quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tempo da Regra Áurea




"Assim, tudo o que vos quereis
que os homens vos façam, fazei-o
também vos a eles; esta é a lei
e os profetas."
(S.Matheus cap.7 v.12)
Faremos hoje o bem a que aspiramos receber.

*

Alimentaremos para com os semelhantes os sentimentos que esperamos alimentem eles para conosco.

*

Pensaremos acerca do próximo somente aquilo que estimamos pense o próximo quanto a nós.

*

Falaremos as palavras que gostaríamos de ouvir.

*

Retificaremos em nós tudo o que nos desagrade nos outros.

*

Respeitaremos a tarefa do companheiro como aguardamos respeito para a responsabilidade que nos pesa nos ombros.

*

Consideraremos o tempo, o trabalho, a opinião e a família do vizinho tão preciosos quanto os nossos.

*

Auxiliaremos sem perguntar, lembrando como ficamos felizes ao sermos auxiliados sem que dirijam perguntas.

*

Ampararemos as vítimas do mal com a bondade que contamos receber em nossas quedas, sem estimular o mal e sem esquecer a fidelidade a prática do bem.

*

Trabalharemos e serviremos de moldes que reclamamos do esforço alheio.

*

Desculparemos incondicionalmente as ofensas que nos sejam endereçadas no mesmo padrão de confiança dentro do qual aguardamos as desculpas daqueles a quem porventura tenhamos ofendido.

*

Conservaremos o nosso dever em linha reta e nobre, tanto quanto desejamos retidão e limpeza nas obrigações daqueles que nos cercam.

*

Usaremos paciência e sinceridade para com os nossos irmãos, na medida com que esperamos de todos eles paciência e sinceridade, junto de nós.

*

Faremos, enfim, aos outros o que desejamos que os outros nos façam.

*

Para que o amor não enlouqueça em paixão e para que a justiça não se desmande em despotismo, agiremos persuadidos de que o tempo da regra áurea, em todas as situações, agora ou no futuro, será sempre hoje.

* * *

Da obra: Opinião Espírita.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
CEC.

domingo, 29 de janeiro de 2012

FRANCO BASAGLIA E A PSIQUIATRIA DEMOCRÁTICA

FRANCO BASAGLIA E A PSIQUIATRIA DEMOCRÁTICA


Introdução


Por estarmos lidando com tema tão polêmico e radical, optamos
por citar diversas vezes os autores em questão, tentando das voz a eles na divulgação de suas idéias.
Devido ao fato de o grupo já ter escrito o trabalho sobre antipsiquiatria (Laing, Cooper e Szazs, respeitando Basaglia que nega tal rótulo se considerando da Psiquiatria Democrática) antes da divisão de autores por grupos, utilizamos de tal texto como uma introdução assunto da antipsiquiatria.
A obra teórica de Franco Basaglia é bem vasta, resumi-la e analisá-la não resultaria em um texto pequeno, portanto pedimos a compreensão se nalgum momento fomos sintéticos demais ou se pulamos algum aspecto por nós considerado de menor importância.






A ANTIPSIQUIATRIA[1]




“Qualquer classificação de alguém sem seu consentimento é uma violação de sua integridade.”
J. P. Sartre[2]



