quarta-feira, 10 de junho de 2009

Casamento e Divórcio

Divórcio, edificação adiada, resto a pagar no balanço do espírito devedor. Isso geralmente porque um dos cônjuges, sócio na firma do casamento, veio a esquecer que os direitos na instituição doméstica somam deveres iguais.

A Doutrina Espírita elucida claramente o problema do lar, definindo responsabilidades e entremostrando os remanescentes do trabalho a fazer, segundo os compromissos anteriores em que marido e mulher assinaram contrato de serviço, antes da reencarnação.

Dois espíritos sob o aguilhão do remorso ou tangidos pelas exigências da evolução, ambos portando necessidades e débitos, combinam encontro ou reencontro no matrimônio, convencidos de que união esponsalícia é, sobretudo, programa de obrigações regenerativas.

Reincorporados, porém, na veste física, se deixam embair pelas ilusões de antigos preconceitos da convenção social humana ou pelas hipnoses do desejo e passam ao território da responsabilidade matrimonial, quais sonâmbulos sorridentes, acreditando em felicidade de fantasia como as crianças admitem a solidez dos pequeninos castelos de papelão.

Surgem, no entanto, as realidades que sacodem a consciência.

Esposo e esposa reconhecem para logo que não são os donos exclusivos da empresa. Sogro e sogra, cunhados e tutores consangüíneos são também sócios comanditários, cobrando os juros do capital afetivo que emprestaram, e os filhos vão aparecendo na feição de interessados no ajuste, reclamando cotas de sacrifício.

O tempo que durante o noivado era todo empregado no montante dos sonhos, passa a ser rigorosamente dividido entre deveres e pagamentos, previsões e apreensões, lutas e disciplinas e os cônjuges desprevenidos de conhecimento elevado, começam a experimentar fadiga e desânimo, quanto mais se lhes torna necessária a confiança recíproca para que o estabelecimento doméstico produza rendimento de valores substanciais em favor do mundo e da vida do espírito.

Descobrem, por fim, que amar não é apenas fantasiar, mas acima de tudo, construir. E construir pede não somente plano e esperança, mas também suor e por vezes aflição e lágrimas.

Auxiliemos, na Terra, a compreensão do casamento como sendo um consórcio de realizações e concessões mútuas, cuja falência é preciso evitar.

Divulguemos o princípio da reencarnação e da responsabilidade individual para que os lares formados atendam à missão a que se destinam.

Compreendamos os irmãos que não puderem evitar o divórcio porquanto ignoramos qual seria a nossa conduta em lugar deles, nos obstáculos e sofrimentos com que foram defrontados, mas interpretemos o matrimônio por sociedade venerável de interesses da alma perante Deus.

* * *
Waldo Vieira. Da obra: Sol nas Almas.
Ditado pelo Espírito André Luiz.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ação da Amizade

A amizade é o sentimento que imanta as almas unas às outras, gerando alegria e bem-estar.

A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.

Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.

Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!

O egoísmo afasta as pessoas e as isola.

A amizade as aproxima e irmana.

O medo agride as almas e infelicita.

A amizade apazigua e alegra os indivíduos.

A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.

Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.

Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.

Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam.

Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.

Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.

Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.

Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.

A amizade é fácil de ser vitalizada.

Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez.

Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.

Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.

A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.

* * *
Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Esperança.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
LEAL.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Perdoar




Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor.

Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.

Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo.
Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.

Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for.
O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia.
O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro.

Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem.

Todo agressor sofre em si mesmo. É um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor.
O que te é Inusitado, nele é habitual.
Se não te permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás!

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.
O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante.
A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos.
E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.

Que é o "Consolador", que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.

"Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes". Mateus: 18-22.
"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas". O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X - Item 4.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Florações Evangélicas

domingo, 7 de junho de 2009

Fantasias Mediúnicas

O exercício da mediunidade através da
diretriz espírita é ministério de
enobrecimento, atividade que envolve
responsabilidade e siso.

Não comporta atitudes levianas, nem
admite a insensatez nas suas expressões.

Caracteriza- se pela discrição e elevação
de conteúdo, a serviço da renovação do
próprio médium, quanto das criaturas de
ambas as faixas do processo espiritual:
fora e dentro da carne.

Compromisso de alta significação, é
também processo de burilamento do médium,
que se deve dedicar com submissão e
humildade.

Exige estudo contínuo para melhor
aprimoramento de filtragem das mensagens,
meditação e introspecção com objetivos de
conquistar mais amplos recursos de ordem
psíquica, e trabalho metódico, através de
cujos cometimentos o ritmo de ação propicia
mais ampla área de percepção e registro.

Em razão disso, a mediunidade digna jamais
se coloca a serviço de puerilidades e
fantasias descabidas, fomentando fascinação
e desequilíbrio, provocando impactos e
alienando os seus aficionados. ..

Não se oferece para finalidades condenáveis,
nem se torna móvel de excogitações inferiores,
favorecendo uns em detrimento de outros.

Corrige a óptica da tua colocação a respeito
da mediunidade.

Sê simples e natural no desempenho do teu
compromisso mediúnico.

