sábado, 9 de janeiro de 2010

Sexo e Obsessão


Espíritos perturbados em si mesmos reencarnam-se anatematizados por desequilíbrios físicos e psíquicos que procedem das lembranças negativas e dos erros anteriormente praticados.

Espíritos inquietos reemboscam-se na indumentária fisiológica, açulados por falsas necessidades a que se atiraram impensadamente nas existências passadas.

Espíritos aturdidos recomeçam a experiência carnal sob o guante de paixões que devem superar e derrapam nas experiências comprometedoras em que mais se infelicitam.

Espíritos ansiosos vitalizam as ideias que os atormentam e estabelecem conexões enfermiças com outras mentes, engendrando dramas obsessivos de consequências lastimáveis.

Espíritos viciados se reacondicionam no corpo somático e se permitem acumpliciamento com outros seres reencarnados em ultrizes processos de vampirização recíproca, em que desarticulam os centros genésicos, passando a experimentar desditas inenarráveis.

Estatísticas eficientes realizadas do lado de cá informam que os processos infelizes da criminalidade e do desespero procedem invariavelmente do ódio. Merece, porém, examinar, que o ódio resulta das frustrações afetivas, das ansiedades incontidas, do egoísmo exacerbado, da maledicência sinistra, da ira frequente, das ambições desmedidas, dos amores alucinados que se conjugam em nefandos conciliábulos de imprevisíveis resultados.

Por isso, o amor é fundamental na vida de todos.

E por ser o sexo a fonte poderosa que faculta a perpetuação da espécie, entre os homens, invariavelmente vai confundindo nos delineamentos afetivos, como fator essencial para a comunhão, senão o único meio de exteriorização do amor.

Diariamente, milhões de criaturas mal informadas ou desavisadas, fascinadas pelas ilusões do prazer, arrojam-se a despenhadeiros da loucura, por frustrações e desassossegos sexuais. Sublime campo de experiências superiores normalmente se converte em paul sombrio de miasmas asfixiantes e tóxicos nefastos.

Através dele, todavia, o espírito que recomeça a caminhada na Terra encontra o regaço materno, as mãos vigorosas da paternidade, os braços fraternos transformados em asas de socorro, o ósculo da amizade pura e a certeza do reequilíbrio na oportunidade nova, como porta abençoada para a própria redenção.

Não o esqueças propositadamente nos cometimentos humanos em que te encontras. Não o espicaces levianamente, buscando as expressões da sua violência. Sublima-o pela continência, mediante a correção do comportamento, através da disciplina mental.

Não esperes a senectude para que te apresentes sereno.

Muitas pessoas idosas expressam amarguras, que decorrem de frustrações coercitivas a que se viram impelidas; outras se caracterizam conduzindo excessivas doses de pudor, após a travessia lamentável pelos perigosos rios do uso desequilibrado, de que se arrependem dolorosamente, descambando para a aversão sistemática; diversas fingem ignorá-lo, após perderem as exigências naturais pelo cansaço e disfunção que a velhice impõe...

Muitos males que não podem ser catalogados facilmente decorrem de íntimas inquietações nos departamentos do sexo atribulado, desde os dias da juventude...

Em razão disso, ama, quanto te permitam as forças.

Não esperes, porém, que o ser amado seja compelido a responder-te às aspirações.

Provavelmente esse espírito está vinculado a outro espírito e chegaste tarde, não te sendo facultado desatrelá-lo das ligações a que se permitiu prender espontaneamente.

Se chegas antes, não o atormentes com exigências, porque é possível que o compromisso dele esteja à frente. Se te aproximas tardiamente e desfazes os laços que já mantém, não fruirás a felicidade, e se impedes que marche na direção das tarefas para as quais reencarnou sofrerás, mais tarde, o travo da desilusão, quando passe o infrene desejo imediato...

Entrega o teu amor à vida e envolve-o nas vibrações da ternura que felicita e dulcifica aquele que ama, quanto o que é amado.

