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Ísis
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| Outros nomes |
Ast, Aset, Auset |
| Nascimento |
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| Parentesco |
Geb e Nut |
| Cônjuge |
Osíris |
| Filho(s) |
Hórus |
Ísis (em egípcio: Auset) foi uma deusa da
mitologia egípcia,
cuja adoração se estendeu por todas as partes do mundo greco-romano.
Foi cultuada como modelo da mãe e da esposa ideais, protetora da
natureza e da
magia. Era a amiga dos
escravos,
pescadores,
artesãos, oprimidos, assim como a que escutava as preces dos opulentos, das donzelas, aristocratas e governantes.
[1] Ísis é a deusa da
maternidade e da
fertilidade.
Os primeiros registros escritos acerca de sua adoração surgem pouco depois de
2500 a.C., durante a
V dinastia egípcia. A deusa Ísis, mãe de
Horus, foi a primeira filha de
Geb, o deus da
Terra, e de
Nut, a deusa do Firmamento, e nasceu no quarto dia intercalar. Durante algum tempo Ísis e
Hator ostentaram a mesma cobertura para a cabeça. Em mitos posteriores sobre Ísis, ela teve um irmão,
Osíris, que veio a tornar-se seu marido, tendo se afirmado que ela havia concebido
Horus. Ísis contribuiu para a ressurreição de Osiris quando ele foi assassinado por
Seth.
As suas habilidades mágicas devolveram a vida a Osíris após ela ter
reunido as diferentes partes do corpo dele que tinham sido despedaçadas e
espalhadas sobre a Terra por Seth.
[2] este mito veio a tornar-se muito importante nas crenças religiosas egípcias.
Ísis também foi conhecida como a deusa da
simplicidade,
protetora dos mortos e deusa das crianças de quem "todos os começos"
surgiram, e foi a Senhora dos eventos mágicos e da natureza. Em mitos
posteriores, os antigos egípcios acreditaram que as cheias anuais do
rio Nilo
ocorriam por causa das suas lágrimas de tristeza pela morte de seu
marido, Osíris. Esse evento, da morte de Osíris e seu renascimento, foi
revivido anualmente em rituais. Consequentemente, a adoração a Ísis
estendeu-se a todas as partes do mundo greco-romano, perdurando até à
supressão do
paganismo na
Era Cristã.
[3]
Origem do nome
Ísis alada (pintura mural, c. 1360 a.C.).
A pronúncia do nome desta deidade é uma corruptela do mesmo na
língua grega antiga onde se modificou o nome egípcio original pela adição de um "-s" no final devido às normas gramaticais do antigo grego.
O nome egípcio foi grafado como
ỉs.t ou
ȝs.t com o significado de '(Ela de o) Trono'. A sua
pronúncia correta em antigo egípcio é incerta, entretanto, uma vez que o antigo
sistema de escrita usualmente não previa as
vogais. Com base em estudos recentes que nos oferecem aproximações com base em linguagens contemporâneas e na evidência da
língua copta, a pronúncia reconstruida de seu nome é
*ˈʔuː.sat (O nome de Osiris, "Usir" ou "Wsir" também se inicia com o glifo para trono
ʔs ('-s').). O nome sobreviveu nos dialetos coptas como
Ēse ou
Ēsi,
assim como em palavras compostas sobreviventes em nomes de pessoas
posteriormente, como por exemplo 'Har-si-Ese', literalmente 'Hórus,
filho de Ísis'.
Por conveniência,
Egiptólogos
arbitrariamente decidiram pronunciar o seu nome como 'ee-set'. Por
vezes também podem dizer 'ee-sa' porque o 't' final em seu nome foi um
sufixo feminino, que é sabido ter sido buscado à
fala durante as últimas etapas da língua egípcia.
Literalmente, o seu nome significa "ela do trono". A sua cobertura
original para a cabeça foi um trono. Como personificação do trono, ela
foi uma representação importante do poder do faraó, assim como o faraó
foi representado como seu filho, que se sentou no trono que ela
forneceu. O seu culto foi popular em todas as partes do Egito, mas os
santuários mais importantes eram em
Guizé e em Behbeit El-Hagar, no
Delta do Nilo, no
Baixo Egito.
