segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A Caridade vem de Dentro






Jorge Gomes



Caridade. Para o espiritismo é a virtude máxima. É indiscutível que começa em casa, e, em síntese, é o amor em movimento.

Na óptica espírita, o oposto da caridade é o egoísmo. Ela é generosa, ele é mesquinho.

Não está em causa o manicaísmo resultante das concepções que se recusam a ver o ser humano como alguém submetido ao trabalho da sua própria evolução: todo o bem de um lado, do outro o mal. Herculano Pires já dissertou com mestria sobre a função do egoísmo nos horizontes evolutivos de onde vimos, via reencarnação, na sua obra «Curso Dinâmico de Espiritismo». O egoísmo é uma forma de comportamento que estamos a abandonar e que encontra as suas causas profundas no eterno desejo de estar bem, embora siga, é claro, pelo caminho errado. Ser não é possuir. Estar não é ser.

Não justifiquemos por isso o egoísmo, a que estamos a deixar de tender, quando se percebe que já temos condições de melhorar.

Essa tendência no percurso evolutivo de qualquer pessoa é parecida com a corrente de um curso de água na busca do oceano. Os rios, a partir da nascente, são rápidos, de leito abrupto, mas amansam à medida que atingem o mar e que envelhecem. Na evolução é também assim. E estamos no início, não nos iludamos.

Tão inconsciente é essa tendência de sermos egoístas, como se compreende, que agimos com ele, vindo de nós próprios, nas suas diversas roupagens sociais - a veste familiar, o pano comunitário e a farda nacional.

Resultados

Viver por viver não satisfaz. É importante viver bem. Seja neste plano de vida material, seja no Além. O egoísmo resseca, desalenta, infelicita. O amor refaz, desanuvia, alegra, e jamais se desgasta, tanto mais quanto mais depurado é. Isso porque é a meta evolutiva a que tendemos, em estágios mais amadurecidos.

A caridade - nada mais que o amor em movimento - é a grande desconhecida. Passa na história da Humanidade com personagens memoráveis, e assim sonhamos tê-la connosco. O grande problema é o de a conquistar: ela não se compra nem se transfere de uns para outros. Adquire-se, construindo-a no imo. Não é um objecto.

Também não é obra construída de agora para logo ou de hoje para amanhã, como um produto acabado. O psiquismo humano é complexo, como se se compusesse de diversas camadas que se justapõem numa individualidade una e única.

Um mergulho de superfície na caridade não é de desperdiçar. Mas daí a acreditar-se que o problema de a assimilar é imediato e rápido vai um longo caminho que desmente essa ilusão: o da experiência.

É compreensível: evoluir, amadurecer espiritualmente, não é seguir regras de fora para dentro, memorizar, mas sim debater ideias, estudar, aprender, testar, vivenciar para constituir sabedoria. E esta, património irreversível (quando muito apenas ocultado temporariamente via reencarnatória ou outra), segundo as situações concretas, verte atitudes luminosas de dentro para fora, sem esperar ou desejar aplauso, que não seja o da sua consciência feliz.

Ser e parecer

Caridade não é «caridadezinha». Temos uma amiga cuja prática é admirável. Integra uma equipa directora de uma associação de protecção à infância. Há algum tempo houve um jantar beneficente ilustrado com quem dizem ser o herdeiro da extinta coroa portuguesa. Esgotados os lugares, entre os sócios houve uma senhora que ficou ofendida por não lhe reservarem bilhetes ao ponto de entre impropérios dizer que ia deixar de ser sócia.

É um exemplo clássico. A contribuição dessa senhora revoltada feita até à data não perdeu valor. Ela é que rejeita a alegria de continuar a colaborar na satisfação das necessidades dessas crianças em séria dificuldade. Essa mistura do egoísmo e do orgulho com a caridade não é coisa fácil de erradicar. Porquê?