Se, todavia, não possuíres fôrças para o cometimento, não te permitas a conjectura de sonhos escravocratas. Antes, ora e roga o socorro do Alto, para que os anjos guardiães vigilantes te distendam mãos compassivas e bálsamo tranquilizador.

O teu íntimo amor resplandecerá um dia, após a superação do tormento sexual, em paisagem de festa em que o teu espírito cantará a música da liberdade e da paz.

*

Há mentes ociosas, na Erraticidade, atormentadas e sedentas, vitimadas por paixões que ainda não se aplacaram, que estão realizando incessante comércio obsessivo com os que se permitem, na Terra, as alucinações sexuais e os desavisos afetivos. Em conúbios terríveis atiram-se com virulência, explorando os centros genésicos dos encarnados e esfacelando neles a esperança e a alegria de viverem.

Sutilmente instilam os pensamentos depressivos ou açulam falsas necessidades, absorvendo por processos mui complexos as expressões do prazer fugidiço e instalando as matrizes de desequilíbrios irreversíveis. Vigia a mente e controla o sexo.

Quando pensamentos inusitados te sombrearem os painéis mentais com ideias infelizes; quando afetos dúlcidos se transformarem nos recessos do teu coração em fornalha de desejos; quando a ternura com que envolves os a quem estimas ou amas se te apresentar ardente ou angustiante; quando passares a sofrer dolorosas constrições na organização genésica tem cuidado!

Certamente estarás sendo obsidiado por outros Espíritos, encarnados de mente vigorosa ou desencarnados infelizes, em trama contínua para te arrojarem nos despenhadeiros da alucinação. Levanta o pensamento a Jesus e a Ele te entrega em regime de total doação, certo de que o Vencedor de todos os embates te ajudará a sair da constrição cruel, encaminhando-te na direção da harmonia. Para tanto, ora e trabalha pelo bem comum, e o bem de todos te oferecerá o lenitivo e a fôrça para a libertação a que aspiras.

*

"Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias". Mateus: capítulo 15º, versículo 19.

*

"Ide, portanto, meus filhos bem-amados, caminha sem tergiversações, sem pensamentos ocultos, na rota bendita que tomastes. Ide, ide sempre, sem temor: afastai cuidadosamente tudo o que vos possa entravar a marcha para o objetivo eterno". Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 21º - Item 8, parágrafo 5.


Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Florações Evangélicas. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 56. Salvador, BA: LEAL.

domingo, 3 de janeiro de 2010

AS FORÇAS DO AMANHÃ



Redação do Momento Espírita
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1162&let=F&stat=0

Ninguém vive só.

Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.

Nossos atos possuem linguagem positiva.

Nossas palavras influenciam à distância.

Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.

Ações e reações caracterizam-nos a marcha.

Assim, é necessário saber que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.

Nossa conduta é um livro aberto que denuncia nossa condição interior.

Muitos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções.

Quantas frases, aparentemente inexpressivas, que saem da nossa boca e estabelecem grandes acontecimentos.

A cada dia emitimos sugestões para o bem ou para o mal.

Dirigentes arrastam dirigidos.

Administrados inspiram administradores.

Qual caminho nossa atitude está indicando?

Um pouco de fermento leveda toda a massa.

Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial. Cuidado, pois, com o alimento invisível que você fornece às vidas que o rodeiam.

Em momentos de indignação, uma palavra mal colocada pode ser o estopim para induzir o próximo ao cometimento de desatinos de conseqüências irreversíveis.

Um comentário maldoso talvez se multiplique ao infinito, causando na vida alheia dores e humilhações intensas.

O pai que não cumpre os compromissos assumidos com os filhos pode suscitar nestes a idéia de que não é importante manter a palavra dada.

Esse exemplo negativo pode multiplicar-se por gerações.

O chefe que não assume a responsabilidade pela orientação que dá aos subordinados instala a desconfiança em sua equipe.

Em momentos de crise, a ausência de coesão no ambiente de trabalho pode levar uma empresa à falência, em prejuízo de toda a coletividade.

Por outro lado, comentar as virtudes de alguém que cometeu um pequeno deslize talvez faça cessar a maledicência.

