quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mensagem do Espírito Eurípedes Barsanulfo recebida pela médium Suely Caldas Schubert:


O Apelo do Alto 

     Irmãos Queridos! Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face a essa onda de pessimismo que toma conta dos brasileiros, frente aos embates que o país atravessa, nós, os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa mensagem de fé, de coragem e de estímulo. Estamos irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil. Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra, a fim de que maior número de médiuns possa captá-la. Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a gradação que lhe forem peculiares.
     Estamos convidando todos os espíritas para se engajarem nesta campanha. Há urgente necessidade de que a fé, a esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda de pessimismo, de descrédito e de desalento é tão grande que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e aspirando realizar algo de construtivo e útil para o país, em qualquer nível, vêem-se tolhidos em seus propósitos, sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras quase intransponíveis.
     É preciso modificar esse clima espiritual. É imperioso que o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos de nossa nação, varra para longe os miasmas do desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e espaços para que brilhe a luz da esperança.  Somente através de esperança conseguiremos, de novo, arregimentar as forçar de nosso povo sofrido e cansado.
     Os espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento. Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé!  Ah! a fé nosso futuro! A certeza de que estamos destinados a uma nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa vacilação, a nossa incúria podem retardar. Responsabilidade nossa! Estamos cientes de tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus de perigo inimaginável.
     O desânimo e seus companheiros, o desalento, a descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os grupos, a própria comunidade. São como o cupim a corroer, no silêncio, as estruturas.  Não raras vezes, insuflado por mentes em desalinho, por inimigos do progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da luta. Diante desse quadro de forças negativas, tornam-se muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado geral. 
     Que cada Centro, cada grupo, cada reunião promova nossa campanha. Que haja uma renovação dessa psicosfera sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas pelas provações, encontrem em nossas Casas um clima de paz, de otimismo e de esperança! Que vocês levem a nossa palavra a toda parte. Aqueles que possa fazê-lo, transmitam-na através dos meios de comunicação.  Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.
     São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São estas forças que o levam a crer e lutar por um futuro melhor.  Meus irmãos, o mundo não é um navio à deriva. Nós sabemos que Jesus está no leme!  E que não iremos afundar. Basta de dúvidas e incertezas que somente retardam o avanço e prejudicam o trabalho.  Sejamos solidários, sim, com a dor de nosso próximo. Façamos por ele o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever indeclinável de fazê-lo. 
     Sobre tudo transmitindo o esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas também, que a solidariedade exista em nossas fileiras, para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e confiantes na preparação do futuro de paz por todos almejado. E não esqueçamos de que, se o Brasil é o coração do mundo, somente será a pátria do Evangelho se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido pro cada um de nós."  
     

quarta-feira, 1 de maio de 2013

SEXUALIDADE

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Muito cuidado com quem você compartilha sua energia sexual. Intimidade a este nível entrelaça sua energia áurica com a energia áurica da outra pessoa. Essas conexões poderosas, independentemente do quão insignificantes você acredita que elas sejam, deixam resíduos espirituais, especialmente nas pessoas que não praticam qualquer tipo de limpeza, física, emocional ou de outra forma. Quanto mais você interagir intimamente com alguém, mais profunda a ligação entre vocês e mais a sua aura estará entrelaçada com a do outro.

Imagine a aura confusa, a energia contaminada e tumultuada de alguém que dorme com várias pessoas e carrega consigo essas múltiplas energias? O que eles não percebem é que os outros podem em algum nível sentir estas energias, que podem por fim repelir energias positivas e atrair energias negativas em sua vida.

E mais, não adianta você se preservar e ter um parceiro ou parceira que não honra o seu próprio corpo e energia, ainda menos a sua . Você irá ser afetado indiretamente e precisará realizar limpezas energéticas e espirituais. 
Como Lisa Patterson diz: "nunca durma com alguém que você não gostaria de ser." Ou então, na afirmativa: escolha dormir com alguém que você gostaria de ser.