Porque a evolução para ser real, autêntica, tem de ser amadurecida em todas as camadas do nosso psiquismo, das mais superficiais para as mais profundas, e só quando atinge, se sedimenta nestas é que se torna mais frequente.

Vejamos a definição elevada, sucinta, clara e completa de «O Livro dos Espíritos»:

Allan Kardec: - Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entende Jesus?

Resposta: - Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Doação imaterial

Caridade é doação afectiva, desinteressada, espontânea. Traz aos destinatários um bem-estar real, não um gozo periférico. O espírito Emmanuel, numa mensagem ensina que ficamos apenas com o que damos.

Caridade é a fraternidade que acompanha o gesto, a atitude interior. Não é o gesto visualizado. Este pode apenas querer parecer, para merecer o aplauso mundano, conforme descreve o Evangelho.

Pensar nos outros, nas suas dificuldades. Ajudar... sem atrapalhar.

Neste cenário, contudo, quando uma mão se estende para auxiliar, torna-se necessário, em geral, que haja uma mão que queira receber. Este é um dos maiores entraves ao processo de aproximação que envolve a caridade. Os espíritos mais sábios sabem «convencer» o necessitado a aceitar a contribuição fraterna, ao cativá-lo, sensibilizando-o.

A caridade vai-se sedimentando no nosso comportamento tanto mais quanto mais o quisermos, sem angústias ou pressas. E começa nas mais pequeninas coisas. Às vezes ajuda reflectir no lado bom das pessoas mais próximas, em casa, no trabalho, na rua, ou das circunstâncias. Pensar na caridade sem ser de cima para baixo, como sendo eu o bom e o outro o desgraçado. Somos seres que caminhamos lado a lado, todos necessitados do amparo recíproco. Temos momentos melhores umas vezes, de outras têm os outros.

O que não resulta, por certo, é fazer cobranças a outrem, porque é melhor convencermo-nos, em benefício próprio, que ninguém - mas mesmo ninguém - tem qualquer obrigação de ser caridoso connosco, mas, de facto, nós próprios temos a maior obrigação de ser caridosos com os demais, entendendo-os, perdoando o que houvesse a perdoar, agradecendo a quota de generosidade com que de uma forma ou de outra nos beneficiam...

E aí, caridade pode ser o silêncio de alguém que nos tolera algum desassossego.

Os amigos

Às vezes, irreflectidamente, acreditamos que os nossos amigos são aqueles que jamais nos apontam os enganos, que nos dizem que somos os maiores do mundo, que nos batem nas costas, mesmo quando estamos quase a caminho de um colapso de consciência.

Caridade não é aplaudir, apoiar a asneira. É manter a fraternidade de, na altura certa, sem violência, dizer o que se pensa, mesmo que não nos seja perguntado directamente.

Dar mais espaço a alguém em caminhada acelerada para estertorosa queda não é ser seu amigo. Aparecer como se lhe desse apoio, isso não é ajudá-lo.

A caridade não exclui a disciplina nem uma conduta coerente, mas sem agressividade.

Caridade social

A nossa tendência a tomar os conteúdos pela forma conduz a confusões como as de considerar que a prática da caridade para ser autêntica obriga a participar necessariamente - e em casos extremos até a criar - em obras de assistência social como orfanatos, hospitais, lares de idosos. Diz-se que o movimento espírita brasileiro passou a ser respeitado pelas obras dessa índole que foi criando com muito altruísmo. Até pode ser. Mas o facto é que o que dignifica mesmo, e passa uma boa impressão para quem não é espírita, é a conduta da pessoa em causa: o seu equilíbrio, a sua brandura, a sua paz, a sua capacidade de perdoar, numa palavra o seu timbre de caridade.

Esta virtude não nasce de fora para dentro, a partir de regulamentos: é manifestação afectiva de dentro para fora. A base da caridade assenta na sensibilidade, no conhecimento, no discernimento.