História
As origens do seu
culto
são incertas, mas acredita-se ser oriundo do delta do Nilo. Entretanto,
ao contrário de outras divindades egípcias, não teve desse culto
centralizado em nenhum ponto específico ao longo da história da sua
adoração. Isto pode ser devido à ascensão tardia de seu culto. As
primeiras referências a Ísis remontam à
V dinastia egípcia,
período em que são encontradas as primeiras inscrições literárias a seu
respeito, embora o culto apenas venha a ter tido proeminência ao final
da história do antigo Egipto, quando se iniciou a absorção dos cultos de
muitas outras deusas com centros de culto firmemente estabelecidos.
Isto ocorreu quando o culto de Osíris se destacou e ela teve um papel
importante nessa crença. Eventualmente, o seu culto difundiu-se além das
fronteiras do Egito.
Durante os séculos de formação do
cristianismo, a religião de Ísis obteve conversos de todas as partes do
Império Romano. Na própria
península Itálica, a fé nesta deusa egípcia era uma força dominante. Em
Pompéia, as evidências
arqueológicas revelam que Ísis desempenhava um papel importante. Em
Roma, templos e obeliscos foram erguidos em sua homenagem. Na
Grécia Antiga, os tradicionais centros de culto em
Delos,
Delfos e
Elêusis foram retomados por seguidores de Ísis, e isto ocorreu no norte da Grécia e também em
Atenas. Portos de Ísis podiam ser encontrados no
mar Arábico e no
mar Negro. As inscrições mostram que possuía seguidores na
Gália, na
Espanha, na
Panónia, na
Alemanha, na
Arábia Saudita, na
Ásia Menor, em
Portugal, na
Irlanda e muitos santuários mesmo na
Grã-Bretanha.
[4] isis representa o amor ,a magia e os misterios da região.
Templos
A maioria das divindades egípcias surgiu pela primeira vez como cultos muito localizados e em toda a sua
história
mantiveram os seus centros locais de culto, com a maioria das capitais e
cidades sendo amplamente conhecidas como lar dessas divindades. Ísis
foi, em sua origem, uma divindade independente e popular estabelecida em
tempos pré-dinásticos, anteriormente a 3100 a.C., em
Sebennytos no delta do Nilo.
[2]
No Egito, existiram três grandes templos em homenagem a Ísis:
Na ilha de
Filas, no Alto Nilo, o culto a Ísis e Osíris persistiu até ao
século VI, ou seja, muito tempo após a ascensão do
Cristianismo e a subseqüente supressão do
paganismo. O decreto de Teodósio (c. de
380) determinando a destruição de todos os templos pagãos, não foi aplicada em Filas até ao governo de
Justiniano. Essa tolerância foi devido a um antigo tratado celebrado entre os Blemyes-Nobadae e
Diocleciano. Todos os anos, eles visitavam
Elefantina
e, em determinados períodos levavam a imagem de Ísis rio acima para a
terra dos Blemyes para fins divinatórios, devolvendo-a em seguida.
Justiniano enviou
Narses para destruir os santuários, prender os sacerdotes e arrestar as imagens sagradas para
Constantinopla.
[5] Filas foi o último dos antigos templos egípcios a ser fechado.
Eventualmente templos a Ísis começou a se difundir além das fronteiras do Egito. Em muitos locais, em especial em
Biblos, o seu culto assumiu o lugar da
deusa semita Astarte, aparentemente pela semelhança entre os seus nomes e atributos. À época do
helenismo,
devido aos seus atributos de protetora e mãe, assim como ao seu aspecto
luxurioso, adquirido quando ela incorporou alguns dos aspectos de
Hathor, ela tornou-se padroeira dos
marinheiros, que difundiram o seu culto graças aos navios mercantes que circulavam no
mar Mediterrâneo.
Através do mundo
greco-romano, Ísis tornou-se um dos mais significativos
mistérios,
e muitos autores clássicos fazem referência, em suas obras, aos seus
templos, cultos e rituais. Templos em sua homenagem foram erguidos na
Grécia e em
Roma, tendo sido colocado a descoberto um bem preservado exemplar em
Pompéia.
Da mesma forma, a deusa árabe "Al-Ozza" ou "Al-Uzza" (em árabe,
العُزّى - al ȝozza), cujo nome é semelhante ao de Ísis, acredita-se que
seja uma manifestação sua. Isso, porém, é entendido apenas com base na
semelhança entre os nomes.