Em momentos de distúrbio, quem consegue manter o equilíbrio e a paz, exteriorizando isso mediante atos e palavras, faz murchar a insânia dos demais.

Não raro tal conduta provoca um generalizado constrangimento, pela imediata e coletiva percepção do equívoco em que se incidia.

Não há nada como a grandeza alheia para fazer o homem perceber sua própria pequenez.

Defender corajosamente os mais fracos quiçá tenha o condão de motivar outras pessoas a também protegerem os desvalidos.

Manter-se honesto e íntegro, mesmo em face das maiores tentações, talvez seduza outros para a causa do bem.

A visão da generosidade em franca atividade é um grande consolo, em um mundo onde o egoísmo grassa.

Por se afigurar admirável a prática de virtudes, há tendência de alguém genuinamente virtuoso ser admirado e imitado.

Nosso destino se desdobra em correntes de fluxo e refluxo.

As forças que exteriorizamos hoje, potencializadas pelos atos que inspiramos, voltarão a nossa vida amanhã.

Desse modo, nunca é demais prestar atenção no testemunho que damos.

Será nossa presença um fator de equilíbrio no mundo?

Por força da lei de causa e efeito, que opera no universo, recebemos o que damos.

Se desejamos paz, compreensão e conforto, devemos oferecê-los ao próximo, por meio de nossos sentimentos, atos e palavras.

Pensemos nisso.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo XIII do livro Segue-me!..., do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

http://casa.momento.com.br/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CAMINHO DA AUTOILUMINAÇÃO



O homem atinge um alto nível de evolução quando consegue unir o sentimento e o conhecimento, utilizando-os com sabedoria. Nesse estágio é-lhe mais fácil desenvolver a paranormalidade, realizando o autodescobrimento e canalizando as energias anímicas e mediúnicas para o serviço de consolidação do bem em si mesmo e na sociedade.
O seu amadurecimento psicológico permite-lhe compreender toda a magnitude das faculdades parapsíquicas, superando os impedimentos que habitualmente se lhe antepões à educação.
Desse modo, a mediunidade põe-no em contacto com o mundo espiritual de onde procede a vida e para a qual retorna, quando cessado o seu ciclo material, ensejando-lhe penetrar realidades que se demoram ignoradas, incursionando com destreza além das vibrações densas do corpo carnal.
O exercício das faculdades mediúnicas, no entanto, se reveste de critérios e cuidados, que somente quando levados em conta propiciam os resultados pelos quais se anelam.
A mediunidade é inerente a todos os indivíduos em graus de diferente intensidade. Como as demais, é uma faculdade amoral, manifestando- se em bons e maus, nobres e delinquentes, pobres e ricos.
Pode expressar-se com alta potencialidade de recursos em pessoas inescrupulosas, e quase passar despercebida em outras, portadoras de elevadas virtudes.
Surge em criaturas ignorantes, enquanto não é registada nas dotadas de cultura. É património da vida para crescimento do ser no rumo da sua destinação espiritual. O uso que se lhe dê, responderá por acontecimentos correspondentes no futuro do seu possuidor.
Uma correcta educação da mediunidade tem início no estudo das suas potencialidades: causas, aplicações e objectivos. Adquirida a consciência mediúnica, o exercício sistemático, sem pressa, contribui para o equilíbrio das suas manifestações.
Uma conduta saudável calcada nos princípios evangélicos atrai os Bons Espíritos, que passam a cooperar em favor do medianeiro e da tarefa que ele abraça, objectivando os melhores resultados possíveis do empreendimento.
O direcionamento das forças mediúnicas para fins elevados propicia qualificação superior, resultando em investimento de sabor eterno.
Se te sentes portador de mediunidade, encara-a com sincero equilíbrio e dispõe-te a aplicá-la bem.
O homem ditoso do futuro será um indivíduo PSI, um sensível e consciente instrumento dos Espíritos, ele próprio lúcido e responsável pelos acontecimentos da sua existência.
Desveste-te de quaisquer fantasias em torno dos fenômenos de que és objecto e encara-os com realismo, dispondo-te a sua plena utilização.
Amadurece reflexões em torno deles e resguarda-os das frivolidades, exibicionismos vãos, comercialização vil, recurso para a exaltação da personalidade ou das paixões inferiores.
Sê paciente com os resultados e perseverante nas realizações. Toda sementeira responde à medida que o tempo passa.
A educação da mediunidade requer tempo, experiência, ductibilidade do indivíduo, como sucede com as demais faculdades e tendências culturais, artísticas e mentais que exornam o homem.
Quem seja portador de cultura, de bondade e sinta a presença dos fenômenos paranormais, está a um passo da realização integral, a caminho próximo da auto-iluminação.
* * *
Divaldo Pereira Franco
Livro: Momentos de Iluminação
Espírito: Joanna de Ângelis