Depois, a caridade não tem rótulo. Não existe uma caridade espírita, outra budista, etc.. O amor em movimento - a caridade - é universalista, ajuda sem olhar a quem, levantando o ser para a dignificação de si próprio. É louvável matar a fome e a sede a quem a tem, inquestionavelmente. Mas proporcionar-lhe educação para prover a si próprio é o mais desejável. A maior caridade não será a divulgação do espiritismo?



Fonte: Revista de Espiritismo nº. 34 - FEP

domingo, 30 de dezembro de 2007

A morte da filha de Pelé.

Arthur da Távola.


Não sou juiz de pessoas.
Cada ser humano tem direito a seu mistério
e à sua subjetividade.
Por isso, não escrevo para julgar o Pelé,
como tenho lido fartamente por aí.

Quero apenas traduzir um sentimento especial
que me dominou, quando soube da morte
de sua filha, em Santos, precoce,
por câncer fulminante.
Sempre que a vi na televisão, impressionou-me
a semelhança com o pai e com os traços de Pelé atenuados e arredondados.
Pelé tem olhos mongólicos.
Ela os possuía redondos, tristes e belos.
Pelé é e está sempre a sorrir, devolvendo à vida
o que esta lhe deu em milagre e dádivas.
Essa moça, não.
Apesar de bonita de rosto, padecia de uma
solidão adivinhada, precisou do exame do DNA
para ser reconhecida como filha,
o pai nunca ou quase nunca a visitou.
E mandou uma coroa a seu enterro.
Não compareceu (compadeceu?)

Há mistérios empáticos entre os seres humanos.
No rosto daquela quase menina, como diz o samba
do Sérgio Bittencourt sobre seu pai Jacob do Bandolim, ficou "a saudade dele a doer em mim".
Desconheço causas, intimidades,
pormenores da vida dela.
E as razões do pai.
Apenas sei que havia sido reeleita Vereadora,
o que já é sinal de trabalho aprovado.

Como vivem as pessoas que procuram
um pai ou a mãe por toda uma vida?
Digo-o por mim. Meu pai não me abandonou.
Ao contrário, amava-me profundamente.
Porém morreu quando eu tinha recém feito
onze anos de idade.
Entrei na puberdade, adolescência, juventude,
na vida, sem pai.
Um dia, muitos anos depois, li em Freud
que a perda de um pai nesta fase constitui-se
em irreparável tragédia.
Por sorte, minha mãe soube ser "mãepai".
Mas a verdade é que, aos setenta anos,
ainda procuro meu pai nas dobras da memória,
nos esconderijos do Mistério.
E, desde rapaz, sempre selecionei inconscientemente alguns pais optativos nas pessoas com quem convivi, admirei e muito me influenciaram: Anísio Teixeira, Marcial Dias Pequeno, Dr. Américo Piquet Carneiro, Orizon Carneiro Muniz, Dr. Pedro Figueiredo Ferreira, Dr. Domício de Arruda Câmara,
meu tio Geraldo Moretzsohn e meus outros tios
Mario Gonçalves Ramos e Willy Koff.
Sem falar em dezenas de escritores.
Suspendo as menções, pois levaria a crônica inteira
a citar nomes, mas sempre gente mais velha constituiu
o meu rol de admirações filiais.

Acalento e acalanto em minha empatia
a solidão desta moça a quem o pai
(por motivos que só ele deve saber)
jamais a quis como filha.
E sinto a sua dor como se minha fosse.
Corrói saber de uma solidão cósmica e irreparável.

É... acho que Freud tinha razão: perder um pai
desde cedo, ou nunca tê-lo, é a dor de uma tragédia existencial que se leva para o túmulo.
Em vida, jamais desaparece.
Quem souber responder de modo cabal a este sortilégio do destino, por favor, cartas para o endereço
de meu site publicado logo aqui abaixo.
E, desde já, agradeço a iluminação que vier a receber.


