existe sem o apoio do inferior. Os maiores santos
diante de Deus são os que se julgam menores, e quanto mais
glorioso, tanto mais humildes são no seu conceito. Como estão
cheios de verdade e glória celestial, não cobiçam a glória vã. Em
Deus fundados e firmados, nada os pode ensoberbecer. Atribuindo
a Deus todo o bem que receberam, não pretendem a glória uns
dos outros; só querem a glória que procede de Deus; seu único
fim, seu desejo constante é que ele seja louvado neles e em todos
os santos, acima de todas as coisas.
5.
Agradece, pois, os menores benefícios e maiores merecerás.
Considera como muito o pouco, e o menor dom por dádiva
singular. Se considerarmos a grandeza do benfeitor, não há dom
pequeno ou de pouco valor; porque não pode ser pequena a
dádiva que nos vem do soberano Senhor. Ainda quando nos der
penas e castigos, Lho devemos agradecer, porque sempre é para
nossa salvação quanto permite que nos suceda. Se desejares a
graça de Deus, sê agradecido quando a recebes e paciente
quando a perdes. Roga que ela volte, anda cauteloso e humilde,
para não vires a perdê-la.
CAPÍTULO 11
Quão poucos são os que amam a cruz de Jesus
1.
Muitos encontram Jesus agora apreciadores de seu reino celestial;
mas poucos que queiram levar a sua cruz. Tem muitos sequiosos
de consolação, mas poucos da tribulação; muitos companheiros à
sua mesa, mas poucos de sua abstinência. Todos querem gozar
com ele, poucos sofrer por ele alguma coisa. Muitos seguem a
Jesus até ao partir do pão, poucos até beber o cálice da paixão.
Muitos veneram seus milagres, mas poucos abraçam a ignomínia
da cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto não encontram
adversidades. Muitos O louvam e bendizem, enquanto recebem
d’Ele algumas consolações; se, porém, Jesus se oculta e por um
pouco os deixa, caem logo em queixumes e desânimo excessivo.
2.
Aqueles, porém, que amam a Jesus por Jesus mesmo e não por
própria satisfação, tanto O louvam nas tribulações e angústias,
como na maior consolação. E posto que nunca lhes fosse dada a
consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças.
3.
Oh! Quanto pode o amor puro de Jesus, sem mistura de interesse
ou amor-próprio! Não são porventura mercenários os que andam
sempre em busca de consolações? Não se amam mais a si do que
a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e
interesses? Onde se achará quem queira servir
desinteressadamente a Deus?
4.
É raro achar um homem tão espiritual que esteja desapegado de
tudo. Pois o verdadeiro pobre de espírito e desprendido de toda
criatura - quem o descobrirá? Tesouro precioso que é necessário
buscar nos confins do mundo (Prov 31,10). Se o homem der toda a
fortuna, não é nada. E se fizer grande penitência, ainda é pouco.
Compreenda embora todas as ciências, ainda estão muito longe. E
se tiver grande virtude de devoção ardente, muito ainda lhe falta, a
saber: uma coisa que lhe é sumamente necessária. Que coisa será
esta? Que, deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de
si, sem reservar amor-próprio algum, e, depois de feito tudo que
soube fazer, reconheça que nada fez.
5.
Não tenha em grande conta o pouco que nele possa ser avaliado
por grande: antes, confesse sinceramente que é um servo inútil,
como nos ensina a Verdade. Quando tiverdes cumprido tudo que
vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis (Lc 17,10). Então,
sim, o homem poderá chamar-se verdadeiramente pobre de
espírito e dizer com o profeta: Sou pobre e só neste mundo (Sl
24,16). Entretanto, ninguém é mais poderoso, ninguém mais livre
que aquele que sabe
deixar-se a si e a todas as coisas e colocar-se no último lugar.
1.
Para que buscas repouso se nascestes para o trabalho? Dispõe-te
mais à paciência que à consolação, mais para levar a cruz que
para ter alegria. Quem dentre os mundanos não aceitaria de bom
gosto a consolação e a alegria espiritual, se a pudesse ter sempre
ao seu dispor? As consolações espirituais excedem todas as
delícias do mundo e todos os deleites da carne. Pois todas as
delícias do mundo ou são vãs ou torpes, e só as do espírito são
suaves e honestas, nascidas que são das virtudes e infundidas por
Deus nas almas puras. Mas ninguém pode lograr estas divinas
consolações à medida de seu desejo, porque não cessa por muito
tempo a guerra da tentação.