domingo, 20 de dezembro de 2009

Vencerás


Vencerás
Não desanimes.

Persiste mais um tanto.

Não cultives pessimismo.

Centraliza-te no bem a fazer.

Esquece as sugestões do medo destrutivo.

Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.

Avança ainda que seja por entre lágrimas.

Trabalha constantemente.

Edifica sempre.

Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.

Não te impressiones nas dificuldades.

Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia.

Não desistas da paciência.

Não creias em realizações sem esforço.

Silêncio para a injúria

Olvido para o mal.

Perdão às ofensas.

Recorda que os agressores são doentes.

Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.

Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.

Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.

Não contes vantagens nem fracassos.

Não dramatizes provações ou problemas.

Conserva o hábito da oração para quem se te faz a luz na vida intima.

Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.

Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.

Age auxiliando.

Serve sem apego.

E assim vencerás.

* * *

Emmanuel

(mensagem psicografada pelo médium Francisco Candido Xavier - do livro "Astronautas do além" - edição GEEM)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Esforço Pessoal



As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos.
Estas realizações, no entanto, têm início nele próprio.
*
E possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te interiormente para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.
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Certamente, não lograrás solucionar o problema da fome na Terra. Não obstante, poderás atender a algum esfaimado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.
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Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões de recursos para que a onda de acidentes morais não dizime vidas preciosas ao teu lado.

De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, inermes, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem e da esperança.
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Diante das ameaças de guerra, das lutas e do terrorismo existentes que matam e mutilam milhões de homens, te sentes sem recursos para fazê-los cessar, mudando-lhes o rumo para a paz. Entretanto, a tua conduta pacífica e os teus esforços de amor serão instrumentos para gerar alegria e tranqüilidade onde estejas e entre aqueles com os quais compartes as tuas horas.
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A violência urbana e a criminalidade reinantes não serão detidas ao preço dos teus mais sinceros desejos e tentativas honestas. Sem embargo, a tarefa de educação que desempenhes, modesta que seja, influenciará alguém em desalinho, evitando-lhe a queda no abismo da agressividade.
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As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que aparvalham a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Muito embora, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba. oferecendo-lhe reajuste e renovação.
Naturalmente, o teu empenho máximo não alterará o rumo das Leis de gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do Sol de Primeira Grandeza que é Jesus.
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Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são factíveis de solução.
A inundação resulta da gota de água.
A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se desarticulam.
A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.
Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo melhorar-se-á.
A sociedade, qual ocorre com o indivíduo. é o resultado de si mesma.
Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.
E, partindo do teu empenho pessoal, para ser mais feliz, ampliando a área de bem-estar para outros, o mundo se fará mais ditoso e o mal baterá em retirada.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Coragem.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1988.

sábado, 21 de novembro de 2009

DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO




Rino Curti, no livro Desenvolvimento Mediúnico da Escola de Educação Mediunica, Tomo 2, Vol. 2, Curso Complementar - 2° Semestre Edições FEESP - 1ª edição - 1982.