Artur da Távola

CONVÉM REFLETIR








“Mas todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” – (Tiago, 1:19)



Analisar, refletir, ponderar são modalidades do ato de ouvir. É indispensável que a criatura esteja

sempre disposta a identificar o sentido das vozes, sugestões e situações que a rodeiam.

Sem observação, é impossível executar a mais simples tarefa no ministério do bem. somente após

ouvir, com atenção, pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva.

Quem ouve, aprende. Quem fala, doutrina.

Um guarda, outro espalha.

Só aquele que guarda, na boa experiência, espalha com êxito.

O conselho do apóstolo é, portanto, de imorrecedoura oportunidade.

E forçoso é convir que, se o homem deve ser pronto nas obserbações e comedido nas palavras,

deve ser tardio em irar-se.

Certo, o caminho humano oferece, diariamente, variados motivos à ação enérgica; entretanto,

sempre que possível, é útil adiar a expressão colérica para o dia seguinte, porquanto, por vezes,

surge a ocasião de exame mais sensato e a razão da ira desaparece.

Tenhamos em mente que todo homem nasce para exercer uma função definida. Ouvindo sempre,

pode estar certo de que atingirá serenamente os fins a que se destina, mas, falando, é possível que

abandone o esforço ao meio, e, irando-se, provavelmente não realizará coisa alguma.



Livro: CAMINHO VERDADE E VIDA

Francisco Cândido Xavierpelo espírito: EMMANUEL

PONTE PARA A SANIDADE

Livro: A Imensidão dos Sentidos
Hammed & Francisco do Espírito Santo Neto


"A faculdade mediúnica é indício de um estado patológico anormal?
Algumas vezes anormal, mas não patológico; há médiuns de uma saúde vigorosa; os que são doentes, o são por outras causas. "
(Livro dos Médiuns - 2ªParte - cap. XVIII, item 221-1)

Na Antigüidade, a cura das doenças era assunto dos sacerdotes e, portanto, da religião.

Os médicos do clero tratavam os doentes por meio de rituais e cantos mágicos em santuários enormes.

A enfermidade era considerada como a cólera de Deus, e os religiosos atuavam como intermediários ou "pontes" entre a Divindade e os homens.

Operavam como "pontífices", ou seja, "construtores de pontes" (do latim "pontifex", palavra para designar sacerdote).

Há muito tempo a tradição católica presta homenagem ao Papa, conferindo-lhe o título de Sumo Pontífice.

No passado, as enfermidades eram vinculadas à culpa, isto é, aos pecados.

O arrependimento dos erros estava intimamente ligado à cura do doente; a penitência reconciliava a criatura novamente com Deus.

Como os médiuns, na atualidade, são denominados "intermediários" ou "pontes" entre o mundo físico e o espiritual, e a mediunidade é vista, muitas vezes e de forma confusa, como "dádiva sagrada" ou "corretivo divino", isso pode levar as criaturas a tirar conclusões equivocadas.

Todos nós somos herdeiros de inúmeras experiências do pretérito.

Encontram-se impressos em nossos painéis do inconsciente profundo idéias e conceitos incorretos, remanescentes do passado distante, depositados desde tempos imemoriais em nosso arcabouço psicológico.

É preciso renovarmos essas concepções inadequadas sobre a Espiritualidade, para melhor entendermos os mecanismos da Vida Providencial.

Em muitas circunstâncias, interpretamos novos conhecimentos sem dissociar nossos velhos conceitos.

A capacidade mediúnica é considerada uma percepção inerente à estrutura psíquica das criaturas; por isso é que a encontramos nos mais diferentes níveis de consciência da humanidade.

Ela não é moral, mas sim amoral.

É simplesmente uma das funções psicofisiológicas do ser humano.

Em virtude disso, podemos enquadrá-la como um dos sentidos de que a alma se utiliza a fim de manifestar-se e desenvolver-se, gradativamente, para a plenitude da vida.

