sábado, 7 de abril de 2012

A história secreta do cristianismo

julho
2008


Apocrifo é a palavra grega para
por Texto Michelle Veronese

Em 1945, um pastor encontrou um jarro de cerâmica numa gruta próxima a sua aldeia no Egito. Ao abri-lo, achou vários livros escritos em idiomas que ele não compreendia. Algumas folhas amareladas serviram alimentaram o forno a lenha de sua casa. As restantes caíram nas mãos de um religioso local, circularam no mercado de antiguidades e foram resgatadas por um funcionário do governo egípcio. Mais tarde, descobriu-se que a “lenha” era um tesouro de valor incalculável: a coleção de Nag Hammadi, 13 livros com 1 600 anos e histórias que a Igreja tentou abafar durante todo esse tempo. Mas não conseguiu. Depois de sobreviver ao tempo e à censura religiosa, o achado tornou-se o maior e mais importante acervo de evangelhos apócrifos, literatura que tem ajudado a elucidar vários mistérios sobre as origens do cristianismo.
Tesouro dos primeiros cristãos
A maioria dos escritos de Nag Hammadi foi produzida entre os séculos 1 e 3 e seus autores faziam parte das primeiras comunidades cristãs. Nesse acervo, é possível conhecer livros que ficaram de fora do Novo Testamento, como evangelhos de Tomé e Tiago. O interessante desses relatos é que destoam bastante do que aparece na Bíblia. Neles, Jesus tem um lado humano, Madalena é uma grande líder, Deus é um princípio masculino e feminino... Diferenças polêmicas que deixam claro por que os apócrifos sempre foram uma pedra no sapato da Igreja. “Eles representavam outro cristianismo, não oficial, marginalizado”, explica o padre e teólogo Luigi Schiavo, professor do Departamento de Ciências da Religião da Universidade Católica de Goiás. “Eles têm grande valor histórico e religioso porque mostram novas interpretações sobre a figura de Jesus na origem do cristianismo”, enfatiza o especialista.
Naquela época não havia um cânone – nome dado ao conjunto oficial de livros que compõem a Bíblia – mas vários textos, cada qual escrito pelas diferentes seitas existentes, que registravam seus próprios valores e crenças sobre a origem do mundo e da vida, sobre Deus e o messias. E havia muitas divergências. Os docetas, por exemplo, negavam a realidade material de Cristo. Consideravam que Jesus possuía um corpo etéreo e que, por isso, não nasceu nem foi morto na cruz e muito menos ressuscitou. Os ebionitas, por sua vez, defendiam que Jesus tinha nascido de forma natural e só depois de batizado é que Deus decidiu adotá-lo. Já os ofitas acreditavam que Caim era o representante espiritual mais elevado. Para eles, a morte de Jesus foi um crime do Universo, mas um evento necessário para a salvação da humanidade.
Um dos grupos mais influentes do cristianismo primitivo foi o dos gnósticos, que adotavam uma vida ascética, negavam a matéria e acreditavam que o conhecimento era o caminho para a salvação. Algumas facções também defendiam que Deus possuía um princípio masculino e outro feminino. De fato, as mulheres desses grupos atuavam como mestras, líderes e profetisas – uma idéia ainda hoje revolucionária para a Igreja.
E havia também o chamado cristianismo apostólico, baseado nas narrativas dos primeiros discípulos de Jesus. Eles contavam que o messias havia morrido na cruz para salvar a humanidade e aos seguidores cabia a missão de espalhar sua mensagem pelo mundo. Essa tradição começou a ser registrada por volta dos anos 30 e 40 do século 1, em livros como os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. Esses textos eram lidos por muitos grupos, que os consideravam os relatos mais antigos e precisos da vida de Cristo.
A babel de cristianismos resistiu até o século 2, quando alguns bispos decidiram organizar as Escrituras. “Eles precisavam adotar um cânon definitivo para que a religião pudesse se expandir”, explica o frei Jacir. Mas para isso não adiantava traduzir os textos para várias línguas e divulgá-los entre vários povos. Era preciso aparar as diferenças e chegar a uma espécie de “versão oficial”. Na hora de selecionar os livros, o espírito democrático que permitiu a existência das diferentes versões deu lugar às disputas de poder.
Por uma versão oficial
As igrejas maiores e mais influentes tentaram impor seus textos, o que as menores não aceitavam. Havia debates e acusações mútuas de heresia entre elas. A peleja continuou até o século 4, quando tudo indicava que o cristianismo apostólico iria prevalecer sobre os outros cristianismos. Seus 4 evangelhos já eram populares naquela época e, desde o século 2, eram elogiados pelos pensadores da Igreja. Mas faltava tornar esses livros oficiais.
Foi quando o imperador de Roma, Constantino, entrou em cena e interveio no impasse. Na época, com o império em crise, ele precisava de uma bandeira para justificar a expansão e convencer outros povos a aceitarem seu domínio. E a solução estava numa aliança com os cristãos, que por sua vez desejavam espalhar a mensagem de Jesus mundo afora. “Constantino percebeu que era uma grande oportunidade e decidiu fazer do cristianismo a religião oficial do império”, explica o frei Jacir.
Os cristãos deixaram de ser perseguidos em 313 e apenas 12 anos depois seus bispos foram convocados para o Concílio de Nicéia, primeiro passo dado para a criação do Novo Testamento. Na reunião, os evangelhos de Marcos, Lucas, Mateus e João foram escolhidos para narrar a biografia de Jesus por uma razão simples: expressavam a visão dominante na Igreja. E todos os demais foram considerados apócrifos, falsos e perigosos para o estabelecimento do novo livro.
Começou, então, a perseguição a todos que ousavam discordar da recém-formulada Escritura Sagrada. Os gnósticos, docetas, ebionitas e ofitas foram acusados de heresia. Os que insistiam em desrespeitar o cânon eram punidos com a excomunhão ou a morte. Dezenas de livros – ou centenas, já que ninguém sabe ao certo quantos eram – foram destruídos ou queimados. Foi nessa época que alguém decidiu esconder 13 volumes numa gruta, na aldeia de Nag Hammadi, no alto Egito – talvez um cristão perseguido ou um monge do Mosteiro de São Pacômio, que ficava ali perto. Eram evangelhos, cartas e atos dos apóstolos escritos em copta, língua falada pelos cristãos do Egito. O tesouro só foi descoberto 16 séculos depois, por aquele pastor que apresentamos lá no começo, e hoje está no Museu Copta do Cairo, à disposição do público.
O legado
Além desses, muitos outros apócrifos foram excluídos da Bíblia. É o caso dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947, que apresentam cópias de livros do Antigo Testamento, deixadas pela seita judaica dos essênios. E do Evangelho Segundo Judas, descoberto na década de 1970, que conta uma história diferente sobre o discípulo que traiu Jesus. No total, são mais de 100 livros de valor inquestionável para os estudiosos das Escrituras. “São documentos essenciais para compreender a história do cristianismo no 1º e 2º séculos”, afirma o teólogo Paulo Nogueira, professor da Universidade Metodista de São Paulo.
Os apócrifos revelam que o Novo Testamento não nasceu pronto e acabado e que os textos que servem de base para a atual doutrina cristã passaram por um complicado processo de “edição”. Também deixam claro que, ao contrário do que se imaginava, o cristianismo praticado hoje não era o único nos primeiros séculos. Existiam vários cristianismos, cada um com sua própria interpretação da vida de Jesus e seus ensinamentos. Quem lê os escritos deixados por esses grupos pode conhecer outros pontos de vista sobre uma história contada há mais de 2 mil anos.
No entanto, é necessário afrouxar o julgamento antes de mergulhar na leitura. “Devemos compreender esses livros de modo ecumênico e tentando dialogar com os cristianismos de origem”, sugere o frei Jacir. É verdade que esse textos, muitas vezes coloridos e aberrantes, costumam chocar o leitor de primeira viagem. “Mas alguns também podem complementar a nossa fé”, adianta Jacir. Uma prova de que eles não são apenas uma “ameaça” aos cânones da Igreja Católica estão na religiosidade popular e na arte sacra, que buscaram inspiração nas histórias apócrifas. A famosa história dos 3 reis magos que levaram presentes ao menino Jesus e tudo que inspira os presépios natalinos, por exemplo, vêm dos evangelhos apócrifos.

