sexta-feira, 10 de julho de 2009

Provação Redentora

A voz que laboraste por modular docemente agora se transforma em brado de acusação impiedosa; as mãos que uniste muitas vezes dentro das tuas, em gesto de ternura, parecem prontas a esbodoar-te; o rosto tantas vezes osculado com meiguice surge congestionado diante da tua presença; os gestos que plamastes com incansável devotamento, fazem-se bruscos e violentos em desafio a tua serenidade, aqueles olhos que enxugaste com desvelo, quando choravam, fitam-te com chispas de ódio; o corpo que embalaste noites a fio, ora freme de revolta e se agiganta diante do teu atual carinho; todo aquele ser que cumulaste de amor, então, se contorce sob o gás da rebeldia e não trepida em malsinar-te, ferindo as mais caras aspirações que demoradamente acalentaste, bem como os nobres objetivos que toda a vida perseguiste - a meta da tua realização interior.

Insultado por tão grotesca reação tentas, ainda, acercar-te do ser querido, escondendo a decepção e a dor íntima; no entanto, não consegues transpor a barreira entre ti e ele, colocada propositadamente para produzir distância, não obstante o êxito dele depender do teu suor e da tua soledade, das tuas lágrimas e dos teus silêncios.

Permite-se acusar-te, censurar-te, escusar-te e não te concede a condição ao menos de "ser humano".

Reserva-se o direito de magoar-te e explora os teus sentimentos para pisoteá-los depois.

Enquanto o envolves em otimismo, há muito tempo a inferioridade dele espezinha-te com recalques cruéis, que procedem de vidas consumidas no passado do Espírito e não te oferece a concessão das queixas ou das justas censuras que são descargas da tensão que te atormenta.

E dizer que te deste com o melhor que possuías, oferecendo-te todo por ele, para e felicidade dele!

Retempera, porém, o ânimo e insiste no dever que te cabe ou que assumiste, mesmo incompreendido, apesar de sitiado pela ingratidão com ele te retribui o carinho demorado.

Seja qual for o ingrato - filho, amigo, afeto, companheiro -, é alguém vitimando-se com o ácido que o destruirá logo depois.

A ingratidão é enfermidade de erradicação difícil e demorada; a rebeldia reflete distonia espiritual; o azedume exterioriza infelicidade inferior; a agressão atesta primitivismo; o cólera é morbidez de complexa definição no campo da mente em desalinho. Todo aquele que se permite conduzir por tais famanazes da indisciplina e do orgulho merece caridade pelo tratamento do amor que ora e socorre, insiste ao lado e não revida mal por mal.

Ele, aquele que te acicata o espírito, caminhará pela estrada da experiência, avançando na rota do futuro.

Aprenderá inevitavelmente e tornar-se-á brando. Não é necessário que o desejes: a vida se encarrega de nós todos, cada um a seu turno...

É pena - e sofres com isso - que te não saibas valorizar o amor, aquele que hoje te fere e subestima.

Jesus, porém, experimentou, e em grau muito maior, a ingratidão e o desinteresse dos companheiros mais amados. Medita nEle, na sua vida e não te abales com a provação redentora.

Felizes são os que amam, e amam sempre, reconhecidos, fiéis.

Os outros, dentre os quais o ser que ora não te retribui amor por amor, já estão justiçados em si mesmos, sorvendo a amargura da inquietação e o tóxico da insegurança pessoal, que os envenenam paulatinamente.

"Mas na hora de provação volta atrás". - (Lucas 8:13).

"Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna castigo." (São Luís. (Paris, 1859) - E. S. E. - Cap.IV - Item 25).

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Franco, Divaldo P.. Da obra: Florações Evangélicas.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Marcados



Acerca-te dos vencidos para auxiliar. Não creias, porém, que eles sejam apenas os companheiros que tombaram na luta e se encontram caídos na estrada, tomados pelo desalento e o pessimismo.