A antipsiquiatria , uma feérica crítica a psiquiatria enquanto tal surgiu no seio da psiquiatria a partir da década de sessenta deste século, tendo como nomes de destaque: Ronald David Laing (1927 a 1889), David Cooper (1931 a 1986) e Thomas Stephen Szasz (1920 a ____).
Podemos destacar a negação que este movimento (a antipsiquiatria) faz da psiquiatria em frases como esta: “Acima de tudo, preocupei-me com a questão da violência na psiquiatria e concluí que, tal vez, a mais chocante forma de violência em psiquiatria é nada menos do que a violência da psiquiatria...” proferida pôr Cooper[3].
Mas porque tamanha desfeita para com uma profissão supostamente honrada na nossa sociedade que publica livros, vende remédios, mantém nosocômios?
Para tal resposta, nos detivemos num olhar sobre a psiquiatria, um olhar histórico para compreender como ela se formou.
Com o Renascimento Comercial do fim da Idade Média (séculos XIV e XV) surgiu uma nova classe social , a burguesia. Com a Revolução Industrial (séc. XVIII) esta classe atingiu a proeminência econômica, e com a Revolução Francesa (1789 a 1799) e as Revoluções Liberais do século seguinte (1830 a 1848) lançaram as bases para a sua supremacia política enquanto classe hegemônica.
A vigência do modo de vida burguês para toda a sociedade impôs a primazia do lucro como sendo a meta básica e única de toda atividade humana, e a sujeição do homem aos ditames do capital, coisas até então inéditas nas sociedades humanas.
A existência de pessoas que não se inseriam no sistema produtivo, não dão lucro irá atrapalhar o processo de acumulação capitalista. Retira-los do meio social se torna assim imperativo.
Logo os pobres serão segregados longe da sociedade.
A exemplo dessa ação temos, como bem lembra o Professor Frayze, a fundação em Paris (1656, ou seja ainda antes da “Era das Revoluções”) do “Hospital Geral, isto é, uma instituição que engloba diversos estabelecimentos sob uma administração única e destinada a recolher todos os pobres da cidade.”[4] A partir de então todas as demais cidades francesas possuirão esse famigerado Hospital Geral.
Assim, a pobreza é uma mal a ser sanado, o pobre não se encaixa na normalidade burguesa, ele é anormal, não segue a razão (do lucro) é um ente sem razão. Dessa visão da pobreza para a construção do conceito de loucura, foi um “pulinho”.
Em suma, “a loucura é percebida no campo formado pela própria miséria, pela incapacidade para o trabalho e pela impossibilidade de integrar-se no grupo” (burguês)[5].
Assim o pobre/louco deve ser tratado/punido para se encaixar e pôr não se encaixar na ordem burguesa.
A punição emergia do discurso moral que afirmava ser o bom o trabalho, a produtividade, já o louco pôr não se dedicar a estes seria portador do mal, portanto passível de punição.
Mas qual o médico a cuidar desses improdutivos? Roy Porter lembra muito bem quando afirma: “...o aparecimento da medicina psicológica foi mais conseqüência do que causa do surgimento do asilo de loucos. A psiquiatria foi capaz de florescer depois - mas não antes - de grande número de internos encher os manicômios.”[6] A psiquiatria surgia assim para trancafiar os loucos, ser o carcereiro do sistema político, social e econômico.
A partir dessa origem confinatória e punitiva, indubitavelmente que a psiquiatria iria se “modernizar”:
n Benjamin Rush (1746/1813) nos Estados Unidos inventa (1812) a cadeira giratória (Tranquilizer e Gyrator);
n A alternância de banhos quentes e frios (banhos forçados);
n Manfred Sakel (1900/1957) implementou os choques insulínicos (1934);
n Von Meduna (1896/1964) elaborou a convulsoterapia com o uso da cânfora, o cardizol ou metrazol para levar o paciente a ataques epilépticos artificiais;
n Tecnologia de contenção: camisa-de-força, amarras especiais, camas com cinturões, camas chumbadas, quartos fortes, e etc...
n Cerletti (1877/1963) e Bini (1908/1966), em Roma (1938), pesquisando com porcos descobriram a dosagem de eletricidade capaz de gerar uma convulsão no cérebro humano sem mata-lo, criando assim o eletrochoque convulsivante;
n Egas Moniz (1874/1955), português, na década de trinta (1935) desenvolveu a lobotomia (leucotomia frontal), o que lhe valeu o Prêmio Nóbel de Fisiologia e Medicina (1949);
n Psicofármacos para sedar os internos.

A lógica inerente a esses “avanços” transparece na medida em que a psiquiatria não consegue reintegrar os loucos a sociedade restando somente a ação confinatória. Para confiná-lo, quanto mais dócil ele permanecer melhor, portanto seda-lo, dopa-lo, ou lobotomiza-lo o pacifica (tornando-o um vegetal) e assim incomoda menos no hospício.
Ao denunciar e criticar essa prática desumana chamada psiquiatria pôr parte de próprios psiquiatras, surge a antipsiquiatria.
Em seu cerne ela vai se contrapor a psiquiatria, inicialmente colocando a questão da origem do sofrimento psíquico no âmbito social.
Ou seja se existe alguma entidade denominada loucura ela não esta organicamente no indivíduo como quer a psiquiatria e nem em anomalias do desenvolvimento infantil do indivíduo como o quer a psicanálise, mas ela esta no seio da sociedade que gerou essas pessoas (ditas loucas) logo, segundo a antipsiquiatria, é a sociedade que é louca.
O radicalismo (análise até a raiz do problema) da antipsiquiatria não poupa nem a psicanálise, pois quando esta perde o viés social comete ignomínias tais como afirmar que a origem da violência dos meninos de rua esta na carência de afeto paternal.
Mas voltando a sociedade, segundo a antipsiquiatria é ela a fonte do sofrimento psíquico.
A sociedade que conhecemos é a brasileira, vejamos um dado dela.