Magdala, a favorita de Jesus
Apócrifos revelam que Maria despertava o ciúme dos apóstolos e que Jesus a beijava na boca
Maria Madalena – ou Miriam de Magdala, como está no hebraico – aparece nos apócrifos como uma mulher sábia e respeitada por Jesus. Ela acompanha o mestre em suas pregações e o ajuda a liderar os primeiros cristãos. O Evangelho de Filipe, do século 2, conta que ela era a seguidora preferida de Cristo, o que despertou o ciúme dos outros apóstolos. “Por que a amas mais que a todos nós?”, perguntavam eles ao Senhor. Uma passagem que ainda enfurece muitos cristãos diz que "o Senhor amava Maria mais do que a todos os discípulos e a beijava freqüentemente na boca". A liderança de Madalena também é mencionada no evangelho apócrifo que leva seu nome, também do século 2. Numa passagem, Pedro questiona: “Devemos mudar nossos hábitos e escutarmos todos essa mulher?” O texto revela que, apesar dos preconceitos, ela consegue se impor. É uma imagem distante da mulher impura e pecadora que a tradição da Igreja enfatizou durante séculos. Em 1969, o Vaticano reconheceu que houve uma confusão na interpretação das Escrituras (ela teria sido confundida com a pecadora que unge os pés de Jesus no Evangelho de Lucas) e retirou a denominação de prostituta que durante séculos pesou sobre Maria Madalena.
A redenção de Judas
Judas teria entregue Jesus a seu pedido
A história do discípulo que traiu seu mestre por 30 moedas de prata é uma das mais conhecidas do cristianismo. Segundo o Evangelho de Judas – um manuscrito copta (língua falada pelos antigos egípcios) escrito entre os séculos 3 e 4 – o apóstolo pode ter sido condenado injustamente pela história. No texto, descoberto nos anos 70, no Egito, o personagem mais odiado do cristianismo aparece como o discípulo mais próximo e querido de Jesus. Ele denuncia o mestre às autoridades romanas a pedido do próprio Messias, num plano que seria essencial em sua missão de salvar a humanidade. “Nesse contexto, a figura de Judas representa o ideal do discípulo que, recebida a iluminação, cumpre a vontade de Deus, mesmo que ela tenha a ver com a entrega de Jesus à morte”, diz o teólogo Luigi Schiavo. Na versão do Novo Testamento, Judas enforca-se, arrependido. No texto apócrifo é diferente. Ao compreender a importância de sua missão, Judas teria se retirado para meditar no deserto.
A infância de Cristo
Evangelhos mostram lado humano e divino
A literatura apócrifa conta várias histórias sobre a gravidez de Maria e os primeiros anos de vida de Jesus. É uma tentativa de preencher a lacuna da Bíblia, que faz uma única referência à infância do Messias, quando ele visita o Templo de Jerusalém, aos 12 anos. O Evangelho do Pseudo-Mateus, do século 3, conta que o menino fazia milagres ainda na barriga da mãe e que, desde criança, usava seus poderes para curar doentes e ressuscitar os mortos. Mas, quando irritado, ele se comportava como uma criança mimada e vingativa. Certo dia, um menino o derrubou no chão. Jesus então ordenou: “Caia morto!”, e o amigo morreu. Depois, arrependido, o fez ressuscitar. Um de seus passatempos preferidos seria criar seres de barro e lhes dar vida com um sopro. Essa faceta de Jesus pode assustar quem lê os apócrifos. Mas, para teólogo Jacir de Freitas, ela deve ser compreendida no contexto em que o livro foi escrito. “A intenção é mostrar que Jesus tem um lado humano e outro divino, o que é um reflexo de uma época em que a Igreja discutia qual era a natureza do filho de Deus.”
O quinto evangelho
Historiadores acreditam que Evangelho de Tomé seja inspiração de 3 dos canônicos
O Evangelho Segundo Tomé, do apóstolo que precisava “ver para crer”, é o mais polêmico do acervo de Nag Hammadi. O manuscrito contém 114 parábolas e frases atribuídas a Jesus. As citações são semelhantes às da Bíblia, mas refletem o pensamento gnóstico. Nele, Jesus aparece como um mestre mais místico, que orienta os discípulos a reconhecer sua identidade divina e a buscar Deus em qualquer lugar. Ele foi excluído, apesar de ter sido escrito por volta dos anos 60 e 70 do século 1, mesma época dos evangelhos que entraram para o cânone sob a justificativa de serem os relatos mais antigos do messias. Os pesquisadores chamam esse apócrifo de Quinto Evangelho e suspeitam que ele seja o famoso Fonte Q, escrito nunca achado que teria sido a base de 3 dos 4 evangelhos canônicos. Se isso for verdade, os textos bíblicos são adaptações desse apócrifo, dono dos verdadeiros ensinamentos de Cristo.
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segunda-feira, 5 de março de 2012