Nada como o Sexo com Amor. Nada como trocar a sua energia com quem você Ama e que também te Ama. Em meio à Total Confiança, à Plena Entrega, ao máximo da Intimidade, onde 2 se tornam 1 e é possível experimentar uma conexão profunda e inefável com a Divindade. E esse é também um caminho espiritual, um dos mais sublimes caminhos de iluminação.

Luciane Lima

segunda-feira, 8 de abril de 2013


O ANJO BOM

Dois anos de surras incessantes. Dois anos vivera o Chico junto da madrinha. Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:
— Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?
O Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:
— Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece à vontade de Deus.
— Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
— Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
— Mamãe, quando é que o anjo chegará?
— Espere, meu filho! — era a resposta de sempre.
Decorridos dois meses, o Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias. E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas. Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos. Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura e perguntou:
— Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido. A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
— Você sabe quem sou, meu filho?
— Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até à morte.

Da obra Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama.
O ANJO BOM

Dois anos de surras incessantes. Dois anos vivera o Chico junto da madrinha. Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:
— Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?
O Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:
— Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece à vontade de Deus.
— Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
— Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
— Mamãe, quando é que o anjo chegará?
— Espere, meu filho! — era a resposta de sempre.
Decorridos dois meses, o Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias. E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas. Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos. Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura e perguntou:
— Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido. A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
— Você sabe quem sou, meu filho?
— Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até à morte.

Da obra Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama.

terça-feira, 2 de abril de 2013


O PANPSIQUISMO E A UNIDADE ESPIRITUAL DO HOMEMJ. Herculano Pires
in Evolução Espiritual do Homem (Na Perspectiva da Doutrina Espírita)
Editora Paidéia Ltda
http://pt.scribd.com/doc/57553660/Jose-Herculano-Pires-Evolucao-Espiritual-Do-Homem
 
Gustave Geley, em seu livro Do Inconsciente ao Consciente, lançou a teoria do panpsiquismo, segundo a qual todas as coisas e seres encerram em si mesmos um dínamo-psiquismo inconsciente que se desenvolve na temporalidade. A psique, ou alma, constituiria assim a essência dinâmica de todas as coisas. Do minério à humanidade se processaria incessantemente o desenvolvimento psíquico universal. Mas Kardec, muito antes de Geley, explicara, em O livro dos Espíritos, obra básica do Espiritismo, que o espírito se apresenta no Cosmos como um elemento fundamental de toda a realidade conhecida. O Universo inteiro se constitui de dois elementos fundamentais, o espírito e a matéria, de cuja interação resultam, num processo dialético hegeliano, todas as coisas e todos os seres, conhecidos e desconhecidos.
 
Os gregos já haviam sustentado, seis séculos antes de Cristo, a teoria isoloísta, segundo a qual a Terra é um organismo vivo dotado de alma. Mas o panpsiquismo de Geley tinha por objeto o esclarecimento do processo evolutivo. Ele desejava encontrar, nessa possível dinâmica interior das coisas, a energia esquiva e secreta das metamorfoses universais. Há evidente afinidade dessa teoria com a do elã vital de Bergson, para explicar a dinâmica da vida na matéria e que nela gera espécies vivas, que vão dos chamados insetos sociais até a espécie humana. Pesquisador espírita sucessor de Richet e companheiro de Eugéne Osty no Instituto metapsíquico Internacional de Paris, Geley buscava estabelecer em bases objetivas e pesquisáveis a dinâmica da evolução. Remy Chauvin, entomólogo e diretor de pesquisas do laboratório do Instituto de Cultura Superior de Paris, continua hoje essa tradição científica francesa iniciada por Kardec.
 
A visão generalizada do processo evolutivo se confirma na sua própria realidade material e nas pesquisas paleontológicas, mas o que interessa atualmente é descobrir a mola oculta desse processo natural. A teoria de Geley é uma contribuição séria e fecunda para essa busca científica. Aceita hoje a teoria da evolução das espécies até mesmo pelas igrejas – como se vê no caso de Teilhard de Chardin –, resta quase virgem o campo das conotações, do modus faciende desse processo. A simples idéia de que uma espécie gera ou pode gerar outra não esclarece o problema, apenas o impõe. A teoria da mônada, que vem de Platão e encontrou em nosso tempo fecundo desenvolvimento em Leibniz, é aceita particularmente no meio filosófico, mas cientificamente não conseguiu ainda passar do campo teórico. Kardec chegou a propor que a distância entre o animal e o homem é tão grande quanto a distância entre o homem e Deus, sugerindo assim a existência de uma possível genealogia do espírito humano, que poderá ser descoberta e definida cientificamente. Nesse sentido, Chauvin deu uma contribuição como ontomólogo, ao mostrar-se surpreso de que os insetos sociais não tenham dado o salto para a humanização e supondo que isso possa ter acontecido em outro planeta.
 