1 - CRESCIMENTO ESPIRITUAL

O comportamento humano depende da fixação da mente nas zonas do subconsciente, consciente e superconsciente. E que o desenvolvimento harmônico do indivíduo se efetua quando, conhecendo-se a si próprio, avaliando a própria personalidade e as tendências, na zona do subconsciente, se fixa objetivos altos, pela elevação dos pensamentos, pelo estudo, a meditação, a reflexão, a oração, enfim pela fixação da mente no próprio superconsciente, e transforma em conquistas, pela ação, as metas colimadas, automatizando-as no comportamento.

A conquista assim se efetua: na intimidade elegemos os interesses que nos despertam a emotividade e que se transformam em desejos pelos quais se manifestam as nossas tendências (Rino Curti: Espiritismo e Evolução, Cap. 4). Pela vontade frenamos a impulsividade que elas despertam e, no interregno, damos margem … reflexão, que põe em jogo todas as faculdades de espírito: a intuição, a reflexão, a associação de idéias... com o que elaboramos as concepções sobre as quais assentamos a ação. A seguir, pela vontade agimos e provocamos efeitos, influências, em nosso derredor, que avaliamos.

Como no aprendizado para guiar um carro. Mentalizamos uma ação, a efetuamos e obtemos um resultado. Se não adequado, estimamos o erro e repetimos o processo; efetuamos nova ação, que sempre avaliamos, assim procedendo, até que o nosso proceder se torne o desejado, o que convém à nossa adaptação, às novas circunstâncias. Na figura damos a imagem de como o processo tende ao que se pretende.

Uma vez a meta alcançada, nosso ser automatiza o comportamento, Rino Curti: Espiritismo e Evolução, Cap. 4); está efetuada a conquista, e fica a mente liberada para a realização de outra.

E assim que, revelando as tendências, nos tornamos comerciantes, industriários, artesões, artistas, profissionais, cientistas, filósofos, sacerdotes etc... Acrisolando nossas faculdades no esforço, na disciplina, no aprendizado, na adaptação prolongada até alcançarmos o que nos propomos, é que crescemos, progredimos espiritualmente.
2 - PREPARAÇÃO PARA O TRABALHO MEDIÚNICO

É notório que a preocupação constante com o sexo, a bebida ingerida com freqüência, o excesso de alimentação, de comodidades, enfraquecem-nos para o trabalho, para as atividades físicas e mentais. Um almoço lauto, regado a bebidas alcoólicas, num dia de trabalho quase nos inutiliza para a tarde. A bebida diária embota a mente. Os prazeres continuados aniquilam as energias, produzindo cansaço e fastio, qualquer que seja nosso mister, nossa profissão. Um cirurgião fica com as mãos a tremer um compositor rompe a ligação com a musa, o estudioso é vencido pela sonolência.

O médium não é diferente dos outros. Ele possui uma sensibilidade mais aguçada em determinado campo de percepções, que não são obtidas através dos sentidos.

Para que possamos entender melhor o assunto, estudemos o que conta André Luiz em (Missionário da Luz, Cap 1 e 2). Ele narra de uma reunião mediúnica em que o número maior de pessoas presentes era constituído de desencarnados: muitos sofredores.

O trabalho era disciplinado e a entrada controlada.

Os desencarnados permaneciam em "concentração do pensamento, elevado a objetivos altos e puros". Isto é, a mente fixada ou atuando no superconsciente.

“Cada qual emitia raios luminosos... (que) estabeleciam uma corrente de força ... (corrente esta) que despejava elementos vitais . . . benéficos para os infelizes...”

Havia "...seis comunicantes prováveis... mas apenas um médium em condições de atender... (este) somente receberá o que se relaciona com o interesse coletivo...”.

"...Nos serviços mediúnicos preponderam os fatores morais o médium necessita clareza e serenidade, como o espelho cristalino de um lago... as ondas de inquietude perturbariam a projeção de nossa espiritualidade sobre a materialidade terrena.”

O médium não é um simples aparelho. Tem livre-arbítrio. Para o intercâmbio deve entregar-se voluntariamente, com o espírito de renúncia “...abnegação e humildade...”.