Concentra a tua atenção e com os olhos do espírito surpreenderás muitos deles ao teu lado, guardando aparência robusta e provocando ruído para esconderem as marcas da infelicidade.

Todavia, é imprescindível amar para ajudar com eficiência.

Alguns são amigos assinalados por desastres e acidentes morais, que o ferrete da Lei divina atingiu, expungindo, recalcados, os pesados débitos...

Outros são irmãos marcados por enfermidades cruéis, que lhes desorganizam o aparelho digestivo, desviando-lhes o tubo excretor...

Vários são companheiros vitimados por heranças físicas,, que os olhos do mundo não alcançam, guardadas em tecidos caros, recuperando o pretérito...

Diversos são os corações solitários, que se reajustam aos impositivos de afeições angustiosas, renovando o panorama da mente enferma...

Outros tantos são espíritos de procedências várias, perturbados por sinais vigorosos que os prostram, no silêncio, aniquilando-lhes a esperança...

Todos eles necessitam de ungüento para as marcas dolorosas, que funcionam como corretivos santificantes.

Quando os encontres, não os atormentes mais com indagações desnecessárias, ferindo-lhes as úlceras com estiletes de curiosidade negativa.

Viajores do tempo, nas estações da Terra, possuímos nossos sinais e marcas que nos dilaceram as fibras íntimas.

Antes que desfaleçam esses marcados, podes fazer algo em benefício deles. Mais tarde surgirá novo dia, oportunidade nova de caminhar e, embora sejas convidado a ajudar, orando, não poderás prever se, de um para outro momento, será convidado pela Lei a carregar mais vigorosa marca...

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Franco Divaldo P.. Da obra: Messe de Amor.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

A Língua

Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.

Ponderada - favorece o juízo.

Leviana - descortina a imprudência.

Alegre - espalha otimismo.

Triste - semeia desânimo.

Generosa - abre caminho à elevação.

Maledicente - cava despenhadeiros.

Gentil - provoca reconhecimento.

Atrevida - traz a perturbação.

Serena - produz calma.

Fervorosa - impõe a confiança.

Descrente - invoca a frieza.

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Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Preces e Mensagens Espirituais.
Ditado pelo Espírito André Luiz.

domingo, 5 de julho de 2009

Esforço Pessoal



As grandes conquistas da Humanidade têm começo no esforço pessoal de cada um.
Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos.
Estas realizações, no entanto, têm início nele próprio.
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E possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te interiormente para o bem, fazendo-te elemento precioso no contexto social onde vives.
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Certamente, não lograrás solucionar o problema da fome na Terra. Não obstante, poderás atender a algum esfaimado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.
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Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões de recursos para que a onda de acidentes morais não dizime vidas preciosas ao teu lado.
De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, inermes, ao contágio avassalador. Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem e da esperança.
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Diante das ameaças de guerra, das lutas e do terrorismo existentes que matam e mutilam milhões de homens, te sentes sem recursos para fazê-los cessar, mudando-lhes o rumo para a paz. Entretanto, a tua conduta pacífica e os teus esforços de amor serão instrumentos para gerar alegria e tranqüilidade onde estejas e entre aqueles com os quais compartes as tuas horas.
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A violência urbana e a criminalidade reinantes não serão detidas ao preço dos teus mais sinceros desejos e tentativas honestas. Sem embargo, a tarefa de educação que desempenhes, modesta que seja, influenciará alguém em desalinho, evitando-lhe a queda no abismo da agressividade.
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As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios, que aparvalham a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Muito embora, a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz, conseguirão apaziguar aquele que as receba. oferecendo-lhe reajuste e renovação.
Naturalmente, o teu empenho máximo não alterará o rumo das Leis de gravitação universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do Sol de Primeira Grandeza que é Jesus.
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Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são factíveis de solução.
A inundação resulta da gota de água.
A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se desarticulam.
A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.
Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo melhorar-se-á.
A sociedade, qual ocorre com o indivíduo. é o resultado de si mesma.
Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.
E, partindo do teu empenho pessoal, para ser mais feliz, ampliando a área de bem-estar para outros, o mundo se fará mais ditoso e o mal baterá em retirada.
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Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Coragem.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1988.