Alguns etnólogos e mitólogos, como Antré Lang e Max Freedom Long, citados por Ernesto Bozzano, chegaram a aceitar a possibilidade de traços e características animais em raças humanas. Essas suposições, de origem evidentemente totêmicas, não passam do plano especulativo. O homem não se define pela sua aparência corporal, onde as marcas da animalidade ancestral podem aparecer de maneira generalizada e não específica. O espírito humano, que é a essência do homem e a única ficha de sua identidade evolutiva, revela em toda parte e em todos os tempos a sua unidade espiritual. Essa unidade não provém da forma corporal, mas da consciência. A diferenciação das espécies, particularmente das superiores, torna-se pregnante nas suas características psíquicas. A unidade do espírito humano é perfeita e invariável em todas as raças do passado e do presente. Porque as espécies superiores, tanto nos reinos mineral, vegetal, animal e humano, revelam sempre a supremacia espiritual da espécie, que se despe das heranças da ganga das metamorfoses para se fixar no plano superior da vida. A animalidade humana revela apenas a deficiência do progresso espiritual e da vitória do espírito no ser em desenvolvimento. As potencialidades do ser, suficientemente definido no processo evolutivo como desta ou daquela espécie, sofrem naturalmente atrasos acidentais, dando aos observadores desprovidos de dados de observações de pesquisas mais completas a impressão de resíduos das espécies superadas.
 
Como ensinou Kardec, o ser que se define num plano superior mantém a sua unidade psico-afetiva sob controle e ação iluminada pela consciência. É um produto acabado e perfeito da evolução, que só continuará a modificar-se no ambiente e nas condições do estágio evolutivo que atingiu. As experiências da domesticação animal dos hominóides provaram que falta a estes a condição superior para exercer funções correspondentes ao nível em que se pretende incluir. Essa irredutibilidade do homem animal à condição animal superior exclui toda possibilidade, tantas vezes tentada, de se empregar animais nas atividades específicas do homem. A hierarquia natural da criação é determinada pelas leis da evolução e nela se encontra todo o edifício da ordem Universal.
 
É evidente que o homem pode se rebaixar – e freqüentemente se rebaixa – ao plano animal, em virtude de suas ligações sensoriais com o corpo. Mas sempre que isso acontece o homem abdica temporariamente de sua condição humana e sofre a reação da consciência, o que geralmente lhe acarreta situações íntimas penosas. O instinto de conservação vigia as suas quedas e o ameaça com o perigo de sua precipitação em planos inferiores, onde o seu desajustamento o pune e o força a voltar ao plano de que se afastou para uma experiência temerária, usando indevidamente o seu livre-arbítrio. Por isso Kardec advertiu que não há arrastamentos irresistíveis no plano das tentações. O espírito preguiçoso vê-se então compelido, pelo seu próprio remorso da morte, a sujeitar-se ao círculo vicioso das reencarnações repetitivas. Como o ouvinte do Bolero de Ravel, que depois de repassar o bolero em toca-discos centena de vezes, acabou quebrando em desespero os seus instrumentos, o espírito retorna ao caminho certo que abandonara.
 
