terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quem dá...





Em tudo o que fazes pões o condimento do amor. A quem amas o fazes com toda a dedicação para preservar esse amor e tornar a pessoa amada sempre mais feliz – dizes.

Para ti, nada há que te impeças de agir para agradar o ser que fez ninho em teu coração, que elegeste por sócio dos teus projetos de felicidade. Tudo na vida parece, então, girar em torno da alma querida que ocupa todos os teus sentidos.

Nessa direção caminhaste com todos os teus sonhos. Nos caminhos da alma amada, semeaste as tuas esperanças. Com ela sorriste, por ela choraste e por ela enfrentaste desafios, correste riscos de que só um grande amor é capaz. Viveste, enfim, para ela, tudo dando sem nada cobrar, como alegas.

Agora sofres por não te veres correspondida na tua dedicação, no teu carinho. Achas que deste sem retribuição. Teu coração, antes cheio de esperanças, amarga agora a indiferença de quem menos esperavas. Desalentada, concluis que toda a tua doação de amor ao ser amado foi em vão. Destes flores e recebestes só espinhos – queixas-te, nas tuas elucubrações mais íntimas.

Quando te encontrares no tumulto desses conflitos afetivos, tomando-te por vítima das incompreensões ou da indiferença de alguém a quem afirmas ter entregue o coração na aurora de um sonho de amor, foge por alguns instantes do circuito fechado em que roda o filme das tuas decepções e distende a tua visão espiritual na direção do calvário. Lá ainda poderás enxergar a grande vítima da incompreensão e da indiferença.

Não te digo o nome, porque tu o conheces muito bem, com detalhes inclusive da história do infamante desejo a quem tudo deu de si para as alegrias e felicidade dos homens. E nessa reflexão recorre à prece por amiga e conselheira leal, que essa grande vítima te surgirá na tela das recordações em algum lugar do passado, perguntando a um dos apóstolos: – Pedro, filho de Simão, tu me amas?(João XXI, 15-17).

E fez essa pergunta três vezes ao apóstolo querido, o mesmo que lhe negou também três vezes, depois em Jerusalém, mostrando a fragilidade do coração humano em matéria de amor verdadeiro.

Reflete, pois, sobre estas verdades e toma a cruz do Cristo por lição sublime, para que aprendas a amar sem ser amado, a dar sem receber, a ser feliz por já saberes proporcionar a felicidade a alguém sem nada cobrar-lhe, respeitando-lhe a liberdade de ser como deseja ser.

Amar verdadeiramente não é receber amor; é dar. Porque quem dá com amor, que lhe importa receber do mundo, se é certo que recebe de Deus?

Com as bênçãos de Jesus, nosso Senhor.



Joana



Pereira, Wanderley. Ditado pelo Espírito Joana.

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