2.
Grande obstáculo às visitas celestiais é a falsa liberdade do
espírito e a demasiada confiança em si mesmo. Deus faz bem
dando-nos a graça da consolação; mas o homem faz mal não
retribuindo tudo a Deus, com ação de graças. E se não se nos
infundem os dons da graça, é porque somos ingratos ao Autor, não
atribuindo tudo à fonte original. Pois sempre Deus concede a graça
a quem dignamente se mostra agradecido e tira ao soberbo o que
costuma dar ao humilde.
3.
Não quero consolação que me tire a compunção, nem desejo
contemplação que me seduz ao desvanecimento; porque nem tudo
que é sublime é santo, nem tudo que é agradável é bom, nem todo
desejo é puro, nem tudo que nos deleita agrada a Deus. De boa
mente aceito a graça, que me faz humilde e timorato e me dispõe
melhor para renunciar a mim mesmo. O homem instruído pela
graça e experimentado com sua subtração não ousará atribuir-se
bem algum, antes reconhecerá sua pobreza e nudez. Dá a Deus o
que é de Deus, e atribui a ti o que é teu; isto é, dá graças a Deus
pela graça, e só a ti atribui a culpa e a pena que a culpa merece.
4.
Põe-te sempre no ínfimo lugar, e dar-te-ão o supremo, porque o
mais alto não existe sem o apoio do inferior. Os maiores santos
diante de Deus são os que se julgam menores, e quanto mais
glorioso, tanto mais humildes são no seu conceito. Como estão
cheios de verdade e glória celestial, não cobiçam a glória vã. Em
Deus fundados e firmados, nada os pode ensoberbecer. Atribuindo
a Deus todo o bem que receberam, não pretendem a glória uns
dos outros; só querem a glória que procede de Deus; seu único
fim, seu desejo constante é que ele seja louvado neles e em todos
os santos, acima de todas as coisas.
5.
Agradece, pois, os menores benefícios e maiores merecerás.
Considera como muito o pouco, e o menor dom por dádiva
singular. Se considerarmos a grandeza do benfeitor, não há dom
pequeno ou de pouco valor; porque não pode ser pequena a
dádiva que nos vem do soberano Senhor. Ainda quando nos der
penas e castigos, Lho devemos agradecer, porque sempre é para
nossa salvação quanto permite que nos suceda. Se desejares a
graça de Deus, sê agradecido quando a recebes e paciente
quando a perdes. Roga que ela volte, anda cauteloso e humilde,
para não vires a perdê-la.
CAPÍTULO 11
Quão poucos são os que amam a cruz de Jesus
1.
Muitos encontram Jesus agora apreciadores de seu reino celestial;
mas poucos que queiram levar a sua cruz. Tem muitos sequiosos
de consolação, mas poucos da tribulação; muitos companheiros à
sua mesa, mas poucos de sua abstinência. Todos querem gozar
com ele, poucos sofrer por ele alguma coisa. Muitos seguem a
Jesus até ao partir do pão, poucos até beber o cálice da paixão.
Muitos veneram seus milagres, mas poucos abraçam a ignomínia
da cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto não encontram
adversidades. Muitos O louvam e bendizem, enquanto recebem
d’Ele algumas consolações; se, porém, Jesus se oculta e por um
pouco os deixa, caem logo em queixumes e desânimo excessivo.
2.
Aqueles, porém, que amam a Jesus por Jesus mesmo e não por
própria satisfação, tanto O louvam nas tribulações e angústias,
como na maior consolação. E posto que nunca lhes fosse dada a
consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças.
3.
Oh! Quanto pode o amor puro de Jesus, sem mistura de interesse
ou amor-próprio! Não são porventura mercenários os que andam
sempre em busca de consolações? Não se amam mais a si do que
a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e
interesses? Onde se achará quem queira servir
desinteressadamente a Deus?
4.