“...calar para que outros falem; dar de si próprio, para que outros recebam..." sem o que "...não poderia atender aos propósitos edificantes." Assim como o artista que, para tocar, deve dobrar o próprio físico de modo a poder conduzi-lo para esse fim.

Certamente que "...é responsável pela manutenção dos recursos interiores: a tolerância, a humildade, a disposição fraterna, a paciência, o amor cristão...”, assim como o jogador de xadrez precisa manter a concentração, a habilidade de arquitetar jogadas, a persistência, a paciência. Apenas, no relacionamento com o plano espiritual, o médium recebe cooperação mais intensa dos espíritos, para sustentar-se.

O caso em questão era a psicografia. “A transmissão da mensagem não será simplesmente tomar a mão. Há processos intrincados, complexos.”

Examinando o corpo do intermediário verificou principalmente a iluminação das glândulas, do sistema nervoso pelo qual circulavam "...energias recônditas e imponderáveis..." e "...a epífise emitia raios azulados e intensos."

Da mesma maneira que para transmitir mensagem pelo rádio demanda toda uma organização e trabalhos especializados, analogamente - “Transmitir mensagens de uma esfera para outra, no serviço de edificação humana... demanda esforço, boa vontade, cooperação e propósito consistente... o serviço não é automático...”

Primeiro, o intermediário: necessita de preparação espiritual incessante. Segundo, a atividade do plano espiritual, cuja "cooperação magnética é fundamental."

No intermediário, o papel da epífise: "através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares..." à esfera extrafísica.

“...na epífise ...reside o sentido novo dos homens... (que) ...na grande maioria... dorme embrionário."

No plano espiritual as providências antecipadas: “...antes da reunião, o servidor ‚ objeto de... atenção... para que os pensamentos grosseiros não lhe pesem no íntimo."

No caso, o servidor foi ambientado, assistido, fortalecido no sistema nervoso para o não comprometimento da saúde, com providências para atender o dispêndio de reservas nervosas.

Após a preparação, uma entidade foi autorizada a comunicar-se, com a recomendação de evitar particularismos pessoais. Postando-se ao lado do médium as irradiações mentais de ambos se entrelaçaram. O orientador, atuando sobre os lobos frontais do médium ultimou a condição adequada e a psicografia pôde iniciar.
3 - A EPÍFISE OU GLÂNDULA PINEAL

Enquanto isso, André Luiz passou a observar melhor o médium, cuja epífise começou a apresentar luz crescente.

"A glândula minúscula transformara-se em núcleo radiante... Sobre o núcleo... caiam luzes suaves, de mais Alto, reconhecendo eu que ali se encontravam em jogo vibrações delicadíssimas."

Surpreendera-se André Luiz porque, como médico na Terra, a epífise deveria ter atribuições circunscritas ao controle sexual, no período infantil. Após isto, seria sucedida pelas glândulas genitais.

Aliás, só há pouco tempo sabe-se da importância do cérebro; e o que dele se conhece, hoje (Rino Curti no livro Dor e Destino, Cap. III), ainda é muito pouco.

Pela literatura cientifica reconhece-se que a glândula pineal, corpo pineal ou epífise é "um órgão cônico... de 8 por 5 mm... localiza-se... acima do teto do diencéfalo...”.

“...Apesar da grande quantidade de literatura... seu papel como órgão endócrino‚ ainda controvertido... agiria sobre algumas funções hormonais...

Estudos mais recentes... sugerem que a pineal não é uma glândula no sentido tradicional, mas... converte um impulso neural em descarga hormonal." (Junqueira e Carneiro: Histologia Básica, Cap. 20).

Um estudo situando o conhecimento atual sobre a pineal foi apresentado, em (Marlene R. S. Nobre: Folha Espírita, Julho de 1981),

Alexandre, (André Luiz: Missionários da Luz, Cap. 20), esclarece a André Luiz que a epífise "... é a glândula da vida mental... acorda na puberdade as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar, como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre."

Apenas, ainda não é bem conhecida nos meios terrenos.

“...no período do desenvolvimento infantil... parece constituir o freio às manifestações do sexo...