Evita revelações estapafúrdias, que induzem
a estados patológicos e conduzem a situações
ridículas.

Poupa-te à tarefa das notícias e informações
deprimentes, desvelando acontecimentos que
te não dizem respeito e apontando Entidades
infelizes como causa dos transtornos daqueles
que te buscam.

Sê comedido no falar, no agir, no auxiliar.

Reconhece a própria insipiência e dependência
que te constituem realidade evolutiva, sem
procurar parecer missionário, que não és,
nem tampouco privilegiado, que saber estar
longe dessa injusta condição em relação aos
teus irmãos.

Não usa das tuas faculdades mediúnicas para
ampliar o círculo das amizades, senão para o
serviço ao próximo, indistintamente.

Deixa-te conduzir pelas correntes superiores
do serviço com Jesus e, fiel a ti mesmo,
realizarás a tarefa difícil e expurgatória
com a qual estás comprometido, em razão do
teu passado espiritual deficiente.


Jesus, o Excelente Médium de Deus, jamais se
descurou, mantendo a mesma nobre atitude
diante dos poderosos do mundo quanto dos
necessitados, dos doutos como dos incultos,
dos ataviados pela ilusão, assim como diante
dos simples, ensinando, amando e servindo
sem cessar.

Nunca atemorizou alguém com revelação
superior à capacidade dos Seus ouvintes e
mesmo quando se reportou aos acontecimentos
renovadores do futuro, no "fim dos tempos",
envolveu em símbolos as Suas palavras,
anunciando as alegrias e esperanças do
"reino dos Céus", que então se
estabelecerá na Terra.

[Joanna de Ângelis]
[Divaldo Franco]
[Otimismo]
[Editora LEAL]

KRISHNAMURTI Y LA TEOSOFÍA

RADHA BURNIER Y P. KRISHNA (Diálogo Varanasi 28-03-2008)

P.K.: He leído que Madame Blavatsky y la señora Besant dijeron que la Teosofía no es una religión; ella es la religión. Ellas también la llamaron la religión-sabiduría. Así, me gustaría comenzar nuestro diálogo preguntándonos: ¿Qué es la esencia de la Teosofía?

R.B.: No es sólo Madame Blavatsky y la señora Besant, sino también muchos miembros prominentes de la Sociedad Teosófica que vinieron tras ellas, quienes han dicho que la Teosofía es una palabra fácil de traducir pero difícil de definir. Veamos a la palabra misma: Sophía significa sabiduría. Es muy difícil para nosotros que somos gente no sabia, que hacemos toda clase de cosas tontas, que sufrimos, que no disfrutamos el sentido de beatitud que pertenece a los sabios, decir quien es sabio o qué es la sabiduría. Realmente no lo sabemos. Entonces está la palabra Theos la cual puede traducirse como divino. Por ello el significado de las dos palabras unidas es sabiduría divina. Algunas veces Theos se traduce como Dios. Eso depende sobre lo que significamos por Dios, desde que es una clase de palabra muy dudosa. Dios significa cualquier cosa desde una piedra que usted use para adorar hasta algo que no puede realmente ponerse en palabras. Usted tiene que conocerlo en su corazón. Así, divino es en un sentido una palabra mejor. La Teosofía es sabiduría divina en ese sentido. La pregunta es: ¿Quién la conoce? Existen muchas personas que piensan que ellas conocen algo de Teosofía, pero es una declaración muy dudosa porque la Teosofía sólo puede conocerse por el sabio hasta alguna extensión. Quizás nunca puede conocérsela completamente hasta la liberación del estado de ineptitud que existe en un ser humano. El que conoce nunca diría de sí mismo `soy un teósofo' porque las palabras no tienen pertinencia con la cosa real.

P.K.: Así, si buscamos sondear más profundamente en lo que debemos sondear acerca del posible significado de ambos, `divino' y `sabiduría', conociendo muy bien que un proyectado significado dado por nuestra propia mente no puede representar qué es real. En lugar de definir positivamente qué es la sabiduría, ¿la abarcaremos negativamente porque, quizás, es más fácil decir lo que no es la sabiduría? ¿Podría usted decir que una mente que está cautiva en ilusión, lo cual significa cautiva en imágenes hechas por ella misma, por su imaginación, posiblemente no puede ser sabia ya que ella no está en contacto con lo real?

R.B.: Esto realmente le lleva a uno a ver ante todo la falacia al decir que la Teosofía es la verdad. Esto es muy comúnmente dicho entre gente que es muy seria. Existe una Teosofía la cual aprendemos a través de nuestra vida, quizás tenemos que conocerla minuto a minuto según la vivimos; pero existe también la Teosofía la cual enuncia en palabras la esencia de lo que consideramos ella es. Cada persona que escribe sobre Teosofía, o habla sobre ella, puede pensar que lo que expresa en palabras es realmente inexpresable. La pregunta es: ¿en qué extensión él la expresa? Quizás nadie puede realmente expresarla; pero ciertos fundamentos conectados con lo que es la Teosofía en el sentido real del término puede ponerse en palabras. Pero es muy difícil decir que las palabras que yo uso realmente expresan aquellas verdades.