Metade da população brasileira recebe apenas doze porcento da renda nacional. Será que existem escolas, empregos, casas e sistema de saúde para essa metade da população?
Ou será que ficarão a margem da sociedade sem uma vida plena, levando vidas vazias, pois não são aceitos pela sociedade (capitalista) que valoriza aquilo que eles não tem (capital).
Avançando em outros aspectos a demonstrar a demência de nossa sociedade, iniciemos pôr Frayze:
n “A impessoalidade de nossas relações humanas;
n A indiferença afetiva e o isolamento aos quais o indivíduo esta sujeito em nossas sociedades industriais;
n A vida sexual destituída de afetividade e reduzida ao coito;
n A fragmentação da coerência de nossa conduta cotidiana devida ao fato de pertencermos e atuarmos em diversos grupos que nos impõem papéis contraditórios;
n A perda de sentimento de engajamento no mundo social;”[7]
n Desenraizamento do ser humano causado pelo êxodo rural;
n “A característica do momento é que o espírito medíocre, sabendo-se medíocre, tem a ousadia de afirmar os direitos da mediocridade e de impô-los pôr toda a parte;”[8]
n Nossa sociedade prega a fraternidade mas desde a escola impõem a rivalidade e a competividade;
n Estimula necessidade pelos meio de comunicação sem dar condições de satisfaze-la;
n e etc...

Notadamente, segundo a antipsiquiatria, nossa sociedade é insana, ou, na melhor das situações, possui muitas características insanas.
Mas qual será a instituição social que reproduz tal insanidade?
Qual é a instituição que reproduz, tão bem, para cada indivíduo o machismo, o racismo, e demais preconceitos? A família.
Afinal de contas se a sociedade é insana, sua célula básica também o será, e enquanto célula básica compete a ela, a família, reproduzir, pessoa a pessoa tal sociedade.
Podemos nos lembrar da seguinte questão, já muito citada, mas que coloca a análise na esfera da família: “A comunicação entre os membros de uma família é patológica porque um deles é psicótico, ou um deles é psicótico porque a comunicação é patológica?”[9]
Da família louca como que chegamos ao indivíduo louco, qual a gênese de tal situação para o indivíduo?
“Laing considera que as pessoas chamadas de esquizofrênicas ou loucas foram levadas, pelo tipo de relacionamento de sua família, a criar um “eu” falso. Este “eu” falso foi a maneira encontrada pela pessoa para tentar ser aprovada pelos outros. Assim, o “eu” da pessoa não chegou a se desenvolver. Foi reprimido. A psicose seria, para Laing e para Cooper, uma estratégia especial que a pessoa é obrigada a usar, para poder suportar uma situação muito pesada.”
“A crise de loucura, o dito “surto” esquizofrênico, é visto como uma viagem para o interior de si mesmo, onde a pessoa busca um refúgio. É um tentativa de retroceder no tempo e nas emoções, usada quando não há mais maneiras de suportar o mundo. O surto esquizofrênico é, então, a busca de uma vida diferente quando não há condições de manter os difíceis relacionamentos sociais a que a pessoa acostumou-se. Estes relacionamentos são tão difíceis para estas pessoas porque não se fazem com um “eu” autêntico, mas com um “eu” falso. A crise psicótica é uma tentativa de romper com uma vida que já esta, há muito, insuportável.”[10]
Já salientada a visão da loucura pela antipsiquiatria, vamos ver sua ação, as práticas asilares estruturadas conforme a psiquiatria são relegadas como ampliadoras, se não geradoras da loucura num processo iatrogênico.
Ficar circunscrito a normas rígidas da instituição que não possuem significado algum para o paciente o esvazia de sua dimensão humana.
A antipsiquiatria vai tentar desenvolver uma prática manicomial que respeite o ser humano.
Cooper vai dirigir na década de sessenta (1961 a 1965) no Shelly Hospital de Londres , o Pavilhão 21, reunindo doentes, enfermeiros e médicos em uma existência coletiva da qual todo vestígio de hierarquização desaparecera.
Cooper com Laing fundaram (1965) a Philadelphia Association, instituição antipsiquiátrica destinada a oferecer aos psicóticos lugares de acolhimento, onde pudessem ser acompanhados em seu esforço para reconstituir o seu “eu” autêntico.
O mais célebre desses “lares” foi o Kingsley Hall, centro histórico do movimento operário inglês, devido a carência de fundos, fechou (1970).