PARA TI



A ti que transportas uma dor na tua alma, a ti a quem o trinado dos pássaros não faz esquecer o teu sofrimento, a ti que sofres em silêncio pensando que ninguém compreende a magnitude da dor que transportas, a ti que te sentes esquecido pelos anjos do céu e por Deus onipotente.

A ti vão dirigidas estas palavras: porque, se até o zumbido das moscas no seu voar silencioso é escutado pelo ouvido atento de Deus do céu, e se até ele te falou, e se até dirigiu para ti os raios do sol para que iluminem o teu ser interno, tu persistes na tua solidão, ignorando essas manifestações de amor infinito.

Se até quando Ele fez florescer milhares de plantas na orla do teu caminho, tu as ignoraste e seguiste em frente sentindo-te só.

Se até quando Ele colocou à tua volta muitas crianças com sorrisos nos lábios, os teus olhos se fecharam para tudo o que não seja a tua dor.

Se até quando Deus mesmo te falou desde o interior do teu ser, fazendo-te recordar os momentos felizes que vivestes em tempos passados, a tua mente obstinada continua revivendo os instantes de dor que mudaram a tua vida e que agora preferes recordar em vez de pensares que a dor já passou e que o que vives agora é um mundo diferente, que só espera a tua atenção para tornar a tomar cor e alegria dentro do teu ser.

Observa que és escravo das recordações e que estas rondam a tua cabeça como sendo fantasmas de tristeza, que se satisfazem em manter-te nesse estado de depressão. Dá-te uns instantes, apenas uns momentos, põe atenção nestas palavras e dirige-te a ti mesmo interrogando-te: porque sofro? E essa razão, por mais poderosa que seja, encontra-se no teu passado, na tua história. É apenas uma recordação. Não é o presente. O que no teu presente te incomoda é a impossibilidade de aceitar que isso é passado.

Agora, prossegue nestes momentos de reflexão, pensando assim: a minha vida é agora diferente e não é possível saber se amanhã terei alegrias ou tristezas; portanto, devo passar a minha vida lamentando-me de coisas que pertencem ao passado? Ou procurarei vivê-la aceitando-a como Deus ma oferece? Da tua resposta dependerá provavelmente a tua felicidade futura.

Ergue os teus olhos ao céu e observa esse Sol que te ilumina, ou essa Lua e Estrelas que adornam a cúpula celeste debaixo da qual tu moras. Observa-as e pensa: elas são eternas, permanecem ali há mais de milhares de anos e continuarão ali outros milhares mais; a minha vida é como o mar que se agita ao chegar à praia e se converte em ondas que sobem e baixam e arrastam as areias. Porém no mais profundo, no mais interno do meu ser, mora um grande oceano em tranqüilidade, infinito, imutável, sem os vaivéns das ondas na praia, sem os altos e baixos que a minha consciência humana me provoca.

Onde estás, misteriosa alma humana, que moras dentro de mim e que sutilmente pressinto sem chegar eternamente a compreender? E agora esta voz te responde: estou tão dentro de ti, que nem o mais interno dos teus ossos conseguiria sequer aproximar-se da periferia onde habito; estou em cada célula do teu corpo, estou em cada átomo de luz que conforma essas células; sou a tua consciência Divina, sou o teu Deus Interior, sou o teu contacto permanente com o Criador de todas as coisas, e sou também a garantia da tua felicidade. A tua paz interior encontra-se sempre dentro de ti.