P.K.: Entiendo esta dificultad en expresar y comunicar una verdad, porque la expresión se hace a través de palabras las cuales tienen significados presionados y diferentes para diferentes personas. Estas son las dificultades de comunicación. Digamos que he percibido algo profundamente y deseo comunicárselo. ¿Cómo lo hago? Esa es la dificultad de expresión y comunicación. Y vuestra habilidad para percibir qué he percibido está sujeta a la dificultad de vuestra ideación y vuestra mente proyectando cosas sobre ello y todo eso que hemos discutido en los últimos días. Sin embargo, ¿no hay verdades eternas sobre la humanidad, sobre la conciencia humana, las cuales son universales? Igual a como los científicos podrían decir que las verdades sobre la naturaleza no nos son totalmente conocidas, no obstante, ellas son universales. Usted puede no comprender totalmente la gravitación o como ella opera, pero no podría ser diferente para un ser humano u otro, así hay una verdad ahí en ella. Nuestra dificultad es, primero, como llegar a estar en contacto con ella, llegar a ser consciente de ella, percibirla como la verdad y entonces en segundo lugar, cómo expresarla, cómo comunicarla. Así, en la ciencia usamos el lenguaje universal de las matemáticas y las encontramos útiles. Pero esencialmente, estamos afirmando que hay verdades sobre la naturaleza las cuales son universales, las cuales son operativas, las cuales son eternas, las cuales no son totalmente conocidas, las cuales llamamos leyes de la naturaleza y estamos intentando descubrirlas.
Podríamos decir una cosa similar sobre la Teosofía: que existe un cuerpo de verdades universales y eternas, las cuales no son sólo para ser conocidas sino también para ser percibidas, estando totalmente alertas al hecho que la verdad en sí misma no es una idea ni un concepto intelectual, sino un hecho. Sólo esa persona percibe realmente el hecho al entrar en contacto directo con ella, en el sentido de la visión de la verdad y no de idear sobre ella. ¿Podría uno decir que la Teosofía es este cuerpo universal, eterno de verdades, quizás tanto sobre la materia como sobre la conciencia, ya que la Teosofía incluye la ciencia, y de tiempo en tiempo seres humanos sabios en diferentes culturas, quienes han sido capaces de dejar caer sus barreras de individualidad, lo que nosotros llamamos liberación, han venido profundamente en contacto con aquellas verdades y desde esa percepción han tratado de comunicarlas, algunos en poesía, algunos en prosa, algunos a través de narraciones? Como usted dijo, ella es indescriptible porque la descripción es a través de palabras y las palabras están asociadas con imágenes, mientras que la percepción está más allá de las palabras y las imágenes. Así, cuando el sabio habla, ello comunica imágenes y conceptos a la mente del que escucha quien tiene entonces que abrirse paso a través de ellas para llegar a una percepción; de otra manera él no percibe la verdad, la cual es la dificultad más grande en comunicar las verdades. Pero dejando a un lado esta dificultad de comunicación, ¿podría decir usted que existe un cuerpo de verdades eternas el cual es universal, el cual es accesible a cualquier ser humano que está deseoso y es capaz de desprender sus imágenes, su limitada individualidad, y que por ello ve a través de esa parte de su ser el cual es universal el cual podemos llamar el ser humano, como distinto de la personalidad individual?

R.B.: Pienso que esta es una mucho más sutil, elusiva clase de visión que la que realizamos. En ciencia se ha dicho mucho sobre la misma cosa que es vista como una onda y una partícula. Usted presume que cuando ve la partícula ella es también una onda, pero ello es sólo una presunción, porque usted no puede ver los dos aspectos a la vez. Cuando decimos que percibimos una verdad ello se refiere a sólo una parte de la verdad. Esta es la dificultad en expresar la verdad. Ella es tan sutil. Así que me parece, que usted no puede ponerla en palabras, por ello usted no puede expresarla. Cuando alguien que ha tenido una idea de una verdad, de tiempo en tiempo trata de traspasarla a otros, él puede estar correcto hasta un punto, pero no del todo. Es difícil realizar porque la verdad como ella aparece en un momento es muy real a la persona interesada. Parece como si el total de la verdad se expresa en esa forma, pero no es así. Ella puede expresarse en una forma diferente en una oportunidad diferente.

P.K.: Porque ella puede ser sólo un aspecto del todo.

R.B.: Basado en este hecho se dice que aún el más sabio de los seres tiene una gran cantidad que puede ponerse en palabras, pero mucho, mucho más que no puede del todo ponerse en palabras. Así, ¿cómo la comunica? No puede. Si usted toma a Krishnaji, por ej., estoy convencida que él conocía muchas cosas en detalle y también en principio lo cual él no podía comunicar a la gente. Pero él recomendaba lo que ellos necesitaban quizás en ese momento. Existía también algo más en lo que él decía que sugería que existe un mundo total de significado que teníamos que encontrar por nosotros mismos.