QUATRO TOQUES ESPIRITUAIS DO MESTRE AIVANHOV

590 -

- III
"Não basta conhecer os métodos que permitem que se tornem clarividentes, magos, alquimistas e etc. Deve-se questionar primeiro sobre o objetivo com o qual se trabalha, e saber que existem leis a serem respeitadas. Quem pratica os métodos do Ocultismo apenas para o próprio interesse, infringe as leis da harmonia cósmica e, no final, será o próprio cosmo que colocará um veto, e ele fracassará lamentavelmente.

Muitos ocultistas ou pretensos espiritualistas, que trabalhavam para alcançarem determinadas realizações, sem se preocuparem em saber se trabalhavam em harmonia com os projetos da Inteligência cósmica, acabaram muito mal.

As obras sobre ciências ocultas propõem um grande número de técnicas, de ritos, dos quais muitos trazem riscos. Mas nenhuma dessas práticas vale tanto quanto aquela de se colocar em harmonia com a ordem cósmica. E as coisas vão mais além: para aquele que não se preocupa em conservar a harmonia e se deixa subjugar pelas próprias tendências anárquicas, até as práticas mais inofensivas se tornam perigosas e se voltam contra ele."

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -

* * *
"Em que coisa os seres humanos se empenham todos os dias?

Em satisfazer os seus desejos e realizar as suas ambições.

Eles nunca se perguntaram sobre a natureza de todos esses cálculos, desses planos e desses arranjos? Nunca pensaram em perguntar ao Céu: ´Oh, espíritos luminosos, estamos de acordo com os seus projetos? Qual é a opinião de vocês? Quais intenções vocês têm em relação a nós? Onde e como devemos trabalhar para realizar a sua vontade?´.

Pouquíssimas pessoas se colocam essas perguntas. Porém, nada é mais importante para o homem do que suplicar às entidades invisíveis para que lhe dêem, finalmente, a possibilidade de realizar os projetos do Céu.