É raro achar um homem tão espiritual que esteja desapegado de
tudo. Pois o verdadeiro pobre de espírito e desprendido de toda
criatura - quem o descobrirá? Tesouro precioso que é necessário
buscar nos confins do mundo (Prov 31,10). Se o homem der toda a
fortuna, não é nada. E se fizer grande penitência, ainda é pouco.
Compreenda embora todas as ciências, ainda estão muito longe. E
se tiver grande virtude de devoção ardente, muito ainda lhe falta, a
saber: uma coisa que lhe é sumamente necessária. Que coisa será
esta? Que, deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de
si, sem reservar amor-próprio algum, e, depois de feito tudo que
soube fazer, reconheça que nada fez.
5.
Não tenha em grande conta o pouco que nele possa ser avaliado
por grande: antes, confesse sinceramente que é um servo inútil,
como nos ensina a Verdade. Quando tiverdes cumprido tudo que
vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis (Lc 17,10). Então,
sim, o homem poderá chamar-se verdadeiramente pobre de
espírito e dizer com o profeta: Sou pobre e só neste mundo (Sl
24,16). Entretanto, ninguém é mais poderoso, ninguém mais livre
que aquele que sabe
deixar-se a si e a todas as coisas e colocar-se no último lugar.
Vontade e energia

Necessitamos de muita energia, vitalidade e empenho para realizar uma transformação radical em nós mesmos. Se, nesse processo de autotransformação, estivermos também interessados na existência exterior, teremos de considerar o que podemos fazer pelo resto do mundo. Além disso, precisamos ver ainda, não só como conservar energia, mas também como aumentá-la. O fato é que desperdiçamos muita energia tagarelando, cultivando incontáveis opiniões sobre as coisas, convivendo com fórmulas e conceitos, e num infindável conflito interior. Creio que tudo isso significa desperdício de energia. Há, contudo, uma causa muito maior de desperdício da energia vital necessária não apenas a produzir uma mutação em nós, mas também a penetrar profundamente e ultrapassar as fronteiras do pensamento.
Os antigos diziam: refreie o sexo, controle os sentidos, faça juramentos para não dissipar energia: deve concentrar sua energia em Deus ou em qualquer coisa. Mas todas essas disciplinas também significam desperdício de energia, pois fazer juramento implica resistência. A energia é necessária não somente para uma mudança exterior, superficial, mas também para produzir uma profunda transformação ou revolução interior. Precisamos ter uma grande energia sem causa nem motivo para que haja total tranqüilidade, pois só ela pode provocar uma explosão. Vamos examinar isso tudo.
1
O que vemos é que os seres humanos desperdiçam energia – em disputas, ciúme, ansiedade, na interminável busca de prazer. É claro que isso é perda de energia. E não será também perda de energia manter opiniões e crenças sobre as coisas – o comportamento dos outros, o que os outros devem fazer etc.? Não será perda de energia ter fórmulas e conceitos? Dentro desta cultura somos encorajados a ter conceitos e viver de acordo com eles. Não é fato que possuem fórmulas e conceitos, isto é, imagens do que devem ser, do que deve ser feito – o pensamento a rejeitar “o que é” e a formular “o que deve ser”? Todo esse esforço significa desperdício de energia e espero que possamos partir daí.
Qual é a causa fundamental do desperdício de energia? Independente dos padrões culturais que adquirimos em relação ao desperdício de energia, há algo mais profundo: podemos viver no dia-a-dia sem qualquer espécie de resistência? Resistência é vontade. Sei que todos foram educados para empregar a vontade, controlar – viver segundo o “devemos, não devemos, temos de, não temos de”. A vontade, contudo, independe do fato. Vontade é afirmação pessoal, do “eu”, sem levar em conta “o que é”. Vontade é desejo; é a manifestação do desejo. Nessa afirmação de resistência do desejo, como vontade, que nenhuma relação tem com o fato, mas depende do desejo pessoal, do eu, vivemos superficial ou profundamente.
Sabendo o que é a vontade, pergunto: podemos viver neste mundo sema intervenção da vontade? A vontade é uma forma de resistência, divisão. É o “eu quero” contra alguma coisa que “eu não quero”, “eu devo” contra o “eu não devo”. A vontade, portanto, contra um muro de resistência, contra toda espécie de ação. Só entendemos a ação em conformidade com uma fórmula, um conceito, ou visando a um ideal e realizando-se de acordo com ele, com esse padrão. É a isso que chamamos ação e nela há conflito. No “deve ser” que estabelecemos como ideal e modelo de ação, há imitação; daí, o conflito entre o ato e o ideal uma vez que a ação não passa de uma aproximação, imitação, conformismo. Sinto que isso representa um total desperdício de energia e vou mostrar porque.