P.K.: Sí, él ha declarado eso explícitamente, que existe mucho más de lo que vemos, lo cual es insondable, indescriptible, y que él no va a intentar describirlo. Él está sólo señalando las barreras que podríamos derribar si percibimos que las barreras son auto-creadas y efectuadas por el pensamiento superficial; para que la ventana se abra. Pero eso es sólo el comienzo de la exploración, antes de eso uno no está aún explorando la verdad; uno está sólo explorando el muy limitado espacio de lo que uno podría llamar el pensamiento condicionado y a menos que uno quiebre esa barrera, no es útil hablar sobre lo vasto, lo inconmensurable y todo eso, porque esta limitada mente está siempre yendo a traducir esa percepción dentro de lo conocido, la cual podría por ello ser falsa. Los científicos han realizado también este hecho. Aún con respecto a una cosa simple tal como la realidad física, no hablando para nada sobre la conciencia, lo cual es mucho más complejo e intrincado, y de lo cual ellos no comprenden nada o casi nada. Ellos no pueden aún definir qué es la conciencia aunque ellos la usan para hacer ¡su ciencia! Pero, aún con respecto a una cosa tan simple a nuestra concepción de la realidad física —materia, tiempo, espacio y energía— ellos han realizado que lo que podemos concebir está limitado por nuestra propia experiencia, la cual a su vez está limitada por nuestros sentidos. Por ejemplo, nunca vemos la conexión entre espacio y tiempo aunque ellos están conectados en una forma que no somos capaces de percibir porque en nuestra experiencia el espacio y el tiempo siempre han sido dos entidades separadas distintas. Por ejemplo, ellos dicen que el espacio es curvo pero es muy difícil para nosotros imaginar eso. Así, ellos abandonaron hace largo tiempo lo que fue anteriormente dado por seguro y llamado verdades auto-evidentes, tales como que dos líneas paralelas nunca se encontrarán. Ellos dicen que esto es verdad sólo en un cierto tipo de espacio plano del cual usted es consciente; pero el espacio real no es parecido a eso, él es curvo. Si usted dibuja dos líneas paralelas sobre una esfera ellas se encontrarán como dos longitudes se unen al Polo Norte y al Polo Sur. Así, nuestras concepciones aún sobre la realidad física son muy limitadas y ellos ahora están diciendo: `no confíe en su concepción porque vuestra concepción es limitada.' Por ejemplo, usted nunca puede explicar a un hombre que es ciego de nacimiento lo que son realmente los colores.
¿Qué es realmente un electrón? Ellos dicen `no sabemos realmente' Nos ayuda a hacer un modelo de un electrón igual que una bola de billar y llamarla una partícula y explica ciertos comportamientos; y ello también nos ayuda a hacer un modelo de él como una onda ya que eso explica alguna otra parte de su comportamiento. Pero éstas son sólo modelos conceptuales ayudándonos a encontrar qué es él y la verdad es que es ¡ambas! Esa verdad última no soy capaz de concebirla porque nunca he visto una entidad que sea a la vez una partícula y una onda. Ellos dicen que nuestra conceptualización tiene limitaciones, por ello, no la use demasiado lejos, ¡use las matemáticas en su lugar! Las Matemáticas son una clase de lenguaje universal que ha sido repetidamente intentado y se encuentra para aplicar en la naturaleza.
En la misma forma en que existen estas limitaciones físicas, existen también limitaciones intelectuales. Veo un paralelo entre la limitación experimentada en el hacer de la ciencia y la limitación de pensamiento a la cual Krishnaji está apuntando en la búsqueda religiosa. Pensamos sólo en términos de lo conocido y lo conocido es tan limitado; por ello el pensamiento nunca puede agarrar lo desconocido y que existen vastas verdades fuera que sólo pueden percibirse cuando usted se libera de este aprisionamiento, cuando usted sale de esta prisión de lo conocido. La libertad de lo conocido no es la terminación de lo conocido sino la no dependencia de lo conocido. Hemos dado tremenda importancia a ese pequeño fragmento de lo conocido y estamos todo el tiempo buscando interpretar toda cosa en términos de lo conocido y que impide se perciba lo desconocido. El progreso real en la ciencia ha venido también de cambios de modelo que fueron el resultado de profundos vislumbres dentro de lo desconocido, yendo lejos más allá del pensamiento convencional.

R.B.: Lo que se conoce puede ser una ilusión. Lo que es conocido para mí, puede que no sea conocido por una persona cuya conciencia es mucho más sutil, pacífica, vasta, etc. Aún lo que es conocido cambia de forma todo el tiempo. Así, llega a ser muy difícil comprender un universo donde toda cosa está cambiando de acuerdo al nivel de nuestra percepción. Si existiera una persona que pudiera ver la cosa completa, sólo entonces estaría viendo la verdad. Pero al decir lo que siento existe un error, porque puedo no estar consciente de mi limitación. Así ¿qué es lo conocido, y qué es lo cognoscible, y qué es lo desconocido? Existen todas estas profundas preguntas las cuales permanecen siempre.