Nesse momento toda a sua vida muda, e ele pára de agir segundo os seus caprichos, as suas fraquezas, a sua cegueira. Esforçando-se para conhecer a vontade do Céu, ele se coloca em outros trilhos, segue um rumo que corresponde aos projetos de Deus, e essa é a verdadeira vida!"

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -

* * *

"Vocês desejariam que eu lhes revelasse um método que lhes desse a possibilidade de resolver todos os problemas, enfrentar todas as situações como uma chave que abre todas as portas?

Infelizmente, um método assim não existe!

Aquilo que funcionou ontem, hoje não é mais eficaz e é preciso encontrar um novo. Ontem, por exemplo, um pensamento que vocês leram lhes permitiu ver com clareza, ou reencontrar a serenidade. Mas hoje, esse pensamento não age mais e é preciso encontrar um outro.

E eis que, dia após dia, o Céu nos obriga a avançar, a fazer descobertas, senão adormeceríamos. Não se pode evoluir sempre com a mesma verdade.

A vida apresenta, todos os dias, novas combinações, novas disposições das coisas, novas relações de força e, portanto, novos problemas para resolver.

Se ontem era certo recorrer à sabedoria, hoje, talvez, seja o amor, ou a vontade, ou a paciência que serão eficazes. Sempre existe uma solução, mas deve-se fazer o esforço de encontrá-la a cada vez."

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -
* * *
"Antes de agirem, procurem estudar bem a situação, avaliem os prós e os contras, peçam conselhos até que tudo esteja claro para vocês. A confiança cega de quem se joga nas ações só pode trazer derrota.

Quando não se quer ver nada da realidade ao seu redor, quando se recusa em levar em conta todos os elementos de uma situação, a pessoa quebra a cara.

A determinação é uma coisa, a obstinação é outra.

Quantos empreendimentos fracassaram, apesar da confiança absoluta das pessoas! Faltava-lhes experiência, elas não haviam estudado bem os diferentes aspectos de uma questão. Imaginavam que, para conseguirem, bastava serem animadas pelas melhores intenções e de estarem convictas, pois o Céu faria o resto. Mas isso não basta!

Mas se refletirem e conseguirem ver claro, vocês devem também eliminar a menor hesitação para que sejam capazes não só de agirem corretamente, mas de perseverarem, apesar das dificuldades."

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -


PS: Agradecimentos a Ana Lucia Sárcia (astróloga, espiritualista e participante do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB), pela tradução dos textos do mestre Aivanhov).

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tempo da Regra Áurea




"Assim, tudo o que vos quereis
que os homens vos façam, fazei-o
também vos a eles; esta é a lei
e os profetas."
(S.Matheus cap.7 v.12)
Faremos hoje o bem a que aspiramos receber.

*

Alimentaremos para com os semelhantes os sentimentos que esperamos alimentem eles para conosco.

*

Pensaremos acerca do próximo somente aquilo que estimamos pense o próximo quanto a nós.

*

Falaremos as palavras que gostaríamos de ouvir.

*

Retificaremos em nós tudo o que nos desagrade nos outros.

*

Respeitaremos a tarefa do companheiro como aguardamos respeito para a responsabilidade que nos pesa nos ombros.

*

Consideraremos o tempo, o trabalho, a opinião e a família do vizinho tão preciosos quanto os nossos.

*

Auxiliaremos sem perguntar, lembrando como ficamos felizes ao sermos auxiliados sem que dirijam perguntas.

*

Ampararemos as vítimas do mal com a bondade que contamos receber em nossas quedas, sem estimular o mal e sem esquecer a fidelidade a prática do bem.

*

Trabalharemos e serviremos de moldes que reclamamos do esforço alheio.

*

Desculparemos incondicionalmente as ofensas que nos sejam endereçadas no mesmo padrão de confiança dentro do qual aguardamos as desculpas daqueles a quem porventura tenhamos ofendido.

*

Conservaremos o nosso dever em linha reta e nobre, tanto quanto desejamos retidão e limpeza nas obrigações daqueles que nos cercam.

*

Usaremos paciência e sinceridade para com os nossos irmãos, na medida com que esperamos de todos eles paciência e sinceridade, junto de nós.

*

Faremos, enfim, aos outros o que desejamos que os outros nos façam.

*

Para que o amor não enlouqueça em paixão e para que a justiça não se desmande em despotismo, agiremos persuadidos de que o tempo da regra áurea, em todas as situações, agora ou no futuro, será sempre hoje.

* * *

Da obra: Opinião Espírita.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
CEC.

domingo, 29 de janeiro de 2012

FRANCO BASAGLIA E A PSIQUIATRIA DEMOCRÁTICA

FRANCO BASAGLIA E A PSIQUIATRIA DEMOCRÁTICA


Introdução


Por estarmos lidando com tema tão polêmico e radical, optamos
por citar diversas vezes os autores em questão, tentando das voz a eles na divulgação de suas idéias.
Devido ao fato de o grupo já ter escrito o trabalho sobre antipsiquiatria (Laing, Cooper e Szazs, respeitando Basaglia que nega tal rótulo se considerando da Psiquiatria Democrática) antes da divisão de autores por grupos, utilizamos de tal texto como uma introdução assunto da antipsiquiatria.
A obra teórica de Franco Basaglia é bem vasta, resumi-la e analisá-la não resultaria em um texto pequeno, portanto pedimos a compreensão se nalgum momento fomos sintéticos demais ou se pulamos algum aspecto por nós considerado de menor importância.