[1] Texto escrito anteriormente a divisão dos grupos pôr autor, que valerá enquanto introdução de questionamentos à psiquiatria da antipsiquiatria anglo-americana.

[2]In Szasz, Thomas. Ideologia e Doença Mental, pg. 201.

[3]Cooper, D. Psiquiatria e Antipsiquiatria, pg. 13.

[4] Frayze-Pereira, J. O Que é Loucura, pg. 63.

[5] Idem, pg. 67/68.

[6] Porter, Roy. Uma História Social da Loucura, pg. 27.

[7]Frayze-Pereira, ibidem pr. 31 e 32.

[8] Ortega y Gasset. A Rebelião das Massas. New York, Norton, 1957, pg.15/16, citado in Friedenberg, Edgar. As Idéias de Laing, pg. 94.

[9] Beauchesne, Hervé. História da Psicopatologia, pg. 140.

[10] Serrano, Alan Indio. O Que é Psiquiatria Alternativa, pg. 71.

sábado, 26 de novembro de 2011

SEXO E AMOR



Na sua globalidade, o amor é sentimento vinculado ao Self enquanto que a
busca do prazer sexual está mais pertinente ao ego, responsável por todo tipo
de posse.
O sentimento de amor pode levar a uma comunhão sexual, sem que isso
lhe seja condição imprescindível. No entanto, o prazer sexual pode ser
conseguido pelo impulso meramente instintivo, sem compromisso mais
significativo com a outra pessoa, que, normalmente se sente frustrada e usada.
Os profissionais do sexo, porque perdem o componente essencial dos
estímulos, em razão do abuso de que se fazem portadores, derrapam nas
explosões eróticas, buscando recursos visuais que lhes estimulem a mente, a
fim de que a função possa responder de maneira positiva. Mecanicamente se
desincumbem da tarefa animal e violenta, tampouco satisfazendo-se,
porqüanto acreditam que estão em tarefa de aliciamento de vidas para o
comércio extravagante e nefando da venda das sensações fortes, a que se
habituaram.
O amor, como componente para a função sexual, é meigo e judicioso,
começando pela carícia do olhar que se enternece e vibra todo o corpo ante a
expectativa da comunhão renovadora.
Essa libido tormentosa, veiculada pela mídia e exposta nas lojas em forma
de artefatos, torna-se aberração que passa para exigências da estroinice,
resvalando nos abismos de outros vícios que se lhe associam.
Quando o sexo se apresenta exigente e tormentoso, o indivíduo recorre
aos expedientes emocionais da violência, da perseguição, da hediondez.
Os grandes carrascos da Humanidade, até onde se os pode entender,
eram portadores de transtornos sexuais, que procuravam dissimular,
transferindo-se para situações de relevo político, social, guerreiro, tornando-se
temerários, porque sabiam da impossibilidade de serem amados.
Quando o amor domina as paisagens do coração, mesmo existindo
quaisquer dificuldades de ordem sexual, faz-se possível superá-las, mediante a
transformação dos desejos e frustrações em solidariedade, em arte, em
construção do bem, que visam ao progresso das pessoas, assim como da
comunidade, tornando-se, portanto, irrelevantes tais questões.
O ser humano, embora vinculado ao sexo pelo atavismo da reprodução,
está fadado ao amor, que tem mais vigor do que o simples intercurso genital.
Sem dúvida, por outro lado, as grandes edificações de grandeza da
humanidade tiveram no sexo o seu élan de estímulo e de força. Não obstante,
persegue-se o sucesso, a glória efêmera, o poder para desfrutar dos prazeres
que o sexo proporciona, resvalando-se em equívoco lamentável e perturbador.
O amor à arte e à beleza igualmente inspirou Miguel Ângelo a pintar a
capela Sistina, dentre outras obras magistrais, a esculpir la Pietá e o Moisés; o
amor à ciência conduziu Pasteur à descoberta dos micróbios; o amor à verdade
levou Jesus à cruz, traçando uma rota de segurança para as criaturas humanas
de todos os tempos...
O amor é o doce enlevo que embriaga de paz os seres e os promove aos
píncaros da auto-realização, estimulando o sexo dignificado, reprodutor e calmante.
Sexo, em si mesmo, sem os condimentos do amor é impulso violento e fugaz.