A faculdade medianímica não gera doenças.

Ela não pode ser responsabilizada pelo estado patológico das criaturas; é, antes de tudo, uma excelente ferramenta para ajudá-las a despertar espiritualmente e a compreender a si mesmas, os outros seres e o Universo.

Quando exercitada, porém, de modo impróprio pode trazer riscos às pessoas psicologicamente frágeis ou vulneráveis.

O fenômeno psíquico em si não produz a insanidade.

No entanto, toda e qualquer faculdade, quando exercida de forma exaustiva e prolongada, pode conduzir à fadiga ou à enfermidade.

Uma pessoa tem em alto grau o dom de cantar e o utiliza, ou para glorificar as belezas da Terra, ou para exaltar canções obscenas.

Mas, neste caso, sua voz não pode ser julgada imoral.

Os olhos, além de transmitir nossos sentimentos e intenções, também colhem as impressões e a disposição dos outros. Eles tanto expressam emoções puras e sadias, que nascem do coração, como também inveja e revolta, que exalam um brilho estranho de hipocrisia.

Contudo, a visão não pode ser acusada de agente de falsidade ou desequilíbrio.

As mãos, quando empregadas na canalização da energia nuclear, podem iluminar e aquecer os lares; assim como podem explodi-los, se utilizadas indevidamente.

O sexo, é um dos departamentos mais sublimes da natureza humana. Cria, através das emoções sexuais, as energias necessárias para a manutenção dos afetos e a materialização das formas.

Há, porém, quem o utilize para a satisfação das sensações mais grosseiras e torpes.

Isso, contudo, não lhe tira o mérito sublime para o qual foi criado.

É sempre a criatura que, servindo-se de seus sentidos, dá à sua existência um destino construtivo ou destrutivo. Nós é quem decidimos que fim vamos dar aos nossos recursos e possibilidades.

Todavia, não podemos nos esquecer de que somos livres para escolher nossos atos e atitudes, mas prisioneiros de suas conseqüências.

Precisamos aprender a usar a mediunidade, assim como usamos normalmente as nossas capacidades humanas - a percepção, a atenção, o bom senso, a memória, o critério lógico, a linguagem, enfim, todas as atividades do nosso reino interior.

Por sua vez, não é recomendável utilizar as faculdades psíquicas para explorar "outros mundos", até que tenhamos o pleno controle do mundo em que estamos vivendo aqui e agora.

Desenvolver nosso "sexto sentido" não é um meio de resolver problemas comportamentais cuja solução está ao nosso alcance; de buscar auxílios imediatistas, de tirar proveitos pessoais, de conseguir respostas paliativas para problemas reais. Quando começamos a vivenciar experiências extra-sensoriais, é a hora urgente de intensificarmos a análise distintiva da realidade e da ilusão.

Em muitas ocasiões, habilidades transcendentais quando mal elaboradas podem nos levar a ser "servos apaixonados", mas "discípulos distraídos".

A compreensão da faculdade mediúnica torna-se confusa e difícil para nós na medida em que também vemos os traços característicos de certas doenças mentais. Pois os sinais precursores da mediunidade podem eclodir e ser confundidos com os sintomas das deficiências fisiopsíquicas.

Em razão disso, nem sempre se pode compreender com facilidade, ou ver com clareza, a distinção entre as manifestações mediúnicas, em seu inicio, e os estados doentios.

Mediunidade é um produto do processo de desenvolvimento da natureza humana.

Médiuns não são "agraciados", nem "enfermos". São uma verdadeira "ponte para a sanidade".

Podem, sim, se tornar verdadeiros pontífices ("construtores de pontes") em busca da saúde integral - estado de consciência em harmonia plena com as leis naturais do Universo.

Religando a si mesmos com a Fonte Divina, eles são capazes de preparar caminhos para que se estabeleça a cura real para a humanidade.