A ANTIPSIQUIATRIA[1]




“Qualquer classificação de alguém sem seu consentimento é uma violação de sua integridade.”
J. P. Sartre[2]



A antipsiquiatria , uma feérica crítica a psiquiatria enquanto tal surgiu no seio da psiquiatria a partir da década de sessenta deste século, tendo como nomes de destaque: Ronald David Laing (1927 a 1889), David Cooper (1931 a 1986) e Thomas Stephen Szasz (1920 a ____).
Podemos destacar a negação que este movimento (a antipsiquiatria) faz da psiquiatria em frases como esta: “Acima de tudo, preocupei-me com a questão da violência na psiquiatria e concluí que, tal vez, a mais chocante forma de violência em psiquiatria é nada menos do que a violência da psiquiatria...” proferida pôr Cooper[3].
Mas porque tamanha desfeita para com uma profissão supostamente honrada na nossa sociedade que publica livros, vende remédios, mantém nosocômios?
Para tal resposta, nos detivemos num olhar sobre a psiquiatria, um olhar histórico para compreender como ela se formou.
Com o Renascimento Comercial do fim da Idade Média (séculos XIV e XV) surgiu uma nova classe social , a burguesia. Com a Revolução Industrial (séc. XVIII) esta classe atingiu a proeminência econômica, e com a Revolução Francesa (1789 a 1799) e as Revoluções Liberais do século seguinte (1830 a 1848) lançaram as bases para a sua supremacia política enquanto classe hegemônica.
A vigência do modo de vida burguês para toda a sociedade impôs a primazia do lucro como sendo a meta básica e única de toda atividade humana, e a sujeição do homem aos ditames do capital, coisas até então inéditas nas sociedades humanas.
A existência de pessoas que não se inseriam no sistema produtivo, não dão lucro irá atrapalhar o processo de acumulação capitalista. Retira-los do meio social se torna assim imperativo.
Logo os pobres serão segregados longe da sociedade.
A exemplo dessa ação temos, como bem lembra o Professor Frayze, a fundação em Paris (1656, ou seja ainda antes da “Era das Revoluções”) do “Hospital Geral, isto é, uma instituição que engloba diversos estabelecimentos sob uma administração única e destinada a recolher todos os pobres da cidade.”[4] A partir de então todas as demais cidades francesas possuirão esse famigerado Hospital Geral.
Assim, a pobreza é uma mal a ser sanado, o pobre não se encaixa na normalidade burguesa, ele é anormal, não segue a razão (do lucro) é um ente sem razão. Dessa visão da pobreza para a construção do conceito de loucura, foi um “pulinho”.
Em suma, “a loucura é percebida no campo formado pela própria miséria, pela incapacidade para o trabalho e pela impossibilidade de integrar-se no grupo” (burguês)[5].
Assim o pobre/louco deve ser tratado/punido para se encaixar e pôr não se encaixar na ordem burguesa.
A punição emergia do discurso moral que afirmava ser o bom o trabalho, a produtividade, já o louco pôr não se dedicar a estes seria portador do mal, portanto passível de punição.
Mas qual o médico a cuidar desses improdutivos? Roy Porter lembra muito bem quando afirma: “...o aparecimento da medicina psicológica foi mais conseqüência do que causa do surgimento do asilo de loucos. A psiquiatria foi capaz de florescer depois - mas não antes - de grande número de internos encher os manicômios.”[6] A psiquiatria surgia assim para trancafiar os loucos, ser o carcereiro do sistema político, social e econômico.
A partir dessa origem confinatória e punitiva, indubitavelmente que a psiquiatria iria se “modernizar”:
n Benjamin Rush (1746/1813) nos Estados Unidos inventa (1812) a cadeira giratória (Tranquilizer e Gyrator);
n A alternância de banhos quentes e frios (banhos forçados);
n Manfred Sakel (1900/1957) implementou os choques insulínicos (1934);
n Von Meduna (1896/1964) elaborou a convulsoterapia com o uso da cânfora, o cardizol ou metrazol para levar o paciente a ataques epilépticos artificiais;
n Tecnologia de contenção: camisa-de-força, amarras especiais, camas com cinturões, camas chumbadas, quartos fortes, e etc...
n Cerletti (1877/1963) e Bini (1908/1966), em Roma (1938), pesquisando com porcos descobriram a dosagem de eletricidade capaz de gerar uma convulsão no cérebro humano sem mata-lo, criando assim o eletrochoque convulsivante;
n Egas Moniz (1874/1955), português, na década de trinta (1935) desenvolveu a lobotomia (leucotomia frontal), o que lhe valeu o Prêmio Nóbel de Fisiologia e Medicina (1949);
n Psicofármacos para sedar os internos.