Iconografia
Associações
Por causa desta associação entre nós e poder mágico, um símbolo de Ísis foi o "
tiet" ou
tyet (com o significado de "bem-estar"/"vida"), também denominado como "Laço de Ísis", "Fivela de Ísis" ou "
Sangue" de Ísis. Em muitos aspectos, o "
tiet" se assemelha a uma cruz
Ankh, exceto que os seus braços apontam para baixo e, quando usado como tal, parece representar a idéia de
vida eterna ou
ressurreição. O significado de "Sangue de Ísis" é mais obscuro, mas o "
tiet" muitas vezes foi usado como um
amuleto funerário, confeccionado em
madeira,
pedra ou
vidro, na cor vermelha, embora isso possa ser apenas uma simples descrição dos materiais utilizados.
A estrela
Spica ("
Alpha Virginis") e a
constelação que modernamente corresponde aproximadamente à de
Virgo, surge no firmamento acima do
horizonte em uma época do ano associada à colheita de
trigo e grãos e, desse modo, ficou associada a divindades da
fertilidade, como Hathor. Ísis viria a ser associada a esses astros devido à posterior fusão de seus atributos com os de Hathor.
Ísis também assimilou atributos de
Sopdet, personificação da estrela
Sirius, uma vez que este astro, ascendendo no horizonte um pouco antes da cheia do
rio Nilo,
foi interpretado como uma fonte de fertilidade, como Hathor o havia
sido também. Sopdet manteve um elemento de identidade distinto: uma vez
que Sirius era visivelmente uma estrela, ou seja, não vivia no submundo,
o que poderia ter conflitado com a representação de Ísis como esposa de
Osíris, senhor do submundo.
Provavelmente devido à equiparação com as deusas
Afrodite e
Vênus, durante o período greco-romano, a
rosa foi usada em seu culto. A procura de rosas por todo o império tornou a sua produção em uma importante indústria.
Representações
Ísis com os atributos de Hathor (pintura mural).
Na arte, Ísis foi originalmente retratada como uma mulher com um vestido longo e coroada com o
hieróglifo que significava "trono". Por vezes foi descrita como portadora de um
lótus ("
Nymphaea caerulea"), ou como um
sicômoro ("
Ficus sycomorus"). A faraó,
Hatshepsut, foi retratada em seu túmulo sendo amamentada por um sicômoro que tinha um seio.
Após ter assimilado muitos dos papéis da deusa
Hathor, a cobertura de cabeça de Ísis passa a ser a de Hathor: os
cornos de uma
vaca,
com o disco solar inscrito entre eles. Às vezes, também foi
representada como uma vaca, ou uma cabeça de vaca. Normalmente, porém,
era retratada com o seu filho pequeno, Hórus (o faraó), com uma
coroa e um
abutre. Ocasionalmente, foi representada ou como um
abutre pairando sobre o corpo de Osíris, ou com o Osíris morto em seu colo enquanto por artes mágicas o trazia de volta à vida.
Na maioria das vezes Ísis é retratada segurando apenas o símbolo
Ankh
com um pequeno grupo de acompanhantes, mas no período final de sua
história, as imagens mostram-na, por vezes, com itens geralmente
associados apenas a Hathor: o
sistro sagrado e o colar símbolo de fertilidade "
menat". No "
The Book of Coming Forth By Day" Ísis está representada de pé sobre a proa da Barca Solar, com os braços estendidos.[1]
A estrela "Sept" (
Sirius)
está associada a Ísis. O surgimento dela no firmamento significava o
advento de um novo ano, e Ísis foi igualmente considerada a deusa do
renascimento e da reencarnação, e como protetora dos mortos. O Livro dos
Mortos descreve um ritual especial, para proteger os mortos, que
permitia viajar em qualquer parte do mundo subterrâneo. A maior parte
dos títulos de Ísis tem relação com o seu papel de deusa protetora dos
mortos.
Mitologia
Quando visto como deificação da esposa do faraó em mitos tardios, o
proeminente papel de Ísis foi como assistente do faraó morto. Desse
modo, ela ganhou uma associação funerária, com o seu nome a aparecer
mais de oitenta vezes nos chamados
Textos das Pirâmides, afirmando-se que ela era a mãe das quatro divindades que protegiam os
vasos canopos, nomeadamente a protetora da divindade do vaso do
fígado,
Imset. Esta associação com a esposa do faraó também trouxe a ideia de que Ísis era considerada a esposa de
Hórus (outrora visto como seu filho), que era protetor e, posteriormente, a deificação do faraó. À época do
Médio Império, da
XI dinastia egípcia até à
XV dinastia egípcia, entre 2040 e
1640 a.C.,
à medida que os textos funerários começam a ser utilizados por maior
número de membros da sociedade egípcia, além da família real, cresce
também o seu papel de proteger os nobres e até mesmo os plebeus.