Diante dessas nossas considerações, finalizamos com a resposta dos Espíritos Superiores quando afirmam a Allan Kardec que o fenômeno mediúnico pode ser considerado "algumas vezes anormal, mas não patológico; há médiuns de uma saúde vigorosa; os que são doentes, o são por outras causas".

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

NATAL DE AÇÃO


NATAL DE AÇÃO

Quando Jesus nasceu, os valores éticos haviam sido substituídos pela
hegemonia da força, que dominava, gerando aflições em toda parte.

Os direitos humanos, desprezados, permitiram que a criatura valesse
menos que um animal de carga, animais a que se viam reduzidos os que
tombavam nas armadilhas da astúcia, da delinqüência e da guerra.

O mundo era um burgo do Império romano, que se estendia praticamente
por toda a Terra conhecida.

Jesus chegou e modificou as estruturas do comportamento social,
criando um conceito surpreendente de vida, que deu margem ao
surgimento do homem integral.

Estabeleceu a ética do amor, fundamentanda no dever e na disciplina,
demonstrando que o poder da força nada logra, senão amontoar
cadáveres e deixar rastros de destruição...

Comprovando a anterioridade do ser ao corpo e a sua sobrevivência à
morte, edificou um reino nos corações, capaz de resistir a todas as
conjunturas.

Seu verbo, sustentado pelo combustível do exemplo, penetrava nos
ouvintes como uma luz que jamais se apagaria, traçando rotas de
segurança para todo o sempre.

Quem O ouvisse não permaneceria indiferente: amava-O ou detestava-O.

Arrebatou multidões que se sucederam, espraiando pelos quadrantes do
globo terrestre uma onda de esperança.

É verdade que as circunstâncias e as ocorrências atuais são mui
semelhantes àquelas, as do Seu tempo.

Ao lado das conquistas tecnológicas surgem os decepcionantes
resultados éticos, na vastidão da miséria moral, social e econômica
que consome as criaturas...

Todavia, nunca foi tão marcante a presença de Jesus, no mundo, quanto
agora.

Descrucificado, ele inspira homens e Instituições à mudança de
compoprtamento, alterando as porpostas filosóficas da sociedade, que
se deve tornar mais justa e equânime em relação aos sofredores que
enxameiam em toda parte.

Demitizado, ele participa das lutas daqueles que O amam,
impulsionando- os à ação transformadora de urgência, em prol de um
mundo melhor.

Sua mensagem vibra em inúmeras mensagens que proclamam a necessidade
da paz, da não-violência, do amor.

Ele age através de incontáveis mãos que se transformam em alavancas
de progresso, não se permitindo a paralisia nem a indiferença ante a
fraqueza dos vencidos e a pequenez dos oprimidos.

Une a tua às vozes do bem que instalam a Era da fraternidade entre os
homens.

Segue laborando com os que arrebentam as algemas do conformismo em
favor dos caídos e dos desditosos.

Não te permitas a inação, que é a morte da alma.

Atua com os teus recursos, modestos que sejam, esse sublime
investimento da divindade, auxiliando-o a adquirir dignidade e valor,
metas que o Evangelho propõe a todos os de boa vontade, sobre os
quais pairará a paz na Terra e fora dela.

Comemora o Natal do Cristo, repartindo amor e esperança, trabalho e
fraternidade com as demais criaturas, confirmando, dessa forma, que
Ele já nasceu em ti, e age com elevação que O caracterizou quando
aqui esteve no passado.