A lógica inerente a esses “avanços” transparece na medida em que a psiquiatria não consegue reintegrar os loucos a sociedade restando somente a ação confinatória. Para confiná-lo, quanto mais dócil ele permanecer melhor, portanto seda-lo, dopa-lo, ou lobotomiza-lo o pacifica (tornando-o um vegetal) e assim incomoda menos no hospício.
Ao denunciar e criticar essa prática desumana chamada psiquiatria pôr parte de próprios psiquiatras, surge a antipsiquiatria.
Em seu cerne ela vai se contrapor a psiquiatria, inicialmente colocando a questão da origem do sofrimento psíquico no âmbito social.
Ou seja se existe alguma entidade denominada loucura ela não esta organicamente no indivíduo como quer a psiquiatria e nem em anomalias do desenvolvimento infantil do indivíduo como o quer a psicanálise, mas ela esta no seio da sociedade que gerou essas pessoas (ditas loucas) logo, segundo a antipsiquiatria, é a sociedade que é louca.
O radicalismo (análise até a raiz do problema) da antipsiquiatria não poupa nem a psicanálise, pois quando esta perde o viés social comete ignomínias tais como afirmar que a origem da violência dos meninos de rua esta na carência de afeto paternal.
Mas voltando a sociedade, segundo a antipsiquiatria é ela a fonte do sofrimento psíquico.
A sociedade que conhecemos é a brasileira, vejamos um dado dela.


Metade da população brasileira recebe apenas doze porcento da renda nacional. Será que existem escolas, empregos, casas e sistema de saúde para essa metade da população?
Ou será que ficarão a margem da sociedade sem uma vida plena, levando vidas vazias, pois não são aceitos pela sociedade (capitalista) que valoriza aquilo que eles não tem (capital).
Avançando em outros aspectos a demonstrar a demência de nossa sociedade, iniciemos pôr Frayze:
n “A impessoalidade de nossas relações humanas;
n A indiferença afetiva e o isolamento aos quais o indivíduo esta sujeito em nossas sociedades industriais;
n A vida sexual destituída de afetividade e reduzida ao coito;
n A fragmentação da coerência de nossa conduta cotidiana devida ao fato de pertencermos e atuarmos em diversos grupos que nos impõem papéis contraditórios;
n A perda de sentimento de engajamento no mundo social;”[7]
n Desenraizamento do ser humano causado pelo êxodo rural;
n “A característica do momento é que o espírito medíocre, sabendo-se medíocre, tem a ousadia de afirmar os direitos da mediocridade e de impô-los pôr toda a parte;”[8]
n Nossa sociedade prega a fraternidade mas desde a escola impõem a rivalidade e a competividade;
n Estimula necessidade pelos meio de comunicação sem dar condições de satisfaze-la;
n e etc...

Notadamente, segundo a antipsiquiatria, nossa sociedade é insana, ou, na melhor das situações, possui muitas características insanas.
Mas qual será a instituição social que reproduz tal insanidade?
Qual é a instituição que reproduz, tão bem, para cada indivíduo o machismo, o racismo, e demais preconceitos? A família.
Afinal de contas se a sociedade é insana, sua célula básica também o será, e enquanto célula básica compete a ela, a família, reproduzir, pessoa a pessoa tal sociedade.
Podemos nos lembrar da seguinte questão, já muito citada, mas que coloca a análise na esfera da família: “A comunicação entre os membros de uma família é patológica porque um deles é psicótico, ou um deles é psicótico porque a comunicação é patológica?”[9]
Da família louca como que chegamos ao indivíduo louco, qual a gênese de tal situação para o indivíduo?
“Laing considera que as pessoas chamadas de esquizofrênicas ou loucas foram levadas, pelo tipo de relacionamento de sua família, a criar um “eu” falso. Este “eu” falso foi a maneira encontrada pela pessoa para tentar ser aprovada pelos outros. Assim, o “eu” da pessoa não chegou a se desenvolver. Foi reprimido. A psicose seria, para Laing e para Cooper, uma estratégia especial que a pessoa é obrigada a usar, para poder suportar uma situação muito pesada.”
“A crise de loucura, o dito “surto” esquizofrênico, é visto como uma viagem para o interior de si mesmo, onde a pessoa busca um refúgio. É um tentativa de retroceder no tempo e nas emoções, usada quando não há mais maneiras de suportar o mundo. O surto esquizofrênico é, então, a busca de uma vida diferente quando não há condições de manter os difíceis relacionamentos sociais a que a pessoa acostumou-se. Estes relacionamentos são tão difíceis para estas pessoas porque não se fazem com um “eu” autêntico, mas com um “eu” falso. A crise psicótica é uma tentativa de romper com uma vida que já esta, há muito, insuportável.”[10]
Já salientada a visão da loucura pela antipsiquiatria, vamos ver sua ação, as práticas asilares estruturadas conforme a psiquiatria são relegadas como ampliadoras, se não geradoras da loucura num processo iatrogênico.
Ficar circunscrito a normas rígidas da instituição que não possuem significado algum para o paciente o esvazia de sua dimensão humana.
A antipsiquiatria vai tentar desenvolver uma prática manicomial que respeite o ser humano.
Cooper vai dirigir na década de sessenta (1961 a 1965) no Shelly Hospital de Londres , o Pavilhão 21, reunindo doentes, enfermeiros e médicos em uma existência coletiva da qual todo vestígio de hierarquização desaparecera.
Cooper com Laing fundaram (1965) a Philadelphia Association, instituição antipsiquiátrica destinada a oferecer aos psicóticos lugares de acolhimento, onde pudessem ser acompanhados em seu esforço para reconstituir o seu “eu” autêntico.
O mais célebre desses “lares” foi o Kingsley Hall, centro histórico do movimento operário inglês, devido a carência de fundos, fechou (1970).



