quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mediunidade e Testemunho




Ao invés de constituir-se privilégio de que desfrutam alguns indivíduos, a mediunidade é vigoroso instrumento de trabalho, que deve ser utilizado com probidade e elevação, a fim de que lobrigue o mister a que se destina.

Possuindo finalidades específicas, quais demonstrar a imortalidade do Espírito, contribuir terapeuticamente para a saúde espiritual, desvelar a realidade do mundo extrafísico, lenir exulcerações morais, consolar corações e iluminar mentes, a mediunidade representa valioso contributo da vida, auxiliando os transeuntes da jornada carnal, para que encontrem o rumo da felicidade.

Utilizada com equilíbrio, conforme as sadias diretrizes propostas pelo Espiritismo, faculta o desenvolvimento ético-moral do ser e da sociedade na qual ele se encontra, promovendo o progresso intelectual e filosófico com vistas à aquisição de um sentido libertador dos miasmas e atavismos ancestrais que permanecem dificultando a ascensão humana.

Por consequência, o exercício da mediunidade convida à reflexão e ao espírito de serviço em favor das demais pessoas.

Constituindo recurso auto-iluminativo, impõe disciplinas austeras e comportamentos severos em relação ao seu uso e à aplicação das suas energias.

É natural, portanto, que não deva ser utilizada com leviandade ou para divertimento dos frívolos

Certamente, quando mal direcionada, permanece facultando o comércio inferior com as Entidades perversas e mistificadoras, do mesmo teor moral daquele que a possui.

Aplicada condignamente, produz estados de êxtase superior, não impedindo, todavia, que o seu instrumento experimente aflição, expurgando os erros dantanho e os delitos que ficaram na retaguarda, pesando negativamente no seu processo de elevação.

Assim sendo, o martírio que acompanha alguns medianeiros abnegados, faz-se-lhes bênção de inapreciável significado, graças ao qual, se engrandecem e se iluminam.

Isenta de qualificação moral, a faculdade em si mesma se identifica com as faixas vibratórias nas quais sincroniza a mente do seu portador.

Colocada a serviço de Jesus, aureola-se de peregrina luz que espanca as sombras do primarismo e aponta o porto que deve ser alcançado.

Santo Antão, nos primórdios do Cristianismo, meditando no monte Pispir, em pleno deserto, era perseguido por Espíritos malévolos que tentavam desorientá-lo.

Hildegarda de Bingen, a extraordinária mística alemã, embora refugiada no monastério para manter-se em perfeita identificação com Jesus e Sua doutrina, não conseguiu eximir-se às ações doentias dos desencarnados em profunda perturbação.

Santo Antônio de Pádua, seráfico e sacrificado, era visitado pelos inimigos espirituais do Cristo que tentavam molestá-lo e atormentá-lo.

Ermance Dufaux, a abnegada médium de Joanna d’Arc e de São Luiz de França, que tanto cooperou com o eminente mestre Allan Kardec, sofreu apodos e foi tida como psicopata.

O ministério mediúnico é sempre acompanhado de testemunhos e de sacrifícios.

Não foram poucos aqueles que a impiedade e o fanatismo religioso levaram à fogueira, à infâmia, ao suplício impenitente, negando-lhes o direito a qualquer defesa.

O martírio, de uma ou de outra forma, sempre tem assinalado o labor de todo aquele que se entrega ao Mestre crucificado, Médium que também o foi de Deus.

Bendizes as dores que te alcançam e dilaceram as fibras da alma.

Não apenas aquelas que são impostas pela insensibilidade humana ou gratuita perseguição de outros.

Mas, aos estados íntimos que te amarguram e desorientam.

Alegra-te com a oportunidade de crescer interiormente, enquanto auxilias a quantos se te acercam.

O sarçal e os pedrouços do teu caminho após percorridos, abrir-se-ão em flores e atapetarão o solo por onde passarão outros pés, após os haveres transformado pela tua bondade e compaixão.

Não te recalcitres contra o aguilhão da dor, dificultando a própria liberdade.

Utiliza-te das tuas forças mediúnicas para gerar simpatia, recuperar vidas e resgatar danosos comportamentos, adquirindo alegria de viver por todo o bem que possas fazer, ou por facultar aos Benfeitores da Humanidade as realizações dignificantes por teu intermédio.


Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco

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