JOANNA DE ÂNGELIS

À procura das Pérolas


(Nº. 215 - Trip., XIX, 7, p. 14 ro.)

Ananda disse ao Buda: "O senhor, ó Buda, nasceu em uma família real, permaneceu sentado sob uma árvore e meditou sobre a sabedoria durante seis anos. Obter assim (a dignidade) de Buda é lográ-la facilmente".

O Buda respondeu a Ananda: "Certa vez, Ananda, havia um senhor proprietário extremamente rico que possuía toda sorte de jóias, mas como não possuía as verdadeiras pérolas vermelhas, não se sentia satisfeito. Levando consigo outros homens, ele foi ao mar para recolher algumas pérolas; após superar vários perigos e obstáculos, conseguiu chegar ao local onde se encontravam as jóias. Ele cortou seu corpo para fazer correr o sangue, o qual colocou em um saco untado com óleo, suspenso no fundo do mar. As ostras, ao sentirem o odor do sangue, vieram sugá-lo. Então ele pôde retirar as ostras e, abrindo-as, fez saírem as pérolas; recolhendo-as dessa maneira durante três anos, ele chegou a formar um colar inteiro.

Quando retornava, ao chegar à margem de um rio, seus companheiros, vendo que trazia jóias preciosas, armaram-lhe uma cilada. Enquanto o seguiam para pegar água, reuniram-se e o atiraram em um poço, que depois cobriram, e partiram. Passado um longo tempo desde que caíra no fundo do poço, o homem percebeu um leão que se aproximava por um orifício lateral para beber água. Ele novamente teve muito medo. Mas, quando o leão partiu, o homem procurou a passagem por onde o animal havia vindo, pôde sair (do poço) e voltar a seu país. Quando seus companheiros retornavam à sua casa, o homem os chamou e disse: "Vocês me roubaram um colar. Ninguém o sabe, nem que vocês também tentaram-me fazer perecer. Devolvam-no em segredo e eu não os denunciarei". Temerosos, os homens devolveram as pérolas. De posse das jóias, o proprietário levou-as para casa.

Ele tinha dois filhos que brincavam com as pérolas, colocando-as sobre o corpo, e perguntavam
um ao outro: "De onde vêm essas pérolas?". Um deles disse: "Elas vieram do saco que tenho na mão".

O outro disse: "Elas vieram de um jarro que está nesta sala". Vendo aquilo, o pai começou a rir.

Sua esposa lhe perguntou a razão, e ele respondeu: "Recolhi essas pérolas mediante um sofrimento extremo; essas crianças as receberam de mim, não sabem nada dessa história e pensam que as pérolas vieram de um jarro".

O Buda disse a Ananda: "Você me vê somente após ter-me tornado Buda, mas ignora com que esforço e pena me dediquei ao estudo por incontáveis kalpas. Agora cheguei ao objetivo e você pensa que foi fácil, tal como aquelas crianças que pensavam que as pérolas vinham do jarro".

Assim, podemos atingir o objetivo praticando inúmeras boas ações e acumulando
mérito durante muitos kalpas, mas não se trata do resultado, nem de um só ato, de uma única ação ou de uma só vida.