[Joanna de Ângelis]
[Divaldo P.Franco]
[Viver é Amar]
[Editora LEAL]

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

INDULGÊNCIA PERMANENTE






Escasseia, cada vez mais, no comportamento humano, a indulgência.
Relevante para o êxito da criatura em si mesma e em relação ao próximo, o
pragmatismo negativo dos interesses imediatos vem, a pouco e pouco,
desacreditando-a, deixando-a à margem.
Sem a indulgência no lar, diante das atitudes infelizes dos familiares
ou em referência aos seus equívocos, instala-se a malquerença; na
oficina de atividades comerciais, produz a desconfiança; no trato social
propicia o desconforto moral e responde pela competição destrutiva...
Tentando substituí-la, as criaturas imprevidentes colocam nos lábios a
mordacidade no trato com o semelhante, a falsa superioridade, a
ofensa freqüente, a hipocrisia em arremedos de tolerância.
A indulgência para com as faltas alheias é perfeita compreensão da
própria fragilidade, a refletir-se no erro de outrem, entendendo que
todos necessitam de oportunidade para recuperar-se, e facultando-a sem
assumir rígido comportamento de censor ou injustificável postura de
benfeitor.
A indulgência é um sentimento de humanidade que vige em todas as
pessoas, aguardando desdobramento e vitalidade que somente o esforço de cada
qual logra realizar.
É calma e natural, fraterna e gentil, brotando como linfa cristalina ao
alcance do sedento.
Generosa, não guarda qualquer ressentimento, olvidando as ofensas a
benefício do próprio agressor.
A indulgência é um ato de amor que se expande e de caridade que se
realiza.
Mede-se a conquista moral de um homem pelo grau de indulgência que
possui em relação aos limites e erros alheios.
Ninguém que jornadeie, no mundo, sem errar e que, por sua vez, não
necessite da indulgência daqueles a quem magoa ou contra os quais se
levanta.
A indulgência pacifica o infrator, auxiliando-o a crescer em espírito e
abre áreas de simpatia naquele que a proporciona.
Virtude do sentimento, a indulgência revela sabedoria da razão. Agredido
pela ignorância do poviléu, ou pela astúcia farisaica, ou pela
covardia dos amigos, ou pela pusilanimidade de Pilatos, Jesus foi
indulgente para com todos, não obstante jamais houvesse recebido ou
necessitasse da indulgência de quem quer que fosse.
Lecionando o amor, toda a Sua vida é um hino à indulgência e uma
oportunidade de redenção ao equivocado.

Sê, pois, tu também, indulgente em relação ao teu próximo, quão
necessitado te encontras da indulgência dos outros assim como da Vida.
(De: "Viver e amar", de Divaldo P. Franco - Joanna de Ângelis)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Actualidade do Natal











Andando sem rumo, sob o flagício de mil aflições,
o homem moderno deixa-se dominar pelo desânimo ou pela ansiedade,
malbaratando o valioso contributo da inteligência e do sentimento com que a vida o enriqueceu,
exaurindo-se, ora no consumismo insensato, ora na revolta desastrada por falta de recursos económicos ou emocionais para realizar-se.

A insatisfação é a tónica do comportamento individual e social que vige na Terra.

Aqueles indivíduos que experimentam carência de qualquer natureza
lamentam-se e rebolcam-se na rebeldia, que degenera em violência,
enquanto aqueloutros que se encontram afortunados, deixam-se dominar pelas extravagâncias ou pelo tédio,
derrapando, uns e outros, nas viciações perturbadoras
ou na dependência de substâncias químicas de funestas consequências.

As admiráveis conquistas da Ciência e da Tecnologia não os tornaram mais felizes nem menos tensos,
pelo contrário, empurraram-nos na direção trágica da neurastenia ou da depressão nas quais estorcegam.

Indubitavelmente trouxeram incomparável ajuda para a solução de diversos sofrimentos e situações penosas, de progresso material e social,
porém, não conseguiram penetrar o cerne dos seres humanos, modificando-lhes as disposições íntimas em relação à existência terrena e aos seus objetivos essenciais.

Considerando a vida apenas do ponto de vista material, sem as consequentes avaliações em torno do Espírito imortal, o comportamento materialista domina as mentes e os corações, que acreditam na felicidade em forma de valores amoedados, satisfações dos sentidos, destaque social e harmonia física...