Aos catorze anos... recomeça a funcionar no homem reencarnado... é fonte criadora e válvula de escapamento... reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos."

E reexaminar, não é ver o desenrolar-se de um filme, mas é viver novamente as emoções e impulsos associados ao conteúdo, acarretando manifestações de comportamento. Daí a importância da educação e da responsabilidade do meio familiar. Se nesses momentos a criatura não tiver reconstruído valores, se fortalecido para a renovação dos embates, na orientação e no exemplo dos pais, falirá.

Como em tudo vemos, no homem, sempre a recapitulação de suas fases anteriores. Ao reencarnar, recapitula a evolução das espécies; na infância, desde o nascimento, a vida mental das primitivas reencarnações até à atual; a partir dos catorze, as experiências adultas em relação à sexualidade. E esta é uma observação da mais alta importância quando se queira examinar a problemática sexual da juventude, que não pode ser caracterizada apenas em termos de virtude ou pecado, mas requer o concurso da compreensão profunda acerca do subconsciente, em que o psicólogo, o psiquiatra, o neurologista, têm um imenso território a desvendar.

A epífise “preside aos fenômenos nervosos da emotividade... Desata os laços... que ligam as existências umas as outras...”, isto é, afrouxa o determinismo das conseqüências que os automatismos sustentam na nossa personalidade “...e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras...”. Controla “as glândulas genitais... demasiadamente mecânicas”. É manancial de forças magnéticas de “unidades de força...” que poderíamos chamar de “hormônios psíquicos...”. Por segregar energias psíquicas como canal direto de comunicação entre o corpo espiritual e o físico, “...conserva ascendência em todo o sistema endocrínico...”, o sistema químico de controle, (Rino Curti: Dor e Destino, cap. V). “Ligada à mente... comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade”.

Já dissemos que, submetidos aos estímulos, se nos manifesta a impulsividade que, pela vontade, é frenada para dar margem à reflexão. Digamos que as ordens da vontade se transmitem através delas.

Pelas redes nervosas comanda “...os suprimentos de energias psíquicas a todos os armazéns autônomo dos órgãos... suas atribuições são extensas e fundamentais. Na qualidade de controladora do mundo emotivo, sua posição na experiência sexual é básica e absoluta. Entretanto a viciamos, agora ou no pretérito, pela veiculação de forças aviltadas nos desregramentos emocionais, a serviço do prazer inferior, que nos atrela a recapitular experiências lamentáveis e a resgatar compromissos. Em lugar de podermos expandir nossas faculdades criadoras, para a obtenção de aquisições abençoadas e puras permanecemos atrelados a “dolorosos fenômenos de hereditariedade fisiológica” destinados a restabelecer o reajuste de nossa personalidade. E uma vez viciada, mesmo que a mente busque a elevação, se apresenta como um órgão doente, incapaz de responder de imediato ao comando de uma influenciação mais nobre. Canais de controle, de comunicação, de comando, se empobrecidos, seja do corpo físico, exigem um tempo de reabilitação, por vezes, demorado e penoso.”

Esta é uma das razões pelas quais não nos libertamos dos vícios e maus hábitos tão facilmente. É significativa a imagem dada pelo Irmão X: pagamos a varejo o que compramos por atacado. E no capítulo de nossas experiências anteriores, recomeçamos a edificar a partir do ponto em que ficamos: triste ou venturoso. Daí a importância, novamente da educação bem conduzida e a enorme responsabilidade dos pais.

“A perversão do nosso plano mental consciente...” responsável por nossas ações infelizes, “...determina a perversão de nosso psiquismo inconsciente, encarregado da execução dos desejos e ordenações mais íntimas, na esfera das operações automáticas...” porque redesperta ou sustenta forças íntimas de caráter pervertido, responsáveis por novas quedas e reincidências no monodeísmo.

“A vontade desequilibrada desregula o foco de nossas possibilidades criadoras...”, porque em vez de frenar impulsos para submetê-los à burilada do discernimento, visando a sublimação perseguida pelo superconsciente, os deixa prosseguir para uma manifestação incontrolada.