P.K.: De hecho es importante realizar que somos parte de un gran misterio y que el misterio es muy profundo y los científicos están sólo tratando de penetrar un aspecto de él; pero hay mucho más que permanece un misterio. Se extiende, quizás, mucho más allá de lo que aún somos conscientes. A menudo en nuestro orgullo por nuestro conocimiento perdemos nuestra consciencia del misterio.

R.B.: Esto nos hace regresar a los objetivos de la Teosofía. Si usted toma el segundo Objetivo de la Sociedad Teosófica —él habla sobre filosofía, ciencia y religión. Permítame dejar la filosofía fuera de la escena por el momento, y tome sólo ciencia y religión. Según uno va más y más profundo dentro de la ciencia, uno llega a un sentimiento religioso de belleza, unidad, maravilla y misterio, el cual es semejante al sentimiento del verdadero hombre religioso. Significo no una persona que es llamada de religión, de acuerdo al hinduismo, cristianismo o budismo o cualquiera otra, sino uno que ha ido más allá de todas estas formas y llega a una mucho más vasta y profunda percepción de la unidad y totalidad de la existencia, un elemento el cual no podemos expresar en palabras, sino el cual tiene una santidad, una beatitud que puede sentirse. Esa cosa está más allá de todas las especulaciones de la ciencia y las formas de la religión. Cuando usted va a eso profundo, entonces los logros de la ciencia pueden corresponder a lo que se conoce como verdadera religión. Siento que existe una realidad la cual es a la vez ciencia y religión, la cual puede sentirse y percibirse, pero no puede expresarse o comunicarse.

P.K.: Tiene que ser porque ambas, materia y conciencia, son parte de un simple realidad: la conciencia existe y así lo hace la materia y la energía. La ciencia puede no ser capaz de explorar muy profundamente dentro de la conciencia ya que ella no es mensurable. Sus investigaciones están limitadas a lo que es mensurable, así ellos están todavía luchando por comprender la naturaleza del espacio y el tiempo, la materia y la energía. Pero su cuadro está confinado a ser incompleto porque ellos han dejado la conciencia fuera de él. El científico usa su conciencia para hacer la ciencia pero su ciencia no puede decir ¡lo qué está usando él! Estoy recordando aquí las palabras de Schroedinger, quien fue el científico que inventó las ondas mecánicas que fue el precursor de la mecánica cuántica de hoy. Él fue también un filósofo que había estudiado profundamente la Vedanta. El no fue un hombre religioso, fue un erudito. Su vida personal fue vacilante, pero intelectualmente fue un gigante. Él dijo algo muy profundo que me gustaría compartir con usted. Él dijo, "Considero la ciencia una parte integrante de nuestro empeño para comprender la gran pregunta filosófica que abarca todas las otras: ¿Quiénes somos? Considero ésta no sólo una de las tareas, sino LA tarea de la ciencia, la única que cuenta."
Para responder esa pregunta tenemos que responder qué es el cuerpo, su origen, sus componentes, su forma y funciones. Pero no sólo eso, debemos también explicar la alertidad y la conciencia que opera en ese cuerpo, la forma en que ellas surgen y funcionan, etc. Schroedinger consideró a ambas, ciencia y Vedanta como una parte de la filosofía y él pudo ver que era necesario integrar las dos y no separarlas. De otra manera, usted siempre tendrá un cuadro parcial de la vida y la realidad. Por ejemplo, en el mundo de la física no existe necesidad para la vida, ellos la tratan como un suceso accidental el cual ellos no comprenden.
Pero volvamos a Krishnamurti y la Teosofía. La Sociedad Teosófica fue creada con el lema de que la Verdad es la religión más alta y como la Teosofía en su verdadero significado no es una nueva religión, sino la esencia de todas las religiones o la religión-sabiduría, esto demanda que uno entre en contacto con las verdades eternas más allá de todas las religiones y más allá de todas las formas. Ahora, si esa es la esencia de la Teosofía, como se expresa en nuestro Lema, ¿no es eso lo que Krishnamurti está pidiendo que hagamos todo el tiempo? Él está diciendo que usted debe comprenderse a usted mismo, romper vuestro condicionamiento, sólo entonces usted tendrá una percepción verdadera, sin eso usted no puede dar con la verdad. Así, no veo ninguna división entre lo que la Teosofía en su esencia nos está pidiendo que hagamos y lo que Krishnaji está abogando que hagamos.

R.B.: Pienso que no conocemos qué es la Teosofía, y que no conocemos sobre qué está hablando Krishnaji, por ello surgen las dificultades. Es obvio cuando uno contacta gente en la Sociedad Teosófica y gente en la fundación Krishnamurti que no son miembros de nuestra Sociedad, que están yendo a lo largo de una línea la cual el mismo Krishnaji consideraría ilógica, porque cuando usted confunde lo superficial con lo esencial está expuesto a ilusión y conflicto. Igual que en la ciencia uno puede percibir la misma cosa como una onda y una partícula, aquí también gentes diferentes perciben las cosas diferentemente, creando contradicciones donde realmente no existe ninguna. La gente es llevada lejos por diferencias superficiales y llega a ser difícil para ellos permanecer conscientes del hecho de que las opiniones no son cosas muy importantes. La verdad es lo que es importante.