Referências bibliográficas


As Mais Belas Histórias Budistas -


http://groups.msn.com/RenovandoAtitudes

sexta-feira, 3 de junho de 2011

JUIZ INDEFERE PEDIDO PARA RECOLHER LIVRO ESPÍRITA




São Paulo, 31 de maio de 2011

O juiz federal Marcelo Freiberger Zandavali, substituto da 3ª Vara
Federal de Bauru negou pedido de liminar para recolher os exemplares
do livro “Obras Póstumas de Allan Kardec”, editado pelo Instituto de
Difusão Espírita.

A ação popular foi ajuizada por Pedro Valentim Benedito, com pedido de
antecipação de tutela, sob o argumento da obra ser lesiva ao
patrimônio histórico e cultural e por veicular conteúdo racista.

O autor popular fundou seu pedido, dentre outros documentos, na
Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial, tratado internacional cujo cumprimento, em
território nacional, foi objeto do Decreto n.º 65.810/69.

Em sua decisão, Marcelo Zandavali destacou trecho da convenção sobre
discriminação racial. “Entende-se discriminação racial qualquer
distinção, exclusão, restrição ou preferência fundadas na raça, cor,
descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por fim ou efeito
anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em
igualdade de condições, dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais nos domínios político, econômico, social, cultural ou em
qualquer outro domínio da vida pública”.

De acordo com o juiz, o Instituto não teve a intenção específica de
anular ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício dos
direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas de cor negra.
Ao contrário, em “nota explicativa”, ao final do livro, expressa o
“mais absoluto respeito à diversidade humana, sem preconceito de
nenhuma espécie”.

Ressalta, ainda, que a obra traz a opinião de uma pessoa que viveu no
século XIX, época em que era comum este tipo de pensamento com relação
aos negros, tanto que em boa parte dos países ainda havia a
escravidão.

Sendo assim, de acordo com o magistrado, “fica clara como água da
rocha a intenção dos editores de divulgar, sem mutilações, o
pensamento kardecista, sem, para tanto, elevar a distinção baseada na
cor da pele em ideologia discriminatória”. (FRC)

Ação Popular n.º 0003015-78.2011.403.6108 – íntegra da decisão

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Transformação Íntima

Tendências viciosas como impulsos para a virtude procedem, sim, do Espírito, agente determinante do comportamento humano.

Não podendo a organização celular definir estados psicológicos e emocionais, estes obedecem às impressões espirituais de que se encharcam, exteriorizando-se como fatores propelentes para uma ou outra atitude.

Destituída de espontaneidade, exceto dos fenômenos que lhe são inerentes, graças aos automatismos atávicos, a matéria orgânica é resultado das aquisições eternas do Espírito que dela se veste para as experiências da evolução.

A hereditariedade vigente nos mapas dos genes e dos cromossomos encarrega-se de transmitir inúmeros caracteres morfológicos, fisiológicos, sem exercer preponderância fundamental nos arcabouços psicológicos e morais, que pertencem ao ser espiritual, modelador das necessidades inerentes ao progresso e fomentador dos recursos que se lhe fazem indispensáveis a esse processo de crescimento a que se destina.

Descartar-se o valor dos implementos espirituais nos fenômenos comportamentais do homem, é uma tentativa de reduzi-lo a um amontoado de tecidos frágeis que o acaso organiza e desmantela ao próprio talante.

A vida pessoal escreve nas experiências de cada ser as diretrizes para as suas conquistas futuras.

Vícios e delitos ignóbeis, virtudes sacrificiais e abnegação, pertencem à alma que os externa nos momentos hábeis conforme o seu estágio evolutivo.

*

Vicente de Paulo e Francisco de Sales, fascinados pelo amor aos infelizes, liberaram as altas forças que lhes jaziam inatas, a serviço da caridade e da dedicação sem limite.

Ana Nery e Eunice Weaver, sensibilizadas pelo sofrimento humano, esqueceram-se de si mesmas e dedicaram-se, a primeira, aos combatentes feridos, e a segunda, à salvação dos filhos sadios dos hansenianos.

Eichmann e inúmeros carrascos nazistas acariciavam, comovidos, os filhinhos, após enviarem, cada dia, milhares de outras crianças e adultos aos fornos crematórios em inúmeros lugares dos países subjugados.

Tamerlão incendiava as cidades conquistadas, após degolar os sobreviventes, para depois dormir tranqüilo ao lado daqueles a quem amava.