[1] Texto escrito anteriormente a divisão dos grupos pôr autor, que valerá enquanto introdução de questionamentos à psiquiatria da antipsiquiatria anglo-americana.

[2]In Szasz, Thomas. Ideologia e Doença Mental, pg. 201.

[3]Cooper, D. Psiquiatria e Antipsiquiatria, pg. 13.

[4] Frayze-Pereira, J. O Que é Loucura, pg. 63.

[5] Idem, pg. 67/68.

[6] Porter, Roy. Uma História Social da Loucura, pg. 27.

[7]Frayze-Pereira, ibidem pr. 31 e 32.

[8] Ortega y Gasset. A Rebelião das Massas. New York, Norton, 1957, pg.15/16, citado in Friedenberg, Edgar. As Idéias de Laing, pg. 94.

[9] Beauchesne, Hervé. História da Psicopatologia, pg. 140.

[10] Serrano, Alan Indio. O Que é Psiquiatria Alternativa, pg. 71.

sábado, 26 de novembro de 2011

SEXO E AMOR



Na sua globalidade, o amor é sentimento vinculado ao Self enquanto que a
busca do prazer sexual está mais pertinente ao ego, responsável por todo tipo
de posse.
O sentimento de amor pode levar a uma comunhão sexual, sem que isso
lhe seja condição imprescindível. No entanto, o prazer sexual pode ser
conseguido pelo impulso meramente instintivo, sem compromisso mais
significativo com a outra pessoa, que, normalmente se sente frustrada e usada.
Os profissionais do sexo, porque perdem o componente essencial dos
estímulos, em razão do abuso de que se fazem portadores, derrapam nas
explosões eróticas, buscando recursos visuais que lhes estimulem a mente, a
fim de que a função possa responder de maneira positiva. Mecanicamente se
desincumbem da tarefa animal e violenta, tampouco satisfazendo-se,
porqüanto acreditam que estão em tarefa de aliciamento de vidas para o
comércio extravagante e nefando da venda das sensações fortes, a que se
habituaram.
O amor, como componente para a função sexual, é meigo e judicioso,
começando pela carícia do olhar que se enternece e vibra todo o corpo ante a
expectativa da comunhão renovadora.
Essa libido tormentosa, veiculada pela mídia e exposta nas lojas em forma
de artefatos, torna-se aberração que passa para exigências da estroinice,
resvalando nos abismos de outros vícios que se lhe associam.
Quando o sexo se apresenta exigente e tormentoso, o indivíduo recorre
aos expedientes emocionais da violência, da perseguição, da hediondez.
Os grandes carrascos da Humanidade, até onde se os pode entender,
eram portadores de transtornos sexuais, que procuravam dissimular,
transferindo-se para situações de relevo político, social, guerreiro, tornando-se
temerários, porque sabiam da impossibilidade de serem amados.
Quando o amor domina as paisagens do coração, mesmo existindo
quaisquer dificuldades de ordem sexual, faz-se possível superá-las, mediante a
transformação dos desejos e frustrações em solidariedade, em arte, em
construção do bem, que visam ao progresso das pessoas, assim como da
comunidade, tornando-se, portanto, irrelevantes tais questões.
O ser humano, embora vinculado ao sexo pelo atavismo da reprodução,
está fadado ao amor, que tem mais vigor do que o simples intercurso genital.
Sem dúvida, por outro lado, as grandes edificações de grandeza da
humanidade tiveram no sexo o seu élan de estímulo e de força. Não obstante,
persegue-se o sucesso, a glória efêmera, o poder para desfrutar dos prazeres
que o sexo proporciona, resvalando-se em equívoco lamentável e perturbador.
O amor à arte e à beleza igualmente inspirou Miguel Ângelo a pintar a
capela Sistina, dentre outras obras magistrais, a esculpir la Pietá e o Moisés; o
amor à ciência conduziu Pasteur à descoberta dos micróbios; o amor à verdade
levou Jesus à cruz, traçando uma rota de segurança para as criaturas humanas
de todos os tempos...
O amor é o doce enlevo que embriaga de paz os seres e os promove aos
píncaros da auto-realização, estimulando o sexo dignificado, reprodutor e calmante.
Sexo, em si mesmo, sem os condimentos do amor é impulso violento e fugaz.

JOANNA DE ÂNGELIS

À procura das Pérolas


(Nº. 215 - Trip., XIX, 7, p. 14 ro.)