As Filosofias da Existência estabeleceram a diferença entre viver e existir, não só por necessidade de distinção e clareza na abordagem dos problemas humanos, mas também, e principalmente, pela conveniência de se ver cada coisa em seu lugar e em sua função. Enquanto isso, ao mesmo tempo em que se processava essa revolução conceptual no plano filosófico, Kardec desenvolvia suas pesquisas audaciosas sobre a separação real entre o vivente e o existente. Foi essa uma das maiores façanhas psicológicas de todos os tempos, mas que só repercutiu com proveito no meio espírita. Esses trabalhos foram publicados na Revista Espírita. Através da mediunidade dos médiuns de sua confiança (que não se referia à honestidade do médium, mas ao seu grau de sensibilidade mediúnica) ele recebia nas sessões da Sociedade Parisiense as manifestações de espíritos de pessoas vivas. Não empregava o magnetismo nem qualquer espécie de evocação ritual. Verificava no registro das pessoas que se dispunham a servir na experiência aquelas que, segundo o registro, estariam naquele momento em disponibilidade. A seguir consultava o espírito orientador (o controle como Geley designava esse espírito) e este o autorizava a pensar ou não nessa pessoa. Estabelecida a ligação silenciosa do seu pensamento com a pessoa visada, logo esta se manifestava e se identificava, passando a responder pelo médium à inquirição do pesquisador. As verificações posteriores comprovavam a identificação do espírito manifestante, anteriormente desconhecido dos participantes da experiência. Kardec obtinha assim o existente separado do vivente, que naquele momento dormia em sua casa. Até mesmo o trajeto percorrido pelo espírito do vivo para chegar à sede da sociedade, na Passage Santane e os possíveis percalços do caminho, eram levados em consideração. Era assim que, enquanto o famoso teólogo dinamarquês Kierkegaard realizava suas cogitações sobre a vida e a existência, na Dinamarca, Kardec verificava ao vivo, em Paris, a possibilidade natural de exame isolado desses dois aspectos do homem. O que mais importava nessa pesquisa era o conhecimento das condições reais da situação. Claro que havia relação entre os propósitos, os métodos e os objetivos visados pelos dois investigadores. Kierkegaard não era filósofo nem cientista, mas teólogo. Kardec era filósofo, cientista, psicólogo e médico. Kierkegaard não desejava penetrar no campo filosófico, mas dava, sem querer, com suas cogitações, início às Filosofias da Existência. Ele mesmo declarou que não tivera propósitos filosóficos, mas apenas interesse teológico. Kardec objetivava somente descobrir a mecânica, por assim dizer, da relação corpo-espírito, que interessava às suas pesquisas mediúnicas.
 
O desprezo voltado ao Espiritismo pelos filósofos e cientistas da época, receosos de se meterem no campo perigoso das bruxarias, não permitiu, até hoje, o aparecimento de um trabalho aprofundado sobre essa coincidência à distância na investigação de ambos. Vemos assim o desinteresse com que os problemas fundamentais de uma cultura real do humano, que surgia na segunda metade do nosso século, foram tratados naquela fase.
 
O vivente, aquele que vive simplesmente, entregue às exigências corporais do homem, permanece ainda no plano animal. O existente, pelo contrário, é aquele que afirma o seu existir na vida e luta por transcendê-la. Só esse conta na escala humana, pois os viventes ainda não se integraram nela.
 
O corpo dorme, mas o espírito se liberta e se manifesta através da sensibilidade mediúnica de outra pessoa. Como se produziu a prova científica desse fato, com os métodos objetivos exigentes da Ciência Moderna? Kardec rompeu a barreira da sistemática materialista, mostrando a necessidade de adequação do método à natureza específica do objeto. A metodologia que elaborou, excluído o aparelhamento tecnológico atual, é praticamente a mesma que Rhine, Pratt e Mac Dougal empregaram no desenvolvimento das pesquisas parapsicológicas atuais. A metodologia espírita de pesquisa dos fenômenos paranormais antecipou de muito os métodos da psicologia experimental e aprofundou os seus objetivos, atingindo a sondagem do inconsciente quando Freud ainda freqüentava a escola primária, vestido com a roupagem da inocência.
 