P.K.: Pero la ignorancia como ilusión o fantasía es común a toda la humanidad. Así, ¿qué diferencia hay, ya sea que la ignorancia de un hombre es de la variedad cristiana o de la variedad de la Fundación Krishnamurti o de la variedad teosófica? La importancia es del rompimiento de eso e ir más allá de ello, así, ¿por qué distinguir?

R.B.: Pensamos hay una diferencia. Alguien que ha chapoteado en Krishnamurti (estoy usando esa palabra deliberadamente) siente que conoce qué es la verdad, y que no lo es, mejor que otra gente.

P.K.: Pero la verdad es algo ¡que no puede conocerse! Hemos dicho previamente que la verdad no puede conocerse, ella no puede describirse.

R.B.: Similarmente, muchos teósofos piensan que ellos conocen qué es la Teosofía, o qué es la verdad. Ello llega a ser una forma de hacer las cosas seguras en la propia vida de uno. Esto le impide a uno ser libre en la mente, sobre la importancia de lo cual Krishnamurti habló repetidamente. Muchos teósofos también hablaron sobre la necesidad de estar completamente libres para escuchar a alguien, para ver que la ilusión surge cuando la creencia llega a ser fuerte.
P.K.: Siento que es extremadamente importante permanecer alertas de este peligro en uno mismo, porque uno tiene básicamente la misma conciencia de los otros seres humanos. Y la conciencia humana ha cometido repetidamente los mismos errores ya sea la de los cristianos o los budistas, los hindúes o los teósofos o la gente en las Fundaciones Krishnamurti. No veo mucha diferencia. Un hombre como Jesús toca algo muy profundo, no conocemos cómo él lo toca, da con un profundo, intenso estado de conciencia el cual está basado en amor, compasión o cualquier palabra que desee usar. Desde ese estado él trata de comunicar esa verdad y habla palabras las cuales están en el Sermón de la Montaña; pero los seguidores traen abajo esa verdad, crean una iglesia, una religión, diciendo hagan esto y no hagan aquello. Es lo mismo entre los hindúes. Ellos no han descubierto la verdad expresada en los Upanishads o la Vedanta. Ellos se mantienen haciendo varias representaciones simplistas sin tener contacto con la verdad. Uno encuentra lo mismo en el Budismo; lo que se hace hoy en nombre del budismo es un grito lejano de la verdad que enseñó el Buddha. Así uno debe permanecer alerta a este peligro en uno mismo, habiendo visto el potencial de toda la gente en el mundo de rebajar la verdad dentro de lo familiar y entonces concentrar sobre lo familiar porque eso es fácil. Se convierte en un proceso del ego, buscando sentirse seguro. La idea de que estoy progresando da un buen sentimiento. Ello llega a ser una barrera a la percepción de la verdad porque vuestras energías son disipadas ahora en todas clases de actividades superficiales las cuales no permiten ver del todo.
R.B.: Es importante realizar que el sendero en sí mismo es una metáfora, no se refiere realmente a un sendero con un comienzo y un final. No tiene comienzo porque toda cosa pertenece a él y no tiene fin. Me recuerda algo en las Cartas de los Mahatmas sobre el Maestro K.H. (ya sea que uno crea o no en los Maestros no es relevante aquí.) El va dentro de una clase de Samadhi porque él tenía que ir a un largo viaje internamente y necesita no ser perturbado al nivel físico. Existe una referencia a eso en Luz en el Sendero. El dice que cuando usted ha terminado este viaje y toda cosa que es de la naturaleza animal ha llegado a un fin, entonces usted realizará que el sendero continúa infinitamente y va mucho más allá. Ahora, pensar de ese sendero como no teniendo fin en sí mismo implica un estado de ser con una capacidad de ilimitado aprendizaje el cual no tiene nada que ver con acumular conocimiento de la clase ordinaria.
P.K.: Pienso que Krishnaji ha expresado la misma cosa en palabras algún tanto diferentes cuando él dice que la liberación está al comienzo del aprendizaje, no al final. Porque usted no comienza a aprender mientras tanto vuestras percepciones sean distorsionadas por el proceso del ego, por la coloración individual que ella da a esa percepción. Por ello, usted no puede percibir la verdad. Así, si la percepción de la verdad es aprendizaje, entonces ese aprendizaje no puede ir profundo hasta que usted sea libre; pero esa liberación, en mi punto de vista, no es un punto fijo que tiene que alcanzarse. La posibilidad de percibir la verdad no distorsionada siempre existe en la conciencia humana. Ese es el por qué es posible aún para una persona condicionada tener un vislumbre de la verdad. Por ejemplo, aún un emperador muy cruel como Ashoka pudo tener una profunda percepción interna y cambiar completamente después de la guerra de Kalinga. Así, el ego no priva completamente toda la capacidad para una percepción interna.
R.B.: Ese es el por qué también siento que un ser humano tiene esta capacidad para la pura alertidad a través de la cual obtenga un vislumbre de lo real, pero él tiende a traducir eso en términos de lo viejo, el modelo total de su condicionamiento, el cual es lo conocido. Él tiene que desembarazarse a sí mismo de esa limitación y percibir a través de su propia conciencia. La gente como Krishnaji, pienso, nacieron con el fin de ayudar a los seres humanos a salir del limitado, condicionado, estado de individualidad, y realizar que existe algo mucho más vasto, más bello, el cual ellos están perdiendo, porque ellos permanecen confinados al mundo de sus propios pensamientos.
P.K.: Esto significa para mí que cuando Krishnaji se rebeló en 1929 o 1933, en algún momento de ese período, no fue contra la esencia de la Teosofía, sino contra la tendencia hacia la incrustación, que trata a la Teosofía no como una investigación sino como alguna nueva forma de creencia o algún nuevo cuerpo de conocimiento el cual uno acepta, como había sucedido en todas las otras religiones. Él debe haber visto el peligro de eso y se rebeló contra eso, deseando llevarlo atrás a la búsqueda de lo que él llamó una mente religiosa —no una mente cristiana o hindú. Existe sólo una mente religiosa. Y como un teósofo tuvo que ir más allá de todas las formas superficiales y dar con la mente religiosa verdadera con sabiduría, amor, compasión, verdad, belleza y la terminación de toda violencia. Me gustaría citar aquí lo que él dijo sobre la mente científica y la mente religiosa. Él dijo, `La mente religiosa no tiene creencias; no tiene dogmas; se mueve de suceso a suceso, y por ello la mente religiosa es la mente científica. Pero la mente científica no es la mente religiosa. La mente religiosa incluye la mente científica, pero la mente que está entrenada en el conocimiento de la ciencia no es una mente religiosa.'
R.B.: La mente teosófica verdadera es a la vez científica y religiosa en ese sentido.
P.K.: No tenemos que aborrecer ninguna religión o condenarla o algo parecido a eso. Es sólo un hecho incidental que nazcamos dentro de ella. Existen cosas buenas en ella, existen cosas superficiales en ella y existen supersticiones. Tenemos que ir más allá de eso. No tengo que permanecer limitado a eso, no tengo que estar atado a ella y defenderla. Puede haberme ayudado en mi niñez para crecer, pero no tengo que limitarme en ninguna forma en mi exploración de lo que es verdadero y lo que es falso.
R.B.: Así, una vida verdaderamente teosófica es una la cual le permite a usted crecer en la verdad, y descubrir mayor y mayor sabiduría.
P.K.: Podemos terminar aquí.
R.B.: Sí.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Contrastes