Espero que estejamos observando nossas próprias atividades, nossas próprias mentes para ver como aplicamos a vontade na ação. Repetindo o que já dissemos, a vontade independe do fato, do que é; depende é do eu, daquilo que ele deseja – não, do que é, mas do que ele quer. E o que ele deseja depende das circunstâncias, do meio, da cultura e assim por diante; está divorciado do fato. Por conseguinte, ocorre uma contradição, uma resistência ao que é e isso é desperdício de energia.
A ação ocorre agora – não, amanhã nem no passado. A ação está no presente. Poderá haver ação sem que haja idéias, fórmulas, conceitos – uma ação em que não ocorra qualquer resistência da vontade? Quando há vontade, há contradição, resistência, esforço, o que implica desperdício de energia. Portanto, quero verificar se existe um tipo de ação sem a intervenção da vontade como afirmação do eu que exerce resistência.
Como vêem, somos escravos da atual cultura, somos essa cultura e, para que exista uma nova espécie de ação, uma nova espécie de vida e, desse modo, uma nova cultura, (não, a contra-cultura, mas algo totalmente diferente), precisamos compreender todo esse problema da vontade. A vontade pertence à velha cultura que envolve ambição e desejo, auto-afirmação e agressividade do eu. Para que haja um modo de viver inteiramente diferente, precisamos compreender a questão básica: pode haver ação livre de fórmulas, conceitos, ideais ou crenças? A ação que se baseia no conhecimento, isto é, no passado e, portanto, condicionada, não é, de fato, ação. Sendo condicionada pelo passado e dependendo dele, só pode provocar discórdia e, desse modo, conflito. Por conseguinte, quero ver se é possível um tipo de ação livre de vontade e escolha.
Noutro dia, dissemos que onde há confusão há escolha. O homem que vê as coisas com clareza (não, neuroticamente nem com obstinação) não faz escolha. Significa isso que escolha, vontade e resistência, que é o eu em ação, implicam desperdício de energia. Pode haver ação livre de tudo isso de modo que a mente viva neste mundo, utilizando o conhecimento e, ao mesmo tempo, livre das limitações do conhecimento? O orador afirma que há um tipo de ação sem resistência, sem a interferência do passado e sem a presença do eu. Tal ação é instantânea porque não depende do tempo, isto é, do passado que, repleto de conhecimentos e experiências ainda hoje atuantes, gera o futuro. Há, portanto, uma ação instantânea e completa em que não entra a vontade. Para compreender isso, a mente deve aprender a observar, a ver. Se a mente vê as coisas em conformidade com uma fórmula que estabeleça o que se deve ser, ou o que devo ser, então a ação provêm do assado.
Assim, pergunto: haverá um tipo de ação sem motivo, que nasça no presente e que não produza contradição, ansiedade nem conflito? Como já disse, a mente treinada dentro de uma cultura que aceita a vontade e funciona e age de acordo com ela – essa mente, é claro, não conhece a ação de que estamos falando, uma vez que está condicionada. Por conseguinte, poderá a mente (nossa mente) perceber tal condicionamento, libertar-se dele e agir de modo diferente? Se minha mente está treinada pela educação a funcionar de acordo com a vontade, nesse caso talvez não possa compreender o que significa agir sem a vontade. Desse modo, meu empenho não é descobrir como agir sem a intervenção da vontade, mas descobrir se minha mente pode libertar-se do seu condicionamento, o condicionamento da vontade. É nisso que estou interessado e por isso percebo, quando olho para mim mesmo, que tudo que faço encerra um motivo secreto, provém da ansiedade, do medo, do desejo de prazer etc. Dessa forma, será que essa mente, pode ficar livre de tudo isso instantaneamente e agir de modo diferente?