Não mencionamos o problema das antecipações científicas do Espiritismo para nossa vanglória, mas os leigos, em geral, recorrem sempre às novidades atuais como superação do trabalho modelar de Kardec. A bem da verdade histórica e da colocação epistemológica certa da Ciência Espírita, é necessário que tenhamos consciência da anterioridade das descobertas espíritas. Além disso, é justo que se dê o mérito ao seu dono, que se coloquem as fases científicas no seu devido lugar. Os mais atrevidos adversários gratuitos da doutrina, às vezes com a boa intenção de resguardar o patrimônio científico, querem afastar do quadro das ciências a vigorosa e decisiva contribuição dos pioneiros espíritas. Colocar à margem da história das ciências o esforço persistente dos grandes cientistas que comprovaram as descobertas de Kardec, desde meados do século passado até este momento, não representa apenas uma injustiça, mas também uma traição à verdade dos fatos.
 
Esquecer os fundamentos científicos do Espiritismo, as grandes batalhas solitárias de Kardec contra as forças culturais dos dois últimos séculos, tem sido um meio de negar o valor e a influência da doutrina no desenvolvimento científico da atualidade. E com que interesse se faz essa negação, se não o de se manter em vigor o prestígio de instituições arcaicas, irremediavelmente peremptas, em detrimento evidente e interesseiro da evolução espiritual do homem?
 
Nas circunstâncias atuais essa tentativa se torna ridícula, o analfabetismo das massas, apoiado e alimentado pelossabichões de que falava Richet, esses analfabetos ilustres que falam do que sabem e do que não sabem, favorecem a modorra doirada dos vivos na existência em suas cadeiras acadêmicas, em suas tribunas místicas e em seus púlpitos em decadência. Por tudo isso, a posição dos espíritas, no panorama atual do mundo, não pode ser o de acomodação às conveniências, mas a de luta em favor do esclarecimento dos homens. Os tempos mudam rapidamente e para o espírita convicto não há tempo a perder nesta hora de transição cultural.
 
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Portal A ERA DO ESPÍRITOhttp://www.aeradoespirito.net/

Planeta ELIO'S (Temas Espíritas)http://emollo.blogspot.com.br/

domingo, 3 de março de 2013

Consciência da Gratidão

À medida que a psique desenvolve a consciência, fazendo-a superar os níveis primitivos recheados pela sombra, mais facilmente adquire a capacidade da gratidão. 

A sombra, que resulta dos fenômenos egoicos, havendo acumulado interesses inferiores, é a grande adversária do sentimento de gratulação. Na sua ânsia de aparentar aquilo que não conquistou, impedida pelos hábitos enfermiços, projeta os conflitos nas demais pessoas, sem a lucidez necessária para confiar e servir. Servindo-se dos outros, supõe que assim fazem todos os demais, ante a impossibilidade de alargar a generosidade, que lhe facultaria o amadurecimento psicológico para a saudável convivência social, para o desenvolvimento interior dos valores nobres do amor e da solidariedade.

A miopia emocional defluente do predomínio da sombra no comportamento do ser humano impede-o que veja a harmonia existente na vida. 

As imperfeições morais que não foram modificadas pelo processo da sua diluição e substituição pelas conquistas éticas atormentam o ser, fazendo-o refratário, senão hostil a todos os movimentos libertários. 

Não há no seu emocional, em conseqüência, nenhum espaço para o louvor, o júbilo, a gratidão. 

Desse modo, os conflitos que se originaram em outras existências e tornaram-se parte significativa do ego predominam no indivíduo inseguro e sofredor, que se refugia na autocompaixão ou na vingança, de forma que chame a atenção, que receba compensação narcisista, aplauso, preservando sempre suspeitas infundadas quanto à validade do que lhe é oferecido, pela consciência de saber que não é merecedor de tais tributos...

Acumuladas e preservadas as sensações que se converteram em emoções de suspeita em de ira, de descontentamento e amargura, projetam-nas nas demais pessoas, por não acreditar em lealdade, amor e abnegação. 

Se alguém é dedicado ao bem na comunidade, é tido como dissimulador, porque essa seria a sua atitude (da sombra). 

Se outrem reparte alegria e constrói solidariedade, a inveja que se lhe encontra arquivada no inconsciente acha meios de denominá-lo como bajulador e pusilânime, pois que, por sua vez, não conseguiria desempenhar as mesmas tarefas com naturalidade. A ausência de maturidade afetiva isola o indivíduo na amargura e na autopunição. 