Corredores e salas suntuosos, abarrotados
de arte, representando a composição e a
técnica representativos da beleza dos tempos,
somando quilômetros de encantamento e poder,
contrastam, não obstante, com a paisagem
sórdida dos guetos e favelas, onde milhões
de criaturas se exaurem, pela fome e pela
enfermidade, sob o impositivo da ausência de
parcas moedas que lhes diminuiriam a miséria
e a dor.

Museus refinados, exibindo jóias e
ourivesaria caprichada, em inumeráveis
espaços, retratam a força e a glória das
gerações passadas, embora a orfandade e o
abandono juvenil, que, padecendo de penúria,
são armados pelo ódio e pelo descaso que
sofrem, para a delinqüência e a loucura.

Cofres fortes, atulhados de moedas e barras
de ouro, ocultando gemas de valor incalculável,
que não vêem a luz do Sol, ao mesmo tempo em
que a necessidade, corrompendo e malsinando
milhões de vidas, que são destruídas pela
abjeção em que se encontram, esquecidas pela
abastança e pela fortuna.

Luxo em excesso, pregando renúncia.

Poder desmedido, ensinando submissão.

Egoísmo enfermiço, propondo fraternidade real.

Orgulho em demasia, convocando à humildade.

Este é um mundo de contrastes, de imperfeições!

Não bastassem as situações antípodas,
chocantes, e, ao lado de tanta grandeza,
aumenta a ferida purulenta, em chaga viva,
dos vícios e licenças morais, amesquinhando e
contaminando outras vias que apenas começam.

Ante o deslumbramento que produzem a arte a
grandeza, que vês em toda parte, não feches
os olhos à dor e à sordidez que se abraçam e
passeiam em tua frente.

Depois de visitares o luxo e o refinamento em
que vivem os triunfadores de breves momentos,
não ignores a presença dos desditosos e
miseráveis que enxameiam em todos os sítios.

Uns são as causas dos estados dos outros, isto
é: os excessos de alguns produzem a escassez, e
o acúmulo em poucas mãos responde pela ausência
do necessário em verdadeiras multidões.

Aprende a lição que a vida te ministra nestes contrastes.

Ninguém escapa à morte do corpo. Aqueles
detentores que pareciam eternos envelheceram,
enfermaram e morreram como os seus vassalos
escravos.