À época do
Novo Império, a
XVIII, a
XIX e a
XX dinastias, entre 1570 e
1070 a.C.,
Ísis adquiriu proeminência como a mãe e protetora do faraó. Durante
este período, ela é descrita como amamentando o faraó e é frequentemente
assim representada.
Irmã-esposa de Osíris
No
Império Antigo, da
III à
VI dinastia egípcia, entre
2686 a.C. e
2134 a.C., os panteões das cidades egípcias variaram de região para região. Durante a
V dinastia, Ísis pertenceu à
Enéade da cidade de
Heliópolis. Acreditava-se então que ela era filha de
Nut e
Geb, e irmã de
Osíris,
Néftis e
Seth. As duas irmãs, Ísis e Néftis, muitas vezes eram representadas nos
sarcófagos com grandes asas esticadas, como protetoras contra a
maldade. Como deidade funerária, Ísis foi associada a Osíris, senhor do submundo (
Duat), e foi considerada sua esposa.
A
mitologia tardia (ultimamente em resultado da substituição de um outro deus do submundo,
Anúbis,
quando o culto de Osíris ganhou mais importância) fala-nos do
nascimento de Anúbis. A narrativa descreve que, como Seth negava um
filho a Néftis, esta então disfarçou-se como Ísis, muito mais atraente,
para seduzi-lo. O plano falhou, mas Osíris passou a achar Néftis muito
atraente, pensando que ela era Ísis. Eles
copularam,
o que resultou no "nascimento" de Anúbis. Em outra narrativa, Néftis
deliberadamente assumiu a forma de Ísis, a fim de enganar Osíris e assim
obter dele a paternidade de seu filho. Com medo das represálias de
Seth, Néftis persuadiu Ísis a adoptar Anubis, de modo a que a criança
não viesse a ser descoberta e morta. Essa narrativa explica tanto porque
Anúbis é visto como uma divindade do submundo (uma vez que se torna
filho de Osíris), quanto porque não poderia herdar a posição de Osíris
(uma vez que não era um herdeiro legítimo), preservando posição de
Osíris como Senhor do submundo. Deve ser lembrado, no entanto, que este
novo mito foi apenas uma criação posterior do culto de Osíris que queria
retratar Seth em um papel de maldade, como inimigo de Osíris.
Em outro mito de Osíris, Seth preparou um banquete para Osíris
apresentando uma bela caixa e declarando que, quem coubesse
perfeitamente nela, poderia ficar com ela como um presente. Ora, Seth
havia medido Osíris enquanto este dormia, certificando-se assim que este
era o único a caber perfeitamente na caixa. Após vários dos presentes
terem tentado encaixar-se nela, chegou a vez de Osíris, que a preencheu
perfeitamente. Seth então fechou a tampa da caixa, transformando-a num
caixão para Osíris. Em seguida, Seth afundou a caixa fechada com Osíris
nas águas do rio Nilo, que a levaram para muito longe. Assim que soube
do ocorrido, Ísis foi procurar a caixa, para Osíris pudesse ter um
enterro apropriado. Foi encontrá-la na longínqua
Biblos, cidade na costa da
Fenícia, e trouxe-a de volta ao Egito, ocultando-a em um
pântano. Entretanto, naquela noite Seth foi à
caça,
vindo a encontrar a caixa oculta. Enfurecido, Seth retalhou o corpo de
Osíris em catorze pedaços, e os espalhou por todo o Egito, para se
certificar de Ísis jamais poderia encontrá-los e dar assim um enterro
adequado a Osíris.
[6][7] Ísis e Néftis, sua irmã, dedicaram-se então à busca dos pedaços, tendo conseguido encontrar apenas treze. Um
peixe havia engolido o último, o
pénis, que Ísis refez utilizando
magia. Desse modo, com todas as partes reunidas do corpo morto de Osíris, ela pode conceber
Hórus.
O número de partes do corpo de Osíris é descrito de forma variável nas
paredes de diversos templos, entre catorze e dezesseis e,
ocasionalmente, em quarenta e duas, uma para cada
nomo ou distrito.
[7]
Mãe de Hórus
Ísis amamentando Hórus, com a cobertura de Háthor.