Tudo quanto lhe constitui impedimento mascara e transfere para os outros, assumindo postura crítica impiedosa, puritanismo exagerado, buscando sempre desconsiderar os comportamentos louváveis do próximo que lhe inspiram antipatia. 

Assim age porque a sua é uma consciência adormecida, não habituada aos vôos expressivos da fraternidade e da compreensão, que somente se harmonizando com o grupo no qual vive é que poderá apresentar-se plena. 

Autoconscientizando-se da sua estrutura emocional mediante o discernimento do dever, o que significa amadurecer, conseguirá realizar o parto libertador do ego, dele retirando as suas mazelas, lapidando as crostas externas qual ocorre com o diamante bruto que oculta o brilho das estrelas que se encontram no seu interior.

Urge, pois, adotar nova conduta para se libertar das fixações perversas. Conseguindo despertar dos valores nobres, é inevitável a saída da sua individualidade para a convivência com a coletividade, onde mais se aprimorará, aprendendo a conquistar emoções superiores que o enriquecerão de alegria e de paz, deslumbrando-se ante as bênçãos da vida que adornam tudo, assimilando-as em vez de reclamando sempre, pela impossibilidade de percebê-las. 

O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos emocionais, sempre com a verruma da acusação ou da autojustificação assim como do mal-estar a que se agarra em seguro mecanismo de fuga da realidade.

Nos níveis nobres da consciência de si e da cósmica, a gratidão aureola-se de júbilos, e os sentimentos não mais permanecem adstritos ao eu, ao meu, ampliando-se ao nós, a mim e a você, a todos juntos.

A gratidão é a assinatura de deus colocada na Sua obra.

Quando se enraíza no sentimento humano logra proporcionar harmonia interna, liberação de conflitos, saúde emocional, por luzir como estrela na imensidão sideral... 

Por extensão, aquele que se faz agradecido torna-se veículo do sublime autógrafo, assinalando a vida e a natureza com a presença dEle.

Quando o egoísta insensatamente aponta as tragédias do cotidiano, as aberrações que assolam a sociedade, somente observa o lado mau e negativo do mundo, está exumando os seus sentimentos inconscientes arquivados, vibrantes, sem a coragem de externá-los, de dar-lhes campo livre no consciente. 

A paz de fora inicia-se no cerne de cada ser. Também assim é a gratidão. Ao invés do anseio de recebê-la, tornar-se-lhe o doador espontâneo e curar-se de todas as mazelas, ensejando harmonia generalizada.

A vida sem gratidão é estéril e vazia de significado existencial.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Psicologia da Gratidão

domingo, 27 de janeiro de 2013



 AFLIÇÕES
“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições do Cristo.” – (1ª Epístola de Pedro, 4:13.)

É inegável que em vosso aprendizado terrestre atravessareis dias de inverno ríspido, em que será indispensável recorrer às provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância.

Contemplareis o mundo, na desilusão de amigos muito amados, como templo em ruínas, sob os embates de tormenta cruel.

As esperanças feneceram distantes, os sonhos permanecem pisados pelos ingratos. Os afeiçoados desapareceram, uns pela indiferença, outros porque preferiram a integração no quadro dos interesses fugitivos do plano material.

Quando surgir um dia assim em vossos horizontes, compelindo-vos à inquietação e à amargura, certo não vos será proibido chorar. Entretanto, é necessário não esquecerdes a divina companhia do Senhor Jesus.

Supondes, acaso, que o Mestre dos Mestres habita uma esfera inacessível ao pensamento dos homens? julgais, porventura, não receba o Salvador ingratidões e apodos, por parte das criaturas humanas, diariamente? Antes de conhecermos o alheio mal que nos aflige, Ele conhecia o nosso e sofria pelos nossos erros.

Não olvidemos, portanto, que, nas aflições, é imprescindível tomar-lhe a sublime companhia e prosseguir avante com a sua serenidade e seu bom ânimo.

Caminho, Verdade e Vida – Chico Xavier / Emmanuel