Que dor pode ser tão grande que o meu poder não possa vencer? Que tristeza pode ferir-te ao ponto que sintas a separar-te de mim? Entende que é a tua resistência em aceitar as coisas a razão da tua tristeza. Entende, também, que o movimento dos mundos e as leis da natureza que governam este universo, a separação dos seres, as doenças do corpo e tudo aquilo que poderá ter-te causado tristeza, são manifestações temporais de uma mesma essência que é eterna.

Penetra nos mistérios do cosmos, sente a tua grandeza quando olhares o mundo e entende que tu és responsável por essa mesma criação. Esquece momentaneamente a tua pequenez com todas as dores que lhe estão associadas, e eleva-te pelos cumes das montanhas mais altas para perceber o grande reino que te foi entregue para cuidares.

Que tristeza ou que dor pode ser tão grande, que te faça esquecer a grande responsabilidade que tens para com o Universo? Homem pequeno, reconhece que és pequeno apenas na medida da tua compreensão, porém do mesmo modo que uma lagarta rompe o ovo para se transformar em bela borboleta, da mesma maneira eu espero, e esperarei eternamente, que tu rompas a dureza da tua inconsciência, e possas erguer-te majestoso tomando plena posse da tua Divindade.

Não importa o que pensas, não importa o que sentes, tudo é temporal. Hoje sofres, amanhã rirás, e depois voltarás a sofrer, até que entendas que essas mudanças na tua consciência são motivadas pela tua pouca compreensão e pelo desconhecimento que tens dessa fonte interior da qual te estou a falar.

Recorda sempre que não importa onde te encontres, não importa a situação, estado de saúde ou de consciência em que estejas. Eu moro dentro de ti, em cada átomo, em cada órgão. Em cada pensamento que tu emanas, parte da minha energia vai com ele. Eu sou tu próprio no mais profundo de ti mesmo. Por isso, agora, que escuto a tua dor e sinto o teu chamamento, te falo e te peço que abras a tua mente e percebas a luz que te estou enviando.

Mensagem da Mestra Kwan Yin

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Janelas na alma

O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que coam os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias.

De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter a significação que nem sempre corresponde à realidade.

Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz.

Variando a cor das lentes, com tonalidade correspondente desfilarão diante dos olhos as cenas.

Na área do relacionamento humano, também, as ocorrências assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas.

É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos, de modo a equilibrar os fatos em relação com eles.

Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de bem observar os sucessos da vilegiatura humana.

De acordo coma a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis.

Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando a usança de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.

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Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura, a fim de acompanhares o mundo e o seu séqüito de ocorrências.

O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade, abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade.

A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem.

O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem.

A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade, levantando os caídos e segurando os trôpegos, de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti.

As janelas da alma são espaços felizes para que se espraie a luz, e se realize a comunhão com o bem.

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Colocando os santos óleos da afabilidade nas engrenagens da tua alma, descerrarás as janelas fechadas dos teus sentimentos, e a tua abençoada emoção se alongará, afagando todos aqueles que se aproximem de ti, proporcionando-lhes a amizade pura que se converterá em amor, rico de bondade e de perdão, a proclamarem chegada a hora de ternura entre os homens da Terra.

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Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1990.

Chefia e Subalternidade

Não olvidar que o chefe é aquela pessoa que se responsabiliza pelo trabalho da equipe.
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A melhor maneira de reverenciar a quem dirige, será sempre a execução fiel das próprias obrigações.
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Quem administra efetivamente precisa da colaboração de quem obedece, mas se quem obedece necessita prestar atenção e respeito a quem administra, quem administra necessita exercer bondade e compreensão para quem obedece, a fim de que a máquina do trabalho funcione com segurança.
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Orientar é devotar-se.
Aquele que realmente ensina é aquele que mais estuda.
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Um chefe não tem obrigação de revelar ao subordinado os problemas que lhe preocupam o cérebro, tanto quanto o subordinado não tem o dever de revelar ao chefe os problemas que porventura carregue no coração.

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Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Sinal Verde.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
49a edição. Uberaba-MG: CEC, 2001.