Através da fusão de seus atributos com os de
Hathor, Ísis tornou-se a mãe de
Hórus, mais do que sua esposa, e isto, quando as crenças acerca de
Ra absorveram
Atum em
Atum-Ra, sendo ainda necessário ter-se em conta que Ísis integrou a
Enéade, como a esposa de
Osíris.
É necessário explicar, entretanto, como é que Osíris que (como Senhor
da Morte) estava morto, pode ser considerado pai de Hórus, que não era
considerado morto. Este conflito nas narrativas conduziu à evolução da
ideia de que Osíris necessitava de ser ressuscitado e posteriormente, à
versão da
Lenda de Osíris e Ísis de que o grego
Plutarco, no
século I, em "
De Iside et Osiride", nos deixou a versão mais extensa atualmente conhecida
[8]
Um outro conjunto de mitos tardios detalha as aventuras de Ísis após o
nascimento do filho póstumo de Osíris, Hórus. Foi dito que Ísis deu à
luz Hórua e Khemmis, pensa-se, no delta do rio Nilo.
[9]
Muitos perigos surgiram para Hórus após o seu nascimento e Ísis navegou
com o pequeno Hórus para escapar da ira de Seth, o assassino de seu
esposo. Em um instante, Ísis curou Hórus de uma picada mortal de
escorpião, além de outros milagres com relação ao
cippi,
as placas de Hórus. Ísis protegeu e promoveu Hórus até que estivesse
suficientemente grande e forte para encarar Seth e tornar-se,
subsequentemente, faraó do Egito.
Assimilação de Mut
Mut, uma
divindade primordial chamada "mãe"", foi originalmente um título para as
águas primordiais do cosmos, a mãe de quem o universo surgiu. Quando o
emparelhamento das divindades começou, Mut tornou-se uma consorte de
Amon, a quem já tinha sido atribuída uma esposa completamente diferente. Após a autoridade de Tebas haver aumentado durante a
XVIII dinastia egípcia e ter tornado Amon em um deus muito mais significativo, o seu culto diminuiu, e Amon foi assimilado a
Ra.
Em consequência, a consorte de Amon,
Mut, até então descrita como uma coruja
[10]
mãe-adotiva que, nessa altura já tinha absorvido os atributos de outras
deusas, outras deusas-se, também foi assimilada como esposa de Rá,
Ísis-Hathor como "Mut-Ísis-Nekhbet". Na ocasião, a infertilidade de Mut
foi levada em consideração, e assim, o nascimento de Hórus, que era
demasiado importante para ser ignorado, necessitou ser explicado
afirmando-se que Ísis ficou grávida por magia, quando ela se transformou
em um
papagaio e voou sobre o corpo morto de Osíris.
Mais tarde, os mitos tornaram-se bastante mais complexos. O consorte de Mut era Amon, que nessa época tinha se identificado com
Min
como "Amon-Min" (também conhecido pelo seu epíteto "Kamutef"). Desde
que Mut tornou-se parte de Ísis, era natural tentar fazer Amon parte de
Osíris, marido de Ísis, mas isso não era facilmente conciliável, uma vez
que Amon-Min era um deus da fertilidade e Osíris era o deus dos mortos.
Consequentemente, eles permaneceram considerados em separado, e Ísis,
por vezes, afirmou-se ser amante de Min. Posteriormente, em uma fase em
que Amon-Min foi considerado um aspecto de Ra ("Amon-Ra"), ele também
foi considerado um aspecto de Hórus, uma vez que Hórus foi identificado
como Ra, e, portanto, filho de Horus e, em raras ocasiões, afirmou-se ao
contrário ser Min, evitando a confusão sobre o estatuto de Hórus como
marido e filho de Ísis.
Atributos mágicos
De modo a ressuscitar Osíris com o fim de gerar um filho, Hórus, era necessário a Ísis "aprender"
magia (que por muito tempo havia sido um atributo seu, antes do surgimento do culto a
Ra), e então passou a afirmar-se que Ísis enganou Ra (Amon-Ra ou Atum-Ra), fazendo com que este fosse picado por uma
serpente
egípcia - para o que apenas ela possuía a cura -, para que este lhe
dissesse o seu nome "secreto". Os nomes das divindades eram secretos, de
domínio apenas dos altos líderes religiosos, uma vez que esse
conhecimento permitia invocar o poder da divindade. Que ele fosse usar o
seu nome "secreto" para "sobreviver" implica que a serpente tivesse que
ser uma divindade mais poderosa do que Ra. Ora, a mais antiga divindade
conhecida no Egito foi
Uadjit, a cobra egípcia, cujo culto nunca foi suplantado na
antiga religião egípcia.