“Daí procede a necessidade de regras morais para quem, de fato, se interesse pelas aquisições eternas nos domínios do Espírito. Renúncia, abnegação, continência sexual e disciplina emotiva não representam meros preceitos de feições religiosas. São providências de teor científico, para enriquecimento efetivo da personalidade... Centros vitais desequilibrados obrigarão a alma à permanência nas situações de desequilíbrio...

...pela primeira vez, ouvia comentários sobre consciência, virtude e santificação, dentro de conceitos estritamente lógicos e científicos no campo da razão”.

A epífise é um órgão que, sob o comando da mente, produz “unidades-força” ou substâncias, portadoras de potenciais eletroquímicos, benéficas, se aproveitadas para “o serviço de iluminação, refinamento e benefício da personalidade”; tóxicas, se retida nos “desvarios de natureza animal, qual imã relaxado entre as sensações inferiores de natureza animal.”

Na mediunidade, desde que as forças estejam equilibradas “intensifica o poder de emissão e recepção de raios” da esfera dos encarnados. Daí ser “indispensável cuidar atentamente da economia de forças, em todo o serviço honesto de desenvolvimento das faculdades superiores.” Como ela produz forças que não podem ser acumuladas, alguns fomentam a prática do esporte, como meio valioso para a preservação dos valores orgânicos, da saúde. Mas trata-se de medida incompleta e defeituosa pois, às vezes, é providência para expansão de paixões menos dignas.

Poucos entendem “a necessidade de preservação das energias psíquicas para o engrandecimento do Espírito eterno... esquecidos de que Jesus ensinou a virtude como esporte da alma...”. Daí o valor da renúncia, pois ela se assenta na lei da elevação pelo sacrifício...”.

A sangria estimula a produção de células vitais, na medula óssea; a poda oferece beleza, novidade e abundância nas árvores. O homem que pratica verdadeiramente o bem, vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade, da alegria. Não é fazer teoria de esperança. “É princípio científico, sem cuja aplicação, na esfera comum, não se liberta a alma...”

Compreendia André Luiz a influenciação da epífise “no sexo... e a longa tragédia sexual da Humanidade... o porque dos dramas... as aflições... as ansiedades... o cipoal do sofrimento...

...E o homem... sempre inclinado a contrair novos débitos, mas dificilmente decidido a retificar ou pagar.”

Não que não se deva atender aos reclamos naturais do corpo, em particular do sexo; mas “distinguir entre harmonia e desequilíbrio, evitando o estacionamento em desfiladeiros fatais.”



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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O INSTANTE DIVINO




Não deixes passar, despercebido, o teu divino instante de ajudar.
Surge, várias vezes nos sessenta minutos de cada hora, concitando-te ao enriquecimento de ti mesmo.
Repara, vigilante.
Aqui, é o amigo que espera por uma frase de consolo. Ali, é alguém que te roga insignificante favor.
Além, é um companheiro exausto no terreno árido das provas, na expectativa de um gesto de solidariedade.
Acolá, é um coração dorido que te pede algumas páginas de esperança. Mais além, é um velhinho que sofre e a quem um simples sorriso teu pode reanimar.
Agora, é um livro edificante que podes emprestar ao irmão de luta.
Depois, é o auxílio eficiente com que será possível o socorro ao próximo necessitado.
Não te faças desatento.
Não longe de tua mesa, há quem suspire por um caldo reconfortante.
E, enquanto te cobres, feliz, há quem padeça frio e nudez, em aflitiva expectação.
As horas voam.
Não te detenhas.
Num simples momento, é possível fazer muito.
Ao teu lado, a multidão das necessidades alheias espera por teu braço, por tua palavra, por tua compreensão...
Vale-te, pois, do instante que foge e semeia bênçãos para que o mundo se empobreça de miséria e, em se fazendo hoje mais rico de amor, possa fazer-te, amanhã, mais rico de luz.

(Francisco Cândido Xavier por José de Castro. In: Relicário de Luz)