Homens e mulheres virtuosos, sempre revelaram o alto grau de amor que lhes jazia em latência, da mesma forma que sicários e criminosos sanguissedentos deixaram transparecer a crueldade assassina desde os primeiros anos de infância...

As exceções demonstram o poder da vontade, que é manifestação do Espírito, quando acionada, propelindo para uma ou para outra atitude.

*

O hábito vicioso arraigado remanesce, impondo de uma para outra reencarnação suas características, assim impelindo o homem para manter a sua continuidade.

Da mesma forma, os salutares esforços no bem e na virtude ressumam dos refolhos da alma, e conduzem vitoriosos aos labores de edificação.

Toda ação atual, portanto, tem as suas matrizes em outras que as precedem, impressas nos arquivos profundos do ser.

*

Estás, na Terra, com a finalidade de abrir sepulturas para os vícios e dar asas às virtudes.

Substituindo o mau pelo bom hábito, o equivocado pelo correto labor, corrigirás a inclinação moral negativa, criando condicionamentos sadios que se apresentarão como virtudes a felicitar-te a vida.

Teus vícios de hoje, transforma-os, no teu mundo íntimo, em virtudes para amanhã ao teu alcance desde agora.

Libera-te pois, com esforço e valor moral, do mau gênio que permanece dominador, das paixões perturbadoras que te inquietam, e renova-te para o bem, pelo bem que flui do Eterno Bem.

* * *
Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Vigilância.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
1a edição. Salvador, BA: LEAL, 1987.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Reforma Íntima

A reforma íntima!

Quanto puderes, posterga a prática do mal até o momento que possas vencer essa força doentia que te empurra para o abismo.

Provocado pela perversidade, que campeia a solta, age em silêncio, mediante a oração que te resguarda na tranqüilidade.

Espicaçado pelos desejos inferiores, que grassam, estimulados pela onde crescente do erotismo e da vulgaridade, gasta as tuas energias excedentes na atividade fraternal.

Empurrado para o campeonato da competição, na área da violência, estuga o passo e reflexiona, assumindo a postura da resistência passiva.

Desconsiderado nos anseios nobres do teu sentimento, cultiva a paciência e aguarda a bênção do tempo que tudo vence.

Acoimado pela injustiça ou sitiado pela calúnia, prossegue no compromisso abraçado, sem desânimo, confiando no valor do bem.

Aturdido pela compulsão do desforço cruel, considera o teu agressor como infeliz amigo que se compraz na perturbação.

Desestimulado no lar, e sensibilizado por outros afetos, renova a paisagem familiar e tenta salvar a construção moral doméstica abalada.

*

É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores. Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, a requeimarem por dentro, passados os primeiros momentos.

Ninguém foge aos desafios da vida, que são técnicas de avaliação moral para os candidatos à felicidade.

O homem revela sabedoria e prudência, no momento do exame, quando está convidado à demonstração das conquistas realizadas.

Parentes difíceis, amigos ingratos, companheiros inescrupulosos, co-idealistas insensíveis, conhecidos descuidados, não são acontecimentos fortuitos, no teu episódio reencarnacionista.

Cada um se movimenta, no mundo, no campo onde as possibilidades melhores estão colocadas para o seu crescimento. Nem sempre se recebe o que se merece. Antes, são propiciados os recursos para mais amplas e graves conquistas, que darão resultados mais valiosos.

Assim, aprende a controlar as tuas más inclinações e adia o teu momento infeliz.

Lograrás vencer a violência interior que te propele para o mal, se perseverares na luta.

*

Sempre que surja oportunidade, faze o bem, por mais insignificante que te pareça. Gera o momento de ser útil e aproveita-o.

Não aguardes pelas realizações retumbantes, nem te detenhas esperando as horas de glorificação.

Para quem está honestamente interessado na reforma íntima, cada instante lhe faculta conquistas que investe no futuro, lapidando-se e melhorando-se sem cansaço.

*

Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício.

Toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço.

Trabalha-te interiormente, vencendo limite e obstáculo, não considerando os terrenos vencidos, porém, fitando as paisagens ainda a percorrer.

A tua reforma íntima te concederá a paz por que anelas e a felicidade que desejas.

* * *
Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Vigilância.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
1a edição. Salvador, BA: LEAL, 1987.