Como uma divindade da mesma região, teria sido um recurso benevolente
para Ísis. O uso dos nomes secretos tornou-se um elemento central nas
práticas mágicas egípcias do período tardio, e Ísis é invocada muitas
vezes para que use "o verdadeiro nome de Rá" durante os rituais. Ao
final do período histórico do antigo Egito, após a sua ocupação pelos
gregos e pelos romanos, Ísis tornou-se a mais importante e poderosa
divindade do panteão egípcio por causa de suas habilidades mágicas. A
magia é um elemento central em toda a mitologia de Ísis, possivelmente
mais do que para qualquer outra divindade egípcia.
Antes desta alteração tardia na natureza da religião antiga egípcia, a lei de
Ma'at havia orientado as ações corretas para a maioria dos milhares de anos de religião egípcia, com pouca necessidade de magia.
Thoth
era o deus que recorria à magia quando era necessário. A deusa que
detinha o papel quadruplo de curadora, protetora dos vasos canopos,
protetora do casamento, e senhora da magia anteriormente havia sido
Serket.
Ela então foi considerada como atributo de Ísis, pelo que não é de
surpreender que Ísis tinha um papel central nos rituais e feitiços
egípcios, nomeadamente os de proteção e cura. Em muitos feitiços, essas
atribuições são inteiramente fundidas, mesmo com as de Hórus, uma vez
que invocações a Ísis supostamente envolvem automáticamente poderes de
Hórus. Na história do Egito a imagem de um Hórus ferido tornou-se uma
característica padrão de feitiços de Ísis de cura, em que geralmente se
invocam os poderes curativos do leite de Ísis.
[11]
O mundo greco-romano
Após a conquista do Egito por
Alexandre o Grande o culto de Ísis difundiu-se através do
mundo greco-romano..
[12] No
período helenístico Ísis adquiriu uma nova posição como deusa dominante no mundo mediterrânico.
Cleópatra vestia-se como Ísis quando aparecia em público, e era chamada de
Nova Ísis.
[13]
Em Roma,
Tácito registrou que após o assassinato de
Júlio César, foi decretada a construção de um templo em honra de Ísis;
Augusto
suspendeu esta construção, e tentou trazer os Romanos de volta às
antigas divindades, que eram estreitamente associadas à figura do
Estado. Eventualmente o imperador
Calígula
abandonou os cuidados de Augusto em favor do que foi descrito como
"cultos orientais", e foi em seu reinado que o festival de Ísis foi
estabelecido em
Roma. De acordo com
Flávio Josefo, Calígula vestiu-se como uma mulher e tomou parte nos mistérios que instituiu.
Vespasiano, assim como
Tito, praticaram incubação no
Iseum romano.
Domiciano fez erguer um outro Iseum juntamente com um
Serapeum.
Trajano foi representafo diante de Ísis e de Hórus, presenteando-os com oferendas votivas de
vinho em um baixo-relevo em seu
arco do triunfo.
[14] Adriano decorou a sua
villa em
Tibur com cenas Isíacas.
Galério considerou-a sua protetora.
[15]
As perspectivas Romanas dos cultos eram
sincréticas,
vendo nas novas divindades meros aspectos locais dos que lhes eram
familiares. Para muitos Romanos, a Ísis egípcia era um aspecto da
Cibele Frígia, cujos ritos
orgíacos estavam há muito implantados em Roma. De fato, ela foi conhecida como "Ísis dos Dez Mil Nomes".
Entre os nomes da Ísis Romana, "Rainha do Céu" destaca-se por sua longa e continua história.
Heródoto identifica Ísis com as deusas da agricultura
Deméter na
mitologia grega e
Ceres na
romana.
No período tardio, Ísis também teve templos através da
Europe,
Britania,
África e
Ásia. Uma estátua de Ísis em
alabastro, do
século III encontrada em
Ohrid, na
República da Macedónia, está representada no anverso da
nota de 10
dinares macedónios emitida em
1996.
[16]
O pré-nome masculino "Isidoro" (também "Isidro") significa em
Língua grega antiga
"Presente de Ísis" (semelhante a "Teodoro", "Presente de Deus"). O
nome, comum à época romana, sobreviveu à supressão do culto a Ísis e
permanece popular até aos nossos dias - sendo, entre outros, o nome de
diversos
santos cristãos.