Ananda disse ao Buda: "O senhor, ó Buda, nasceu em uma família real, permaneceu sentado sob uma árvore e meditou sobre a sabedoria durante seis anos. Obter assim (a dignidade) de Buda é lográ-la facilmente".

O Buda respondeu a Ananda: "Certa vez, Ananda, havia um senhor proprietário extremamente rico que possuía toda sorte de jóias, mas como não possuía as verdadeiras pérolas vermelhas, não se sentia satisfeito. Levando consigo outros homens, ele foi ao mar para recolher algumas pérolas; após superar vários perigos e obstáculos, conseguiu chegar ao local onde se encontravam as jóias. Ele cortou seu corpo para fazer correr o sangue, o qual colocou em um saco untado com óleo, suspenso no fundo do mar. As ostras, ao sentirem o odor do sangue, vieram sugá-lo. Então ele pôde retirar as ostras e, abrindo-as, fez saírem as pérolas; recolhendo-as dessa maneira durante três anos, ele chegou a formar um colar inteiro.

Quando retornava, ao chegar à margem de um rio, seus companheiros, vendo que trazia jóias preciosas, armaram-lhe uma cilada. Enquanto o seguiam para pegar água, reuniram-se e o atiraram em um poço, que depois cobriram, e partiram. Passado um longo tempo desde que caíra no fundo do poço, o homem percebeu um leão que se aproximava por um orifício lateral para beber água. Ele novamente teve muito medo. Mas, quando o leão partiu, o homem procurou a passagem por onde o animal havia vindo, pôde sair (do poço) e voltar a seu país. Quando seus companheiros retornavam à sua casa, o homem os chamou e disse: "Vocês me roubaram um colar. Ninguém o sabe, nem que vocês também tentaram-me fazer perecer. Devolvam-no em segredo e eu não os denunciarei". Temerosos, os homens devolveram as pérolas. De posse das jóias, o proprietário levou-as para casa.

Ele tinha dois filhos que brincavam com as pérolas, colocando-as sobre o corpo, e perguntavam
um ao outro: "De onde vêm essas pérolas?". Um deles disse: "Elas vieram do saco que tenho na mão".

O outro disse: "Elas vieram de um jarro que está nesta sala". Vendo aquilo, o pai começou a rir.

Sua esposa lhe perguntou a razão, e ele respondeu: "Recolhi essas pérolas mediante um sofrimento extremo; essas crianças as receberam de mim, não sabem nada dessa história e pensam que as pérolas vieram de um jarro".

O Buda disse a Ananda: "Você me vê somente após ter-me tornado Buda, mas ignora com que esforço e pena me dediquei ao estudo por incontáveis kalpas. Agora cheguei ao objetivo e você pensa que foi fácil, tal como aquelas crianças que pensavam que as pérolas vinham do jarro".

Assim, podemos atingir o objetivo praticando inúmeras boas ações e acumulando
mérito durante muitos kalpas, mas não se trata do resultado, nem de um só ato, de uma única ação ou de uma só vida.

Referências bibliográficas


As Mais Belas Histórias Budistas -


http://groups.msn.com/RenovandoAtitudes

sexta-feira, 3 de junho de 2011

JUIZ INDEFERE PEDIDO PARA RECOLHER LIVRO ESPÍRITA




São Paulo, 31 de maio de 2011

O juiz federal Marcelo Freiberger Zandavali, substituto da 3ª Vara
Federal de Bauru negou pedido de liminar para recolher os exemplares
do livro “Obras Póstumas de Allan Kardec”, editado pelo Instituto de
Difusão Espírita.

A ação popular foi ajuizada por Pedro Valentim Benedito, com pedido de
antecipação de tutela, sob o argumento da obra ser lesiva ao
patrimônio histórico e cultural e por veicular conteúdo racista.

O autor popular fundou seu pedido, dentre outros documentos, na
Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial, tratado internacional cujo cumprimento, em
território nacional, foi objeto do Decreto n.º 65.810/69.

Em sua decisão, Marcelo Zandavali destacou trecho da convenção sobre
discriminação racial. “Entende-se discriminação racial qualquer
distinção, exclusão, restrição ou preferência fundadas na raça, cor,
descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por fim ou efeito
anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em
igualdade de condições, dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais nos domínios político, econômico, social, cultural ou em
qualquer outro domínio da vida pública”.

De acordo com o juiz, o Instituto não teve a intenção específica de
anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício dos
direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas de cor negra.
Ao contrário, em “nota explicativa”, ao final do livro, expressa o
“mais absoluto respeito à diversidade humana, sem preconceito de
nenhuma espécie”.

Ressalta, ainda, que a obra traz a opinião de uma pessoa que viveu no
século XIX, época em que era comum este tipo de pensamento com relação
aos negros, tanto que em boa parte dos países ainda havia a
escravidão.

Sendo assim, de acordo com o magistrado, “fica clara como água da
rocha a intenção dos editores de divulgar, sem mutilações, o
pensamento kardecista, sem, para tanto, elevar a distinção baseada na
cor da pele em ideologia discriminatória”. (FRC)

Ação Popular n.º 0003015-78.2011.403.6108 – íntegra da decisão

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