Vive-se o apogeu da glória tecnológica diante dos descalabros comportamentais que jugulam os seres humanos aos estados primevos da evolução.

Há conquistas do Infinito sem realização pessoal, sorrisos de triunfo sem sustentação de felicidade, que logo se transformam em esgares, situações invejáveis mas alicerçadas na miséria, na doença e no desconforto das pessoas excluídas...

Faltando-lhes, porém, a vivência dos compromissos ético-morais, logo se lhes apresentam os desapontamentos íntimos, e os conflitos se lhes instalam devoradores.

Uma tormenta inigualável paira nos céus da sociedade moderna, ameaçando-a com tragédias inomináveis.


Em período idêntico, no passado, salvadas as distâncias compreensíveis, veio Jesus à Terra.

O mundo encontrava-se conturbado pelo poder mentiroso, pela falácia dos dominadores, pelas ambições desmedidas, pelas conquistas arbitrárias, pelas ilusões tresvariadas...

Predominavam o luxo e a ostentação em alguns segmentos da humanidade, enquanto nos porões do abandono em que desfaleciam, incontáveis criaturas espiavam angustiadas o passar do tufão devorador...

Apareceu Jesus, e uma aragem abençoada varreu o mundo, modificando-lhe a psicosfera.

Sua voz levantou-se para profligar contra o crime e a insensatez, contra a indiferença dos fortes em relação aos seus irmãos mais fracos, contra a hipocrisia e o egoísmo então vigentes e dominantes como hoje ocorrem......

Misturando-se aos mutilados do corpo e da alma, ergueu-os do pó em que se asfixiavam, conduzindo-os na direção da glória estelar, demonstrando-lhes que a vida física é experiência transitória, e que os valores reais são os que pertencem ao Espírito imortal.

Utilizou-se da cátedra da Natureza e ensinou a felicidade mediante o desapego e o despojamento das alucinantes prisões às coisas e às paixões materiais.

Cantou a esperança aos ouvidos da angústia e proporcionou a saúde temporária a quantos se Lhe acercaram, alentando-os com a certeza da plenitude após vencidas as etapas de regeneração e de resgate que todos os seres se impõem no processo da evolução.

Atendeu a dor de todos os matizes, defendeu os pobres e oprimidos, os esfaimados e sedentos de justiça, a quem ofereceu os preciosos recursos de paz.
No entanto, quando acusado, abandonado, marchando para o testemunho, elegeu o silêncio, a submissão à vontade de Deus, a fim de ensinar pelo exemplo resignação e misericórdia para com os maus e perversos, confirmando a indiferença pelos valores do mundo físico destituídos de utilidade.

... E permanece até hoje como O Triunfador não conquistado, que prossegue alentando os padecentes, convocando-os à transformação moral para a conquista dos imperecíveis tesouros internos do amor, do perdão, da caridade, da paz...


Recorda-te de Jesus neste Natal e reaproxima-te d'Ele, analisando como te encontras e de que forma deverias estar moralmente, conscientizando-te do que já fizeste e de quanto ainda podes e deves investir em favor de ti mesmo e do teu próximo mais próximo, no lar, na rua, na humanidade...

O Natal é presença constante do amor e do bem na atualidade de todos os tempos.

Não te esqueças que a evocação do nascimento do Excelente Filho de Deus entre as criaturas humanas, é um convite para que O permitas renascer no teu íntimo, se estiver desaparecido da tua emoçao, ou prosseguir vivo e atuante nos teus sentimentos, convidados à construção da solidariedade, do dever e da lídima fraternidade que deve viger entre todos os seres sencientes que vagueiam no Planeta.

... E deixa que Jesus te fale novamente à acústica do coração e aos escaninhos da mente, repetindo-te o poema imortal das Bem-Aventuranças.


Joanna de Ângelis

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco,
no dia 20 de setembro de 2002,
no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)