Ísis na Literatura
Plutarco, um sábio da
Grécia antiga, que viveu entre
46 a.C. e
120, é autor de "Ísis e Osíris",
[17] considerada uma das principais fontes sobre os mitos tardios sobre Ísis.
[18] Nela, acerca de Ísis, refere "
ela
é tanto sábia quanto amante da sabedoria; como o seu nome parece
denotar que, mais do que qualquer outro, o saber e o conhecimento
pertencem a ela." e que o santuário da deusa em
Sais continha a inscrição "
Eu sou tudo o que foi, é, e será, e meu véu nenhum mortal levantou até agora.".
[19] Em Sais, no entanto, a padroeira do seu antigo culto foi
Neith, deusa de que muitos traços tinham começado a ser atribuídos a Ísis durante a ocupação grega. Mais tarde, o escritor romano
Apuleio, em
O Asno de Ouro, dá-nos o seu entendimento acerca de Ísis no
século II. O parágrafo abaixo é particularmente significativo:
- "Você me vê aqui, Lúcio, em resposta à sua oração. Eu sou a
natureza, Mãe universal, senhora de todos os elementos, filha primordial
do tempo, soberana de todas as coisas espirituais, rainha dos mortos,
também rainha dos imortais, a manifestação única de todos os deuses e
deusas que são, o meu comando governa as alturas brilhantes dos Céus, a
salutar brisa do mar. Embora eu seja adorada em muitos aspectos,
conhecidos por nomes incontáveis� alguns me conhecem como Juno, alguns como Belona� os egípcios que se destacam no aprendizado e culto antigo me chamam pelo meu verdadeiro nome� Rainha Ísis."
Paralelos com a Virgem Maria
Alguns eruditos traçam paralelos entre a adoração de Ísis na época final do
Império Romano e a adoração à
Virgem Maria cristã. Quando o cristianismo começou a ganhar popularidade, difundindo-se na
Europa
e em todas as partes do Império, os primitivos cristãos converteram um
relicário da Ísis egípcia em um para Maria e de outros modos "
deliberadamente tomaram imagens do mundo pagão".
[20]
Embora a Virgem Maria não seja idolatrada pelos cristãos (é
venerada tanto pelos
Católicos quanto pelos
Ortodoxos), o seu papel, como figura de mãe compassiva, tem paralelos com a figura de Ísis.
[20] O historiador
Will Durant observou que "
os
primitivos Cristãos por vezes fizeram os seus cultos diante de estátuas
de Ísis amamentando o filho Hórus, vendo nelas uma outra forma do nobre
a antigo mito pelo qual a mulher (isto é, o princípio feminino) é a
criadora de todas as coisas, tornando-se por fim, a "Mãe de Deus"".
[21] Hórus, sob este aspecto infantil, foi denominado
Harpócrates pelos antigos Gregos.
Isto é fruto da exposição dos primitivos cristãos à
arte egípcia. Uma pesquisa com "
os vinte principais Egiptólogos", conduzida pelo Dr. W. Ward Gasque, um erudito cristão, revelou que todos os participantes reconheceram "
que a imagem de Ísis com o bebê Hórus influiu na iconografia cristã da Virgem e o Menino", mas que não houve nenhuma outra semelhança, como por exemplo, que Hórus tenha nascido de uma
virgem, que tenha tido doze seguidores, ou outras.
[22]
A veneração a Maria na
Igreja Ortodoxa[23] e mesmo na tradição da
Igreja Anglicana é frequentemente superestimada.
[24] As imagens tradicionais (
ícones) de Maria ainda são populares na Igreja Ortodoxa nos dias de hoje.