Assim, a mente precisa aprender a olhar. Para mim, esse é o problema básico. Mas pode essa mente, produto do tempo, de culturas diversas e diversas experiências e conhecimentos, pode essa mente olhar com olhos descondicionados? Pode ela funcionar livre de seu condicionamento? Por conseguinte, preciso aprender a olhar para o meu condicionamento sem qualquer intenção de mudá-lo, transformá-lo ou transcendê-lo. Preciso ser capaz de olha-lo como ele é. Se quiser muda-lo, volto a agir pela vontade. Se quiser fugir dele, ainda estou resistindo a ele. Se aceito uma parte e rejeito a outra, isso ainda significa escolha. E escolha, como já frisamos, é confusão. Posso, portanto, pode esta mente olhar sem qualquer resistência, sem qualquer escolha? Posso olhar as montanhas, as arvores, meu vizinho, minha família, os políticos, os sacerdotes sem qualquer imagem? A imagem representa o passado. Por conseguinte, a mente tem de ser capaz de olhar. Quando olho o que é em mim mesmo e no mundo, sem resistência, então, graças a esta observação, ocorre uma ação imediata que não resulta da vontade. Entendem?
Desejo descobrir como viver e agir neste mundo e, não, entrar para um mosteiro ou fugir para algum nirvana descrito por um guru que promete: “Se fizer isso, conseguirá aquilo”. Mera tolice. Descartando tal coisa, quero descobrir como viver neste mundo sem criar resistências, sem a intervenção da vontade. Quero também descobrir o que é amor. Desse modo, condicionada que é a desejar prazer, gratificação, satisfação e, por isso mesmo, a resistir, minha mente percebe tudo o que o amor não é. O que é amor? Para descobrir o que é, temos de negar, eliminar completamente o que não é. Pela negação, chegamos ao positivo; não procurem o positivo; só podem ir a ele compreendendo o que não é. Assim, se quero descobrir o que é a verdade, sem saber o que ela é, devo ser capaz de ver o falso. Se não tiver a capacidade de perceber o falso, não posso ver o que é a verdade. Portanto, preciso descobrir o falso.
O que é falso? É tudo que o pensamento engendra – psicologicamente; não, tecnologicamente. Foi assim que o pensamento criou o eu, o ego, com suas memórias, agressividade, separatividade, ambição, competitividade, imitação, medo e recordações – tudo isso foi o pensamento que engendrou. E foi o pensamento também que criou inúmeros engenhos maravilhosos. Portanto, o pensamento, na condição de eu, que essencialmente não é nada, é falso. Quando a mente vê o falso, então, surge a verdade. Assim também, quando a mente indaga, em profundidade, o que é amor, sem dizer que é “isto” ou “aquilo”, mas simplesmente indaga, nesse caso ela pode ver o que não é e descartar, completamente, o falso, pois, do contrário, não descobriremos o real. Seremos capazes de fazer isso – dizer, por exemplo, “o amor não é ambição”? Uma mente ambiciosa, que deseja atingir algo, que deseja tornar-se poderosa, uma mente agressiva, competitiva, imitativa, uma mente assim talvez não compreenda o que é amor – percebemos isso, não?
ENSINOS ESPIRITUALISTAS

William Stainton Moses
Espiritualismo
SESSÃO VII
Um Espírito, cujos traços me eram familiares, foi fotografado. Tendo seu vestuário alguma coisa de anormal, perguntei qual a razão disso; responderam-me que as condições sob as quais se efetua a materialização parcial, necessárias à fotografia, diferiam das que convinham ao Espírito que se apresenta à vidência.
Seguiram-se algumas comunicações referentes à filosofia neoplatônica. A exposição da fase especial do ensinamento neoplatônico foi das mais minuciosas e inteiramente nova para mim. O sofisma ou a meditação extática, que experimenta por entusiasmo rejeitar tudo o que não é Deus e atingir a Verdade, por transfusão do Divino, foi exposto por extenso e ilustrado na pessoa de um dos seus professores. Aprendi assim muitas coisas cujo traço achei sobretudo nas lições do Espírito em questão, moderado e modificado pela experiência.
Depois disso, houve uma curta suspensão. Uma nova impostura produzida em uma reunião que eu freqüentava trouxe vivos debates. Fui obrigado a abster-me de tomar parte em outras reuniões durante o tempo que a nossa durasse; explicaram-me ser da mais alta importância:. evitar contacto com médiuns ou fortes influências magnéticas, quaisquer que fossem, porque eu me tornaria em elemento de perturbação, filiando-me a outros grupos - o que reagiria sobre o nosso. Alguns notáveis extratos de antigos poetas, sobretudo de Lydgate, foram então escritos por um Espírito que não fazia outra coisa e parecia deleitar-se com essa ocupação. O Espírito usava uma escrita muito especial.
Em uma sessão realizada a 13 de junho de 1873, foram apresentadas inúmeras perguntas sobre pontos de teologia, sendo pronunciado um longo discurso durante o qual o médium esteve em transe. Parte foi redigida, imediatamente, mas muitos pontos foram omitidos ou imperfeitamente recordados. No dia seguinte, sem ser interrogado, o mesmo Espírito, que tinha falado na véspera à noite, escreveu o seguinte:
Ontem à noite muitas coisas foram ditas à pressa, e por isso não se acham resumidas exatamente na ata transcrita naquela ocasião. Era de máxima importância que, sobre assunto tão capital, nos exprimíssemos com cuidado e que pudésseis compreender precisamente o que desejamos expor. Queremos pois estabelecer, de maneira mais nítida, o que apresentamos imperfeitamente na sessão. As condições de confronto não nos permitem sempre ser tão precisos, servindo-nos da palavra, como o somos comunicando pela escrita, e isso apesar da cuidadosa atenção que prestamos. O insulamento completo assegura as condições convenientes para ser preciso e exato.
Tratamos da divina missão que nos é conferida. No número das contínuas dificuldades que nos assaltam, uma das mais sérias é que aqueles cuja cooperação desejamos, porque são adaptáveis ao nosso assunto, são ordinariamente embaraçadas por noções teológicas preconcebidas ou se assustam com o que parece contradizer o que aprenderam. Então somos incapazes de os influenciar, e afligimo-nos vivamente por se atribuir o que deriva de Deus, a adversários, a um demônio todo-poderoso e malfazejo.
Entre todos os nossos contraditores, estes nos entristecem mais. O pseudo-sábio que só quer ver com o auxílio do seu próprio médium, mediante as suas condições particulares, que só quer tratar conosco para demonstrar que somos farsistas, mentirosos ou transmitimos as ficções de um cérebro desequilibrado; com este pouco nos importamos; seus olhos cegos não podem ver, sua inteligência obscurecida, embaraçada, contraída por longa vida sacrificada aos preconceitos, não pode absolutamente servir-nos. Ele pode, quando muito, penetrar com dificuldade os mistérios comuns das esferas; a base de conhecimento que poderia adquirir, ainda que útil e mesmo de valor, só insignificantíssimos serviços prestaria à nossa obra especial. Não procuramos além disso excitar a atenção de alguns homens de ciência, que se dignam ocupar-se com o aspecto fenomenal da nossa obra. O espírito, desde muito tempo habituado à observação dos fenômenos físicos, está mais bem preparado para elucidar esses fatos, que são do seu domínio. O nosso estudo é diferente e relaciona-se com a influência do espírito sobre o espírito com o conhecimento do que podemos revelar sobre o seu destino. A categoria dos espíritos ignorantes e incultos, ainda que possa mais tarde atingir ao nível em que nos encontraremos, não pode servir atualmente. Ela nada sabe do que temos a dizer e só o saberá depois de um período infinito de preparação preliminar. Igualmente temos pouco a dizer aos orgulhosos, àqueles que, em sua altiva confiança em si próprios, se presumem sábios, e aos escravos da rotina e da respeitabilidade; só uma evidencia inteiramente física pode atingi-los.
A história que estamos encarregados de publicar seria para eles uma fábula. E para as almas livres, que tem conhecimento de Deus, do céu, do amor e da caridade que nos voltamos com vivo empenho; elas desejam instruir-se e conhecer o porto ao qual aspiram. Mas, ah! achamos multas vezes os religiosos instintos naturais, implantados por Deus e nutridos pelo espírito, ocultos ou desfigurados pela restrita influência de uma teologia humana, que aumentou imperceptivelmente, durante os longos séculos de ignorância e loucura. Esses espíritos estão armados de todas as armas contra a verdade, que eles amam entretanto.
Falamos de uma revelação do Pai Celeste, mas eles tem já uma revelação que julgam ser completa. Assinalamos a sua inconsistência demonstrando-lhes que em parte alguma ela pretende a finalidade ou infalibilidade que lhe assinalam. Respondem-nos por palavras sem nexo, tiradas dos formulários de uma Igreja ou baseadas em uma opinião adquirida e adaptada de acordo com qualquer pessoa, que pretendem considerar infalivelmente inspirada. Aplicam-nos um testemunho, tirado de alguma narração sagrada, que foi dada em uma época especial, para um fim determinado, e que se persuadem ser de aplicação universal e contínua.
Se nos referimos às provas, aos pretensos milagres que atestam a realidade da nossa missão, como atestavam a missão daqueles que influenciamos no passado, respondem-nos que o tempo desses milagres não mais existe, que os inspirados do Espírito Santo tinham sido autorizados a produzi-los, somente nos séculos longínquos do passado, e dizem-nos que o diabo, por eles próprios inventado, tem o poder de contraverter a obra de Deus e de nos levar às trevas, afirmando estar a nossa missão em antagonismo declarado contra Deus e o Bem. Quereriam, na verdade, ajudar-nos, pois o que dizemos é provável, mas somos emissários do demônio. Devemos vir dele, porque está escrito na Bíblia que falsos e artificiosos Espíritos virão. Isso deve ser assim, pois um Santo Mestre não profetizou que haveria quem renegasse o Filho de Deus? Isso deve ser assim, pois não colocamos a razão humana acima da fé? Não mudamos o lugar onde Deus tinha colocado o Cristo e a sua missão? Não pregamos um Evangelho sedutor, no qual as boas ações aproveitam a quem as põe em prática? Tudo isso não é empreendido pelo Arquiinimigo transformado em anjo de lua, para enganar as almas e arrastá-las à ruína?
Esses argumentos, sinceramente expressos por aqueles cuja confiança quereríamos captar, causam-nos dolorosa angústia. Essas almas, que resistem por uma piedade mal compreendida, são amantes, ardentes, só lhes faltando a liberdade de espírito em vista do progresso real - tendência que os transformaria em luzes, brilhantes no meio da escuridão terrestre. Quereríamos confiar-lhes a nossa comunicação, pois o conhecimento que têm de Deus e do Dever é já um terreno sólido, mas, antes de estabelecer as nossas bases, devemos fazer desaparecer os escombros com que eles impedem de construir solidamente.
A Religião para ser digna de seu nome tem dois objetivos: Deus e o homem. Que pode objetar a isso a fé aceita, chamada ortodoxa pelos que a professam? Em que diferimos e como a nossa comunicação se concilia com a razão? Pois, antes de tudo, apelamos para a razão, que está implantada no homem. Recorremos a ela, pois foi em nome da razão que os sábios fixaram a lista dos escritos que continham, segundo eles, a revelação exclusiva e final de Deus. Eles apelaram para a razão a fim de sancionar a sua decisão; também nós apelamos para ela. Os nossos amigos acreditam que a direção divina prescreveu-lhes o que seria para todas as idades o conjunto da verdade revelada.
Somos também os mensageiros do Altíssimo, não menos enviados do que os Espíritos que guiaram os Videntes Hebreus e que ajudaram aqueles cujo fiat estabeleceu a palavra divina. A nossa comunicação é a mesma deles, somente mais adiantada; o nosso Deus é o seu Deus, somente mais claramente revelado, menos humano, mais divino. Que o apelo seja ou não de divina inspiração, a humana Razão, guiada, sem dúvida, por agentes espirituais, mas sendo sempre a Razão - alcançará compreender afinal. E os que rejeitam esse apelo estão, por suas próprias bocas, convencidos de loucura. A fé cega não pode substituir a esperança raciocinada; pois a fé é a fé quando repousa sobre bases sólidas e escolhidas, que a Razão confirma; do contrário, não pode impor-se a ninguém. Se não se apoiar absolutamente sobre coisa alguma, não temos precisão de demonstrar a sua nulidade e falsidade.
Voltemos pois à razão. Como pode ser racionalmente provado que vimos do diabo? Em que o nosso credo é perigoso? Sob que respeito podem acusar-nos de tendência infernal? São esses os pontos sobre os quais vos instruiremos.
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