Os opulentos e os miseráveis morrerão, deixando tudo.

Nivelar-se-ão no túmulo, embora a diferença
exterior de que se revistam as tumbas.

Deixarão tudo o que detêm e o que lhes faz
falta...

Mas, voltarão à Terra. Talvez, conforme
viveram, invertam-se as posições.

Antigos reis, chefes de Estados, ministros,
prelados e religiosos, chefes de Igrejas,
acumuladores dos tesouros que geraram miséria
de milhões, hoje mendigam à porta dos seus
antigos palácios e templos, enxotados, de quando
em quando, pelos novos detentores, iguais a eles
outrora, enganados.

Donatários e poderosos voltaram, mas, sequer,
podem olhar o que antes lhes parecia pertencer.
Uns fazem-se ladrões e tentam recuperar, na
insânia em que ainda se debatem, o que supõem
pertencer-lhes. Outros, tornam-se guardas de
salas e corredores, vigiando as jóias frias, as
estátuas mortas que os não vêem, mas que eles
prosseguem cuidando, avaros e infelizes.

É o mesmo mundo de contrastes.. .

Jesus, o ímpar amante da beleza, fez, porém,
do homem, o mais grandioso altar e, da Natureza,
o templo augusto, onde o amor é o tesouro mais
poderoso e mais fácil de ser adquirido, para
quem deseja viver, realmente, a Eternidade, sem
contrastes, nem equívocos.


[Joanna de Ângelis]
[Divaldo Franco]
[Roteiro de Libertação]
[Editora LEAL]

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Serenidade

A faina incessante da vida moderna, a sede de conforto supérfluo, a ânsia
pelo prazer exorbitante, as demandas injustificáveis são apresentados
invariavelmente como fatores básicos para explicarem os desequilíbrios da
emoção que atormenta o homem.

Não há tempo senão para viver.

Viver bem, fruindo as concessões aligeiradas que o corpo enseja - a
meta para a grande maioria.

E semelhante a aventureiro ávido de prazer larga-se a criatura no cipoal
das lutas, empenhando os valores de que dispões, continuando, no entanto,
inquieta, aflita.

Educa-se ou se vai educando para o triunfo fácil.

Disciplina-se ou deixa-se disciplinar antegozando o sabor da vitória em
sociedade.

Instrui-se ou deixa-se instruir para vencer...

Educar-se, no entanto, para conhecer, peregrinando pelos meandros da dor
humana, a fim de solucionar os milenários enigmas do espírito encarnado;
disciplinar- se com o objetivo de renovar as disposições íntimas, no sentido da
evolução espiritual; instruir-se para vencer a sombra da ignorância tendo em
vista o impositivo da vitória sobre si mesmo, são diretrizes desconsideradas por
muitos que, todavia, possibilitam a felicidade em termos reais e duradouros.

De tal conquista frui o homem a satisfação da serenidade.


Marco Aurélio, referindo-se à tranqüilidade, em suas Meditações, denominava como
"tranqüilo - um espírito bem ordenado".

A serenidade é o estado de ordem que tranqüiliza interiormente.

Ordem que nasce da educação disciplinada pelo exercício do dever e esclarecida pela
instrução que amplia as possibilidades do conhecimento.

Acredita-se erradamente que para a serenidade são indispensáveis o conforto,
a independência econômica, a estabilidade conjugal, a saúde e outros ingredientes
externos considerados essenciais e raros de reunir-se num mesmo afortunado
indivíduo.

Alguns cristãos, na atualidade, justificam a falta de silêncio para cultivarem a
serenidade. Outros dizem-se atormentados por problemas e informam que tudo são
convites ruidoso ao desalinho da mente, à enfermidade nervosa, ao desajustamento. ..

Com "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir" naturalmente se podem descobrir fontes
ricas de belezas capazes de banhar a alma de paz e harmonia.

Painéis invulgares se desenham num raio de sol, numa estrela que fulge, num
sorriso de criança, num farfalhar de folhas levemente balouçadas por brisas ciciantes,
no tamborilar da chuva no telhado, numa ave ligeira bailando no ar, na harmonia e
no colorido de uma flor, em mil nonadas..., convidando à serenidade, a "um espírito
bem ordenado".

"Não vos afadigueis pela posse do ouro", disse o Mestre.

A posse exaure aquele que possui.

"O meu reino não é deste mundo", explicou o Senhor.

Em face de tais lições é que Jesus, embora sem encontrar entre os companheiros quem
se identificasse com a sua mensagem de amor, amou e serviu a todos indistintamente
e quando, mais tarde, sofreu o desprezo dos que mais se beneficiaram da sua presença,
expulso da compreensão dos que d’Ele dependiam no vozerio da perseguição em
invulgar soledade, manteve-se sereno, acenando com bênçãos para os infelizes e
amando os próprios algozes na mais eminente demonstração de que serenidade com paz
íntima é conquista do espírito, independente das excentricidades do mundo do mundo das
formas.

[Joanna de Ângelis]
[Divaldo Franco]
[Dimensões da Verdade]
[Editora LEAL]