[25]
Títulos
No
Livro dos Mortos Ísis encontra-se referida com os seguintes títulos:
- Aquela que dá origem ao Céu e à Terra
- Aquela que conhece o órfão
- Aquela que conhece a aranha viúva
- Aquela que procura justiça para os pobres
- Aquela que procura abrigo para as pessoas fracas
Outros dos muitos títulos de ísis, são:
- Rainha do Céu
- Mãe dos Deuses
- Aquela que é Todos
- Senhora das Culturas Verdejantes,
- A mais brilhante no firmamento
- Stella Maris[26]
- Grande Senhora da Magia
- Senhora da Casa da Vida,
- Aquela que sabe fazer o uso correto do Coração
- Doadora da Luz do Céu
- Senhora das Palavras de Poder,
- Lua brilhante sobre o Mar
E uma colecção de Livros Duradouros:
Notas
- ↑ a b WITT, R. E.. Isis in the Ancient World. 1997. p. 7. ISBN 0-8018-5642-6
- ↑ a b IONS, Veronica. Egyptian Mythology. Paul Hamlyn, 1968. ISBN 0 600 02365 6
- ↑ CHADWICK, Henry. The Church in Ancient Society: From Galilee to Gregory the Great. Oxford University Press, 2003. p. 526. ISBN 0-19-926577-1
- ↑ WITT, R. E.. Isis in the Ancient World. 1997. ISBN 0-8018-5642-6
- ↑ BURY, John Bagnell. History of the Later Roman Empire from the Death of Theodosius I to the Death of Justinian: The Suppression of Paganism. Courier Dover Publications, 1958. cap. 22, p. 371. ISBN 0-486-20399-9
- ↑ MERCADANTE, Anthony S. Who's What in Egyptian Mythology( 2nd edition). MetroBooks (NY): 2002. ISBN 978-1-58663-611-1 p. 114
- ↑ a b PINCH, Geraldine Handbook of Egyptian Mythology ABC-CLIO Ltd; 31 Aug 2002 ISBN 978-1-57607-242-4 p. 79 [1]
- ↑ RICHTER, D. S.. "Plutarch on Isis and Osiris: Text, Cult, and Cultural Appropriation" TAPhA (2001). p. 191-216.
- ↑ GRIFFITHS, J. Gwyn. (2002). "Isis". In: REDFORD, D. B. (Ed.). The ancient gods speak: A guide to Egyptian religion. New York: Oxford University Press, USA. p. 169.
- ↑ LINDEMANS, Micha F.. "Mut". January 16, 2004 http://www.pantheon.org/articles/m/mut.html Accessed October 06, 2008
- ↑ (Silverman. Ancient Egypt. p. 135)
- ↑ WITT, R. E.. "Isis in the Ancient World". 1997. ISBN 0-8018-5642-6
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Antônio, 54.6 [em linha]
- ↑ WITT, R. E.. "Isis in the Ancient World". 1997. Ch. 17: "The Goddess Darling of the Roman Emperors", p. 235. ISBN 0-8018-5642-6
- ↑ WITT, R. E.. "Isis in the Ancient World". 1997. p. 51. ISBN 0-8018-5642-6
- ↑ National Bank of the Republic of Macedonia. Macedonian currency. Banknotes in circulation: 10 Denars. Consultado em 30 Março 2009.
- ↑ "On the Worship of Isis and Osiris"
- ↑ RICHTER,
D. S.. "Plutarch On Isis and Osiris: Text, Cult, and Cultural
Appropriation". in: Transcrições da "The American Philological
Association" (2001) 131:191-216.
- ↑ "Isis and Osiris", Plutarch, ch9, retrieved 29 May 2007
- ↑ a b Religion & Ethics - Christianity", Mary, BBC.
- ↑ DURANT, Will. "Our Oriental Heritage" (1935). In: The Story of Civilization: volume 1. Norwalk Connecticut: Easton Press 1992, p. 201.
- ↑ GASQUE, W. Ward. The Leading Religion Writer in Canada � Does He Know What He's Talking About? August 09, 2004. Retrieved September 14, 2008
- ↑ Theotokos at OrthodoxWiki
- ↑ The Shrine of Our Lady of Walsingham: Introduction
- ↑ Greek icons of the Theotokos
- ↑ "The Concept of the Goddess" By Sandra Billington, Miranda Green, Routledge, 1999, p70, ISBN 0-415-19789-9
Bibliografia
Fontes primárias
- Eusébio. Chronicon 32.9-13, 40.7-9, 43.12-16
- Ovídio. Metamorphoses i.588-747
- Plutarco (1936). De Iside et Osiride (editado por Frank C. Babbitt)
Fontes secundárias
- DAVID, Rosalie (1998). Handbook to Life in Ancient Egypt.
- SHAW, Ian (2000). The Oxford History of Ancient Egypt.
- SHAW, Ian; NICHOLSON, Paul T. (1995). The British Museum Dictionary of Ancient Egypt.
- SPENCES, Lewis (1990). Ancient Egyptian Myths and Legends.
- WILKINSON, Richard